22 de junho de 2023 Autor : Ricardo Dourado Leite Este desalinhamento por ocorrer: No eixo horizontal (convergente ou divergente); No eixo vertical; Quadros clínicos mais complexos em que coexistem os vários componentes possíveis. O estrabismo pode ser: Intermitente ou constante; Agudo ou de evolução longa Concomitante, quando o desvio é igual em todas as posições do olhar, ou inconcomitante, por exemplo, o desvio pode ser maior quando o doente fixa mais ao perto do que para longe. O estrabismo pode estar presente ao nascimento (congénito, que não é o mais frequente) ou desenvolver-se mais tarde, desde a infância à idade adulta. As causas, as manifestações clínicas / sintomas, a abordagem terapêutica e o prognóstico são diferentes no estrabismo das crianças e dos adultos. Estrabismo nas crianças O estrabismo das crianças pode ser: Congénito , ou seja, estar presente ao nascimento; Adquirido , que é o mais comum e que muitas vezes está associado a erro refrativo. O estrabismo congénito é mais frequente quando a criança tem doenças neurológicas, sindromáticas ou no caso de prematuridade. O estrabismo pode conduzir a uma diminuição da acuidade visual do olho que desvia de forma mais permanente (por vezes há alternância do olho que desvia e isso é um aspecto positivo), o que se designa de ambliopia estrábica. Nos estrabismos em idade pediátrica devemos quase sempre prevenir ou tratar a ambliopia e operar o estrabismo de seguida. Há tipos de estrabismo que estão relacionados com a existência de graduação que não está corrigida com óculos (estrabismos refrativos) e que desaparecem com a utilização da correção da hipermetropia. Nesses casos, a cirurgia não está indicada. Estrabismo nos adultos Na abordagem do estrabismo na idade adulta, há que distinguir: Casos que têm muito tempo de evolução (frequentemente desde a infância), nos quais o tratamento cirúrgico tem um objetivo estético; Estrabismo que surge apenas nesta faixa etária, que normalmente está associado a problemas sistémicos, como fatores de risco cardiovasculares, tumores ou traumatismos, sendo o objetivo do tratamento minimizar as consequências do estrabismo que nestes contextos leva a visão dupla. Para eliminar este sintoma perturbador, podem ser usadas lentes prismáticas, quando o desvio é pequeno, ou é necessário recorrer a cirurgia nos casos mais graves. Cirurgia do estrabismo A cirurgia de estrabismo é uma cirurgia extraocular : O objeto da intervenção são os músculos que promovem a rotação do globo ocular nas diferentes posições do olhar; Os músculos a intervir variam de acordo com o tipo de estrabismo apresentado e o planeamento deve ser sempre elaborado em consulta pré-operatória; Durante a cirurgia os músculos a intervencionar são enfraquecidos ou fortalecidos por forma a resolver o desequilíbrio oculomotor presente. É cirurgia do estrabismo realizada sob anestesia geral, mas em regime de ambulatório, ou seja, não há necessidade de internamento. O período pós-operatório requer uma a duas semanas de limitação de atividades e aplicação tópica de colírios e pomadas, mas não há necessidade de manter tapado o olho operado. A eficácia do tratamento cirúrgico do estrabismo é muito elevada . Em quase todos os casos, o problema é resolvido com uma única intervenção. Conheça a equipa clínica de oftalmologia da rede Hospital da Luz. Os conteúdos publicados no Guia de Saúde destinam-se ao público em geral e têm apenas finalidade informativa e educativa. Não substituem a avaliação, diagnóstico ou aconselhamento clínico individual por um profissional de saúde. São produzidos ou revistos por médicos e outros profissionais do Hospital da Luz e baseiam-se no conhecimento disponível à data da sua publicação ou última atualização, indicada no início de cada conteúdo.