Orbitopatia de Graves: resultados, só com multidisciplinaridade

Orbitopatia de Graves: resultados, só com multidisciplinaridade

O simpósio procurou analisar os dados mais recentes e as diferentes opções terapêuticas disponíveis para esta doença, que envolve a colaboração multidisciplinar das especialidades de oftalmologia e endocrinologia.

 

O simpósio “Up to date in Graves’ Orbitopathy” debruçou-se sobre a doença de Graves, uma patologia auto-imune, geralmente associada ao hipertiroidismo e potencialmente incapacitante, mas que é, frequentemente, subestimada.

Assim a reunião procurou analisar os dados mais recentes e as diferentes opções terapêuticas disponíveis para esta doença, que envolve a colaboração multidisciplinar das especialidades de oftalmologia e endocrinologia.

Aliás, foi justamente essa colaboração que foi sublinhada por um dos diretores do simpósio, o endocrinologista António Garrão, coordenador do Departamento de Endocrinologia do Hospital da Luz: “se são os oftalmologistas que tratam a orbitopatia, a intervenção dos endocrinologistas não pode ser tardia, pois vai alterar o processo terapêutico desejado”.

A oftalmologista Maria Consuelo Prada Sánchez, do Instituto Internacional de Órbita e Oculoplastia do Centro Oftalmológico Moreiras, de Santiago de Compostela, falou sobre a avaliação clinica e diagnóstico precoce da orbitopatia, destacou que é necessário diagnosticar precocemente a doença e tratá-la. “Quanto mais precoce for, melhor o prognóstico”, disse.

Esta médica afirmou que o diagnóstico por ecografia obriga a grande experiência por parte do médico que analisa o exame, podendo ainda ser feito por TAC, se necessário por ressonância magnética, e lembrou ainda que 20% dos doentes com orbitopatia têm hipertiroidismo e 45% têm ambas as enfermidades em simultâneo.

A colaboração entre oftalmologistas e endocrinologistas é o mais importante no tratamento desta doença, comentou Luigi Bartalena, professor de Endocrinologia e diretor da Escola de Pós-graduação em Endocrinologia da Universidade de Insubria (Varese). Este especialista referou que a orbitopatia de Graves é uma expressão relativamente pouco frequente da doença de Graves.

Segundo Luis Bartalena, cerca de 75% das pessoas que sofrem da doença de Graves não têm envolvimento ocular na fase inicial do hipertiroidismo, outros desenvolvem orbitopatia de Graves durante o tratamento antitiroidiano, enquanto outros ainda, têm orbitopatia de Graves em formas mais suaves, que entram em remissão após algum tempo.