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Cefaleia de tensão

A cefaleia de tensão é a cefaleia primária mais comum, que quase todas as pessoas, tanto adultos como crianças, têm de vez em quando. As crises podem durar desde cerca de meia hora até vários dias e a sua frequência é variável, tanto de pessoa para pessoa como na mesma pessoa. Podem ser episódicas, ocorrendo pontualmente ao longo do mês, ou crónicas, quando ocorrem mais de 15 dias por mês, enquadrando-se, neste caso, entre as designadas cefaleias crónicas diárias.

A cefaleia de tensão não tem uma causa única. Em alguns casos parece estar relacionada com uma contração dos músculos da cabeça e pescoço que reagem a alterações emocionais (p. ex. ansiedade ou stress de diversas origens) ou físicas (p. ex. falta de repouso, problemas de postura).

Normalmente, a cefaleia de tensão episódica é desencadeada por fadiga, ansiedade, fome ou stress ocasional. A cefaleia de tensão crónica pode ser consequência de diversos problemas, nomeadamente de ansiedade ou depressão.

Na cefaleia de tensão, a dor é bilateral e, além da cabeça, pode atingir a região do pescoço. É uma dor de tipo pressão/peso ou aperto (como se alguma coisa apertasse a cabeça), de intensidade variável e que não se agrava com a atividade física normal. Inicia-se normalmente na região posterior da cabeça e pescoço, atingindo depois outras regiões, com maior intensidade na testa.

A cefaleia de tensão episódica não se acompanha de náuseas e habitualmente é apenas ocasional, sem obedecer a um padrão. Alguns doentes podem ter uma maior sensibilidade à luz e ao ruído quando estão com dor de cabeça.

Na cefaleia de tensão crónica, especialmente quando associada a ansiedade ou a depressão, podem ocorrer alterações dos padrões de sono, a cefaleia pode ocorrer sempre num período específico do dia, e associar tonturas, náuseas, dificuldade de concentração ou fadiga continuada. Quando estes sintomas estão presentes é fundamental procurar cuidados médicos.

A cefaleia de tensão episódica, com crises apenas ocasionais, não requer cuidados médicos e é tratada normalmente com analgésicos comuns de venda livre, como por exemplo o paracetamol, a com a eliminação do fator indutor de stress e/ou com um período de repouso e relaxamento.

Já a cefaleia de tensão crónica, pela sua maior frequência e intensidade, requer uma abordagem médica detalhada para diagnóstico e definição do tratamento, uma vez que é necessário identificar e minorar ou eliminar os fatores desencadeantes e agravantes da cefaleia. Por outro lado, a toma continuada e frequente de analgésicos, na tentativa de tratar cefaleias sucessivas, pode deixar de ter o efeito desejado e conduzir a outro tipo de cefaleia (cefaleia por abuso medicamentoso).

O tratamento farmacológico da cefaleia de tensão crónica tem como objetivo eliminar os sintomas (tratamento sintomático realizado durante as crises) e/ou reduzir a frequência e gravidade das crises, sendo neste caso um tratamento mais prolongado, fora das crises (tratamento profilático).

Além do tratamento farmacológico, a abordagem dos problemas de cefaleia de tensão crónica envolve também outras estratégias, como a identificação e controlo dos fatores que a desencadeiam, a realização de exercícios de relaxamento, a acupunctura e a correção de problemas de postura, entre outros.

 

No diagnóstico e tratamento de cefaleias podem intervir diversos especialistas. A neurologia é uma especialidade com uma intervenção muito importante nesta doença. Conheça os médicos especialistas em neurologia desta unidade da rede Hospital da Luz