Apneia do sono

Apneia do sono

Além de provocar grande incómodo social dado o característico ressonar, a síndrome de apneia obstrutiva do sono é uma doença respiratória que pode acarretar doenças cardiovasculares graves.

A síndrome de apneia obstrutiva do sono é uma doença respiratória que se caracteriza por episódios recorrentes de colapso da faringe durante o sono, condicionando a sua obstrução completa (apneia) ou incompleta (hipopneia).

As paragens respiratórias provocam uma diminuição da oxigenação do sangue, bem como pequenos despertares não conscientes. Assim, as pessoas afetadas conseguem dormir, mas o seu cérebro não repousa.

Este problema afeta quatro a 6% dos homens e dois a 3% das mulheres e é mais frequente entre os 40 e os 60 anos. A obesidade, sem dúvida, é um fator de risco importante. Mas como se manifesta a doença?

Sintomas que se manifestam durante o sono:

  • Ressonar;
  • Pausas ou paragens respiratórias (apneias);
  • Despertares com sensação de sufocação;
  • Sono agitado;
  • Necessidade de urinar.

Sintomas que se manifestam com o doente acordado:

  • Sonolência excessiva (desde fadiga crónica e necessidade de beber um maior número de cafés ou chás por dia, adormecer em diversas situações, por exemplo, a ler, a ver televisão, em salas de espera, durante reuniões, no cinema, em transportes, a comer, a falar com outras pessoas ou mesmo a conduzir);
  • Sensação de sono não reparador
  • Maior irritabilidade;
  • Falta de atenção, diminuição da memória ou da capacidade de concentração;
  • Problemas sexuais, como diminuição do interesse ou impotência.

Problema social

Quando não tratada, esta síndrome tem consequências sociais e cardiovasculares importantes, tais como o maior risco de acidentes, que é cerca de sete vezes superior ao da população em geral. Por outro lado, a ingestão de álcool, mesmo em quantidades reduzidas, potencia a sonolência excessiva. Ocorre também uma diminuição da produtividade, um maior consumo de recursos de saúde, nomeadamente maior número de consultas, internamentos e medicamentos.

Possíveis problemas conjugais e familiares devido ao ressonar, alterações do humor, perturbações sexuais e hipertensão arterial, muitas vezes de controlo difícil, bem como maior risco de angina de peito, de enfarte agudo do miocárdio, de acidente vascular cerebral, de morte súbita e de diabetes são outras consequências da síndrome de apneia obstrutiva do sono.

O diagnóstico é feito pelo registo poligráfico do sono noturno e o tratamento da síndrome de apneia obstrutiva do sono inclui medidas gerais e, em função de cada caso, uma intervenção específica.

Assim, aconselham-se, como medidas gerais mais importantes, as seguintes:

  • Redução do peso;
  • Não ingerir álcool a partir da hora do almoço;
  • Não fumar;
  • Não tomar medicamentos para dormir;
  • Dormir durante um número de horas suficientes (pelo menos sete horas).

O tratamento específico desta síndrome inclui a utilização de um aparelho que, durante o sono, fornece ar com uma pressão positiva nas vias aéreas superiores através de uma máscara. Normalmente está indicado para os casos moderados e graves. Já a cirurgia pode estar indicada no tratamento das formas ligeiras. O diagnóstico atempado e o seu tratamento correto permitem alterar radicalmente o panorama descrito, com uma melhoria significativa da qualidade de vida dos doentes.

Texto:

João Valença

Pneumologia, Hospital da Luz