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Cistite

As infeções do aparelho urinário são a segunda causa mais frequente de doença infecciosa nos adultos. A cistite é a mais comum e afeta mais o sexo feminino.

A cistite bacteriana é a forma mais comum de cistite infecciosa e define-se como uma resposta inflamatória do aparelho urinário à invasão e colonização da bexiga por bactérias que normalmente vivem no intestino humano, sendo a Escherichia coli ou colibacilo, como é popularmente conhecida, a bactéria responsável por 75% a 90% das infeções.

É importante salientar que o facto de a bactéria invadir a bexiga não significa necessariamente, que haverá infeção, pois normalmente existe um equilíbrio favorável às defesas naturais do organismo. 

Aproximadamente, 50% das mulheres irão contrair cistite durante a sua vida e as que têm uma vida sexual ativa terão, no mínimo, um episódio de cistite a cada dois anos.

Diferenças anatómicas, mais infeções

A justificação para as mulheres contraírem mais infeções urinárias que os homens deve-se às diferenças anatómicas existentes: as mulheres têm uma maior proximidade da uretra ao ânus e uma uretra de muito menor dimensão.

Os sintomas são habitualmente característicos e compreendem ardor na micção, frequência aumentada, vontade forte e permanente para urinar, dor ou sensação de peso na região inferior do abdómen e, em algumas situações, urina rosada sugestiva de presença de sangue.

A existência de febre, dores nas costas, náuseas e vómitos pressupõe uma infeção renal, denominada por pielonefrite.

A importância da água

A avaliação das queixas associada a análise sumária da urina (tira reativa ou urina II) permite obter o diagnóstico em 90% dos casos.

Perante incerteza ou infeções de repetição, deverá recorrer-se a urocultura para confirmação.

Embora em alguns casos de cistite a cura espontânea da infeção possa ocorrer com um aumento da ingestão de água (micções repetidas eliminam as bactérias da bexiga), na maioria dos casos, as pacientes requerem tratamento com antibióticos em esquemas de duração variável, dependendo do fármaco e da gravidade da infeção.

Como prevenir

Para prevenir o aparecimento de cistite, a mulher deve urinar imediatamente após a relação sexual, beber água suficiente para urinar cerca de cinco vezes ao dia, evitar banhos de imersão e roupa íntima de material sintético.

A higiene após as micções deve ser realizada com papel macio, sempre da frente para trás, evitando assim traumatismo local e o transporte das bactérias em redor do ânus para a vagina.

A obstipação é considerada fator predisponente para o aparecimento das infeções urinárias, sendo também importante o seu tratamento.

Em estudos clínicos, a utilização de suplementos alimentares mostrou-se eficaz na prevenção das infeções urinárias de repetição, pelo uso de probióticos (substâncias capazes de restabelecer a flora bacteriana vaginal normal) e de extrato de arando, um fruto vermelho silvestre que dificulta a adesividade de bactérias causadoras de infeções urinárias na superfície da vagina, da uretra e da bexiga.

Existem também vacinas orais com a finalidade de estimular o desenvolvimento de imunidade específica contra as bactérias que habitualmente causam infeções urinárias.
Nas mulheres em pós-menopausa preconiza-se o uso de estrogénios tópicos com intuito de impedir a atrofia da mucosa vaginal que propicia a fixação de bactérias.

Saiba que:

  • A cistite bacteriana é a mais frequente
  • A anatomia feminina é mais propícia a esta infeção
  • Mais de metade das mulheres terá cistite uma vez na vida
  • As mulheres sexualmente ativas poderão ter cistite a cada dois anos
  • Beber muita água ajuda a resolver a infeção


Texto:

Pedro Soares

Urologia, Hospital da Luz

 

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