Planear os cuidados de fim de vida

Planear os cuidados de fim de vida

O planeamento avançado dos cuidados de fim de vida é um dos temas mais inovadores, quando se fala de cuidados paliativos e nas demências e foi, por isso, um dos mais discutidos no simpósio «Palliative and dementia care module», no Leaping Forward do Hospital da Luz.

 

Por que evitamos falar do fim da vida, mesmo sabendo que o momento se aproxima? Por que evitam os profissionais de saúde falar connosco sobre esse assunto? Por que recusamos, enquanto sociedade, encarar este tema? No simpósio «Palliative and dementia care module», que hoje decorreu no Auditório 3 do Hospital da Luz, no âmbito do congresso internacional médico Leaping Forward, especialistas nesta área procuraram respostas para estas e outras perguntas, discutiram diferentes experiências e apontaram caminhos inovadores e mais eficientes para enfrentar esta realidade.

O médico de origem portuguesa José Luis Pereira, responsável pela rede de cuidados paliativos da região de Otava, realçou a importância do planeamento adiantado de cuidados para o fim da vida, chamando a atenção para a necessidade de esse planeamento incluir uma discussão com a família e os amigos e a nomeação de um tutor para tomar as decisões em caso de incapacidade pessoal; incluir uma discussão também com os profissionais de saúde, que podem esclarecer sobre a evolução da doença e as necessidades de cuidados a médio e longo prazo; incluir a gestão racional dos recursos financeiros tendo em conta essa necessidade de cuidados; e incluir, se for essa vontade do doente, um documento escrito. «Planear os cuidados de fim de vida não é fazer testamento vital, apenas. É muito mais. É discutir o tema com todos os envolvidos», insistiu José Luis Pereira.

Pereira apresentou o projeto canadiano nesta área, mostrando a campanha que está em vigor naquele país e referindo que os próprios profissionais de saúde têm de fazer formação especifica para se prepararem para esta nova competência.

O médico espanhol Emilio Herrera apresentou a seguir um estudo sobre os custos da doença em fase terminal, realçando o peso destes custos quer para os sistemas de saúde, quer para as famílias. O objetivo foi mostrar como, fazendo um planeamento avançado dos cuidados de fim de vida, se podem poupar milhões de euros e fazer uma gestão mais eficiente dos recursos financeiros e de saúde. Por seu lado, Ignácio Martin analisou também a questão financeira deste tema, tendo apresentado casos concretos do impacto das doenças crónicas ou irreversíveis na economia das famílias portugueses.

O tema deste simpósio incluía ainda a questão dos cuidados nas doenças demenciais, tendo Florence Pasquier, neurologista e professora na Universidade de Lille, França, apresentado vários exemplos franceses de organização regional de rede de cuidados específicos, quer para doentes de Alzheimer, quer para doentes jovens.

Manuel Caldas de Almeida apresentou também um exemplo concreto – o da organização dos cuidados paliativos e na demência da Espirito Santo Saúde, que dá uma resposta integrada e global aos problemas das pessoas mais velhas e com doenças crónicas ou irreversíveis.