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Cirurgia minimamente invasiva

A cirurgia minimamente invasiva - também designada por cirurgia vídeo-endoscópica ou, no caso da cirurgia abdominal, por cirurgia laparoscópica - permite, através da utilização da vídeo-endoscopia:

  • Realizar intervenções cirúrgicas através de vias de acesso de dimensões reduzidas

São necessários, apenas, alguns orifícios (regra geral, varia entre três e cinco), com dimensões que variam entre os 5 e os 10 mm, um dos quais permite a introdução de um vídeo-endoscópio (de 5 ou 10 mm de diâmetro, conforme a intervenção) e os restantes a introdução de instrumentos cirúrgicos (pinça, tesoura e outros) desenhados especificamente para este tipo de cirurgia. Evita-se, assim, a realização de uma incisão, média ou grande (como na cirurgia por via aberta ou tradicional), com todas as vantagens inerentes: menos dor e mais conforto no pós-operatório, melhor resultado estético, menos infeções da ferida operatória no imediato e menos hérnias incisionais (hérnias através da cicatriz operatória; incidência de cerca de 10 a 15%, em cirurgia tradicional), a curto ou médio prazo.

  • Reduzir a manipulação cirúrgica das estruturas e órgãos sobre os quais a intervenção incide

Em cirurgia laparoscópica, o cirurgião e os seus ajudantes não introduzem as mãos nas regiões, órgãos ou segmentos operados. Todo o procedimento é realizado com recurso a instrumentos cirúrgicos finos e delicados; evita-se assim a manipulação grosseira das estruturas anatómicas e reduz-se a agressividade e o traumatismo internos associados ao procedimento.

  • Otimizar a visibilidade, graças a uma ampliação da imagem de até 10 vezes e à excelente qualidade com que esta é transmitida

A qualidade da imagem dos aparelhos atuais, a sua capacidade de ampliação até dez vezes e a dimensão reduzida dos endoscópios permitem dissecar e observar de forma clara estruturas anatómicas, como vasos sanguíneos ou nervos, de dimensões ou calibre tão reduzidos que em cirurgia tradicional (aberta) não são identificados. Permitem também visualizar cavidades ou recessos de abordagem difícil, que não seriam acessíveis em cirurgia tradicional. Isto traduz-se em menos lesões de estruturas anatómicas importantes, apesar de pequenas, e numa redução ao mínimo das perdas de sangue (graças ao controlo eficaz dos vasos sanguíneos mais pequenos que, em cirurgia tradicional, são com frequência seccionados inadvertidamente).

  • Evitar, durante toda a intervenção, uma exposição indesejável do segmento do corpo operado ao ar e ao ambiente extra-corporal

Em cirurgia tradicional ocorre uma exposição do segmento ou cavidade natural operados ao ar e ao ambiente extracorporal. Esta exposição prolonga-se durante toda a intervenção cirúrgica e está associada a um aumento exponencial do risco de infeções e de desequilíbrios hidroeletrolíticos importantes, que contribuem para enfraquecer a resposta imunitária. Evitando esta situação, a cirurgia minimamente invasiva reduz o risco de infeção, previne os desequilíbrios hidroeletrolíticos e reforça a resposta imunitária.

Em resumo, os benefícios mais importantes da cirurgia minimamente invasiva para os doentes são os seguintes:

  • Menos dor no pós-operatório
  • Resposta imunitária mais forte
  • Recuperação geral mais rápida
  • Regresso mais rápido à atividade profissional
  • Menor incidência de infeções
  • Menor incidência de hérnias incisionais
  • Cicatrizes operatórias pouco visíveis