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Cefaleias nas crianças

Cefaleias nas crianças

As crianças que sofrem de dores de cabeça não devem ter uma vida com restrições nem limitar-se por medo de ter uma crise. Podemos ajudá-las a saber controlar a doença.

As crianças também têm dores de cabeça e, tal como nos adultos, a grande maioria não é consequência de outras doenças, como a rinite, sinusite, falta de visão ou outras.

Mas, se as dores de cabeça estão sempre a piorar ou se associam a convulsões, sonolência e febre, falta de força de um lado do corpo, visão dupla, desequilíbrio, vómitos matinais ou outros sintomas preocupantes, há que suspeitar de outra doença.

As doenças mais frequentes que causam dores de cabeça nas crianças são a cefaleia de tensão e a enxaqueca, que afetam, respetivamente, 4 a 10% e 3 a 7% das crianças

A enxaqueca carateriza-se por crises recorrentes de dores de cabeça, acompanhadas por mal-estar, olheiras e palidez, falta de apetite, enjoos ou mesmo vómitos, dificuldade em tolerar a luz e o ruído, dificuldade de concentração, vontade de se deitar e ficar quieto ou mesmo dormir.

As dores podem ser fortes e geralmente ocorrem são na testa ou em toda a cabeça, são de curta duração (horas) passando com o sono ou um analgésico. O diagnóstico é clínico, o que significa que um médico treinado consegue identificar de que tipo de dor de cabeça se trata. Três em cada quatro crianças com enxaqueca tem um caso idêntico na família, seja nos pais, irmãos ou familiares mais afastados.

Doença crónica, mas tratável

A enxaqueca é uma doença crónica e incurável, querendo dizer que estas crianças vão, provavelmente, ter sintomas toda a vida. No entanto, o fato de algumas crianças começarem muito novas não implica, necessariamente, que a doença seja mais grave do que se apenas surgisse na vida adulta. A gravidade da enxaqueca é, sobretudo, medida pelo sofrimento e incapacidade que causam as crises. Um dia com enxaqueca grave é equivalente a um dia perdido, que se repete ciclicamente a uma dada frequência. 

O tratamento deve ajustado conforme a incapacidade e sofrimento. Em 85% dos casos nas crianças, medidas simples de estilo de vida e um analgésico, em caso de crise, são o suficiente para controlar a doença. Trata-se de uma doença com bom prognóstico pois tem tendência para melhorar após a meia-idade e raramente tem outras consequências para além das crises.  No entanto, há muitos fatores que influenciam a sua gravidade, alguns determinados pela agressividade da própria doença, outros relacionados com o organismo (por exemplo, fatores hormonais) e ainda outros relacionados com o estilo de vida e fatores de suscetibilidade individuais – os chamados fatores desencadeantes.

Nos casos mais complexos pode ser necessário tomar medicação específica em períodos ou tratamentos, para diminuir a frequência das crises. Esta medicação, denominada preventiva, é útil para aliviar o sofrimento mas essencial para prevenir uma possível complicação ,que ocorre com mais facilidade em indivíduos com crises muito frequentes: o abuso de analgésicos. As crianças com enxaqueca não devem ter uma vida cheia de restrições, nem se devem limitar por medo de ter uma crise. Podemos ajudá-las a aprender a controlar a enxaqueca – não devemos deixar que a enxaqueca controle as suas vidas.

Saiba que:

  • A enxaqueca é uma doença crónica, mas que pode ser tratada
  • O tratamento é ajustado às necessidades de cada criança
  • Tem tendência a melhorar após a meia-idade

 

Texto:

Raquel Gil-Gouveia

Neurologia, Hospital da Luz

 

No diagnóstico e tratamento de cefaleias podem intervir diversos especialistas. A neurologia é uma especialidade com uma intervenção muito importante nesta doença. Conheça os médicos especialistas em neurologia desta unidade da rede Hospital da Luz