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Doença pulmonar obstrutiva crónica

A doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC) é uma doença comum, que pode ser prevenida e tem tratamento, mas é ainda uma das principais causas de diminuição da qualidade de vida e de mortalidade a nível mundial. De resto, prevê-se um aumento do impacto da DPOC nas próximas décadas devido à exposição contínua aos fatores de risco e ao envelhecimento populacional.

A DPOC caracteriza-se pela existência de queixas respiratórias persistentes e limitação continuada do fluxo de ar nas vias respiratórias.

O tabaco é o principal fator de risco para o aparecimento da DPOC mas a exposição a gases, poeiras ou produtos químicos poluentes em contexto de uma atividade profissional, além da poluição, estão também associados a esta doença.

Os fatores hereditários, resultantes de uma doença rara (a deficiência de alfa-1 antitripsina), são responsáveis por um reduzido número de casos.

Sintomas

Os doentes com DPOC referem queixas respiratórias progressivas, tais como:

  • Tosse seca ou com expetoração que é muitas vezes desvalorizada pelo doente que a associa ao tabagismo
  • Falta de ar e cansaço levando a uma redução progressiva da atividade física, primeiro para grandes esforços como subir escadas ou uma rua inclinada e, posteriormente, para pequenos esforços, tais como caminhar, tomar banho, falar ou comer
  • Pieira
  • Sensação de aperto torácico.
  • Numa fase mais avançada da doença, podem ocorrer outros sintomas tais como ansiedade, perda de apetite e emagrecimento.

Esta doença pode ser associada a várias complicações, entre as quais:

  • Exacerbações, ou seja, o agravamento dos sintomas habituais que levam o doente a procurar o apoio médico e que aceleram a evolução da doença
  • Maior suscetibilidade a infeções, sendo as infeções respiratórias a principal causa das exacerbações
  • Insuficiência respiratória crónica com necessidade de uso de oxigénio e/ou ventiladores
  • Incapacidade para o trabalho e para a vida pessoal
  • Morte prematura

Diagnóstico

O diagnóstico da DPOC baseia-se na presença de sintomas em doentes fumadores ou com exposição ambiental ou profissional a fumo, gases, poeiras ou produtos químicos poluentes e na confirmação do estreitamento das vias aéreas com através da realização de uma prova de função respiratória que quantifica a quantidade de ar expirado (espirometria).

Tratamento

O tratamento da DPOC depende das queixas e da gravidade da doença.

  • A cessação tabágica é a melhor forma de evitar a doença, mas também a sua progressão e além de melhorar a qualidade de vida dos doentes.
  • Muitos doentes não necessitam de tratamento diário, fazendo apenas tratamento nos períodos de agravamento da doença. Já os doentes com queixas diárias necessitam de tratamento diário com terapêutica inalatória para diminuir a obstrução e a inflamação das vias aéreas.
  • O sedentarismo, a limitação ao esforço e a falta de ar devem ser minimizados por programas de reabilitação respiratória.
  • Nos casos em que a doença é mais grave, pode ocorrer a diminuição de oxigénio no sangue sendo necessária oxigenioterapia no domicílio e na deambulação e/ou a utilização de ventilação não invasiva domiciliária.
  • Todos os doentes com DPOC devem fazer a vacinação anual contra a gripe, bem como vacinação antipneumocócica.

Os doentes com mais de 40 anos, fumadores ou expostos a fumos ou poeiras que afetem o aparelho respiratório, devem consultar um pneumologista para despiste da DPOC caso apresentem sintomas como tosse com expetoração e dispneia (cansaço).

O diagnóstico precoce, o acompanhamento médico adequado, a cessação tabágica e a adaptação dos hábitos diários são a melhor forma de controlar a evolução e os efeitos da doença.

 

Sofia Furtado

Pneumologia

Hospital da Luz Lisboa e Hospital Beatriz Ângelo

 

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