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Litotrícia extracorporal

As ondas de choque são ondas mecânicas, similares aos ultra-sons, mas com uma frequência e densidade de energia mais elevadas. Quando utilizadas em medicina humana, são originadas por um aparelho externo e concentram-se num ponto alvo do corpo humano, a zona que se pretende tratar.

No corpo humano, as ondas de choque propagam-se de acordo com as leis da acústica. Assim, uma vez que a maioria dos tecidos corporais apresenta propriedades acústicas similares à água, as ondas de pressão propagam-se pelo corpo sem originar danos nos tecidos circundantes. Pelo contrário, as calcificações nos tendões, ou os cálculos nos rins e ureteres, são desintegrados em pequenos fragmentos quando atingidos pelas ondas de choque, pelo facto de possuírem propriedades acústicas diferentes da água.

A litotrícia extracorporal, com uma vasta utilização no tratamento de cálculos renais, constitui actualmente uma nova forma de tratamento da dor associada aos tecidos moles junto aos ossos, nas áreas da Ortopedia e da Medicina Física e de Reabilitação. Com efeito, as dores agudas e crónicas das partes moles do aparelho locomotor, bem como a não consolidação das fracturas ósseas, constituem frequentemente um problema difícil de resolver.

A vantagem da litotrícia extracorporal reside no facto de se tratar de uma terapia não invasiva e não dolorosa. Durante a sua realização não ocorre qualquer tipo de lesão da pele.

Nas áreas da Ortopedia e da Medicina Física e de Reabilitação, as aplicações principais da litotrícia extracorporal incluem:

  • Ombro – calcificação da coifa dos rotadores do ombro (ombro congelado)
  • Cotovelo – tendinites dos epicondilianos (cotovelo de tenista) e tendinites dos epitrocleanos (cotovelo de golfista)
  • Pé – esporão calcaneo com ou sem calcificação, fasceite plantar, tendinopatia do Aquiles
  • Outras aplicações – atrasos de consolidação óssea após fracturas, bursites crónicas, pseudoartroses, tendinites rotulianas, entesite dos adutores da coxa (tendinite de inserção)

A litotrícia extracorporal, frequentemente numa única sessão, permite evitar em muitos casos (cerca de 70%) o recurso à cirurgia.