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Glaucoma: rastreio e tratamento

Glaucoma: rastreio e tratamento

O glaucoma causa perda irreversível de visão e a sua frequência aumenta com a idade, sendo cerca de 2% nas idades superiores a 40 anos e de 5% acima dos 80 anos.

Estima-se que, em todo o mundo, 80 milhões de pessoas sofram de glaucoma, 10% das quais cegas de ambos os olhos. De fato, o glaucoma é a segunda causa de cegueira, a nível mundial.

Perante esta realidade importa perceber o porquê desta doença, como se pode manifestar, o que cada um de nós pode fazer para o seu diagnóstico, as hipóteses de tratamento e qual a importância de cada um de nós – médicos e doentes – no controlo da sua progressão.

Existem diferentes tipos de glaucoma, sendo mais frequente na população ocidental o glaucoma de ângulo aberto. Este tipo de glaucoma tem como principal causa o aumento da pressão intraocular que resulta de um desequilíbrio entre a produção e a drenagem de um líquido importante produzido no nosso olho, o humor aquoso. O facto da pressão intraocular estar, na maioria dos casos, elevada não dá sintomas, mas vai provocando de modo silencioso e progressivo, a morte das células que fazem a receção (captação) do que vemos. As células que morrem não são substituídas e levam progressivamente a perdas de campo visual e, em última instância, à cegueira. Daí a designação de ‘doença silenciosa’.

Quanto mais cedo, melhor

Qualquer pessoa pode desenvolver glaucoma, mas algumas apresentam um risco maior: a existência de história familiar, os diabéticos, as pessoas com espessura de córnea reduzida ou alterações estruturais do nervo ótico, as de raça negra, as medicadas de forma crónica com corticoides.

Como o glaucoma de ângulo aberto é uma doença silenciosa, só é detetado pelos próprios doentes numa fase muita avançada, quando o campo visual fica muito danificado ou mesmo se verifica cegueira de um dos olhos.

O rastreio é o ponto crucial no combate a esta doença.

Se tiver mais de 40 anos de idade ou algum dos fatores de risco descritos, deve fazer um exame oftalmológico cuidadoso e completo, que inclua a observação do disco ótico, medição da pressão intraocular, avaliação do ângulo camerular, que são pontos-chave.
Muitas vezes há necessidade de complementar informação com a realização de campos visuais computorizados, a determinação da espessura da córnea (paquimetria) e análise estrutural do nervo ótico e camada de fibras nervosos (HRT e OCT).

Se não há doença deverá ser realizado novo rastreio um ou dois anos depois; se se suspeita, deve-se manter uma vigilância apertada. Se se confirmar a doença, é necessário iniciar tratamento.

Três formas de tratamento

Essencialmente, existem três tipos de tratamento que têm como objetivo principal baixar a pressão intraocular:

  • a terapêutica médica;
  • o tratamento laser;
  • o tratamento cirúrgico.

Estas formas de tratamento podem ser usadas isoladamente ou em conjunto.
O tratamento inicial do glaucoma de ângulo aberto é o tratamento médico sob a forma de colírios (gotas).

Quando o tratamento médico não é eficaz ou não é tolerado deve fazer-se tratamento cirúrgico e, em casos especiais, laser.

A colocação de gotas pode fazer-se uma ou duas vezes por dia, mas para se obter eficácia no tratamento é fundamental que sejam aplicadas diariamente e respeitando os horários de prescrição. Este rigor é tão importante que é um dos fatores primordiais de controlo da doença.

Para que os horários sejam respeitados, o ideal é que seja o próprio doente o responsável pela sua aplicação, podendo, por vezes, recorrer a ‘auxiliares de memória’ (pôr o telemóvel a despertar, colocar as gotas em local visível, colocar ‘lembretes’, etc.) e não esquecer de levar os colírios quando se ausenta de casa.

Em conjunto com a terapêutica, o doente de glaucoma tem de consultar regularmente o seu oftalmologista e realizar exames auxiliares de diagnóstico (campos visuais e por vezes HRT ou OCT) periódicos, dependendo do estádio ou controlo da doença.

Já o tratamento cirúrgico tem indicações precisas, pois apesar dos riscos inerentes a qualquer ato cirúrgico e de, por vezes, não dispensar totalmente o uso de gotas, a cirurgia é uma arma terapêutica muito importante para o controlo do glaucoma.

Tal como na cirurgia da catarata tem havido avanços de forma a que a técnica cirúrgica praticada seja menos invasiva, mais segura e de recuperação mais rápida (ex.: a esclerectomia profunda).

O glaucoma representa um problema de saúde pública em todo o Mundo, já que é uma das causas mais frequentes de cegueira irreversível, de sintomatologia silenciosa, mas que pode evitar-se.

O menor número de situações graves depende do conhecimento da doença pela população geral, do seu diagnóstico precoce, do entendimento da doença por parte do doente e do cumprimento muito rigoroso da terapêutica.

Os profissionais de saúde ligados à problemática estão empenhados no desenvolvimento de novos meios de diagnóstico, como a monitorização da pressão intraocular/24h00, o desenvolvimento de tratamentos menos dependentes do doente (ex.: colírios administrados semanal ou mensalmente) e ainda o desenvolvimento de outras vertentes da doença, como a neuroprotecção, a consolidação de estudos genéticos e eventual terapêutica genética.

Saiba que: 

  • O glaucoma de ângulo aberto é causado por aumento da pressão intraocular
  • Não dá sintomas, mas as células recetoras da visão morrem, não são substituídas e causam perda progressiva de visão
  • Os diabéticos e que toma corticoides de forma prolongada está mais sujeito ao glaucoma
  • Depois dos 40 anos de idade, o rastreio é fundamental
  • O tratamento tem de ser cumprido com grande rigor


Texto:

Maria da Luz Freitas

Oftalmologia, Hospital da Luz Arrábida

 

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