“Sempre me interessei e dediquei à investigação porque tenho a convicção de que isso me ajuda a ser melhor médica. Obriga a uma auditoria e a um sentido continuado para a educação”, diz a gastrenterologista Marília Cravo . “Não é por acaso que os hospitais que fazem investigação são os melhores. Isso obriga-nos a refletir e a ter uma postura crítica”, corrobora Rui Maio , cirurgião geral e diretor clínico do Hospital da Luz Lisboa. E o seu antecessor nestas funções, o cirurgião cardiotorácico José Roquette, também nunca teve dúvidas: “Achei desde o início que tínhamos de ser diferentes e apostar na investigação”. Estas intervenções foram feitas durante o 5.º Congresso de Investigação do Hospital da Luz , a 15 de maio, que reuniu em Lisboa os profissionais do grupo que têm contribuído com os seus projetos para melhorar os cuidados de saúde prestados aos doentes e especialistas de outras instituições de referência, nacionais e estrangeiras . “Bits, Molecules and Humans” era o tema deste ano, visando refletir sobre “a integração de tecnologia e dados, biologia molecular e prática clínica e o impacto desta combinação em cuidados de saúde”, explica a neurologista Raquel Gil-Gouveia , presidente da Comissão de Investigação do Hospital da Luz. A 30ª empresa que mais investe em I&D em Portugal Francisca Leite, diretora do Hospital da Luz Learning Health, recordou que o Hospital da Luz está hoje no top 5 das instituições de saúde nacionais com maior investimento em Investigação e Desenvolvimento (I&D) , sendo a que mais investe especificamente na área das Ciências da Saúde. E “em termos de investimento nacional total em I&D, em todos os setores, a Luz Saúde é a 30ª empresa” – um percurso notável ao fim de 10 anos de existência do Hospital da Luz Learning Health, a empresa do grupo dedicada a atividades de investigação e inovação. Também o investigador Pedro Simas elogiou o Hospital da Luz Lisboa pela capacidade de se ter tornado um hospital universitário e classificou como “excelente” a relação com a Universidade Católica, que por sua vez ‘obrigou’ ao crescimento do CBR (Católica Biomedical Research Centre). Este “pode ajudar a criar grupos de investigação translacional no grupo Luz Saúde”. Os projetos de investigação promovidos e financiados pelo Hospital da Luz desenvolvem-se em quatro áreas: medicina de precisão, medicina de prevenção e diagnóstico precoce, investigação em outcomes e inovação em tecnologias da saúde (medicina computacional e imagiologia). Um dos painéis do congresso serviu precisamente para fazer um ponto da situação sobre os projetos dos seis grupos que estão atualmente a trabalhar. O auditório ouviu os representantes de cada grupo recordarem como foram criados, o trabalho feito, as experiências de sucesso, as ‘dores de crescimento’ e as necessidades de otimização: Pedro Vilela (grupo Luz Inovation on Neurosciences – Lion), Joana Torres (Grupo de Investigação em Patologia Digestiva Luz Saúde – GENIUS), Hugo Marques (AIRC – Advanced Cardiaca Imaging Research), Jorge Lima (WHALE – Womens’s Health and Maternal Fetal Research Group), Bruno Cardoso (Cardiovascular Research Center) e Jorge Alves Correia (grupo FACe-It - Fight Against Cancer trough Investigation). Ficou patente como há fatores que são fundamentais em investigação – vontade, equipa, tecnologia, financiamento e ambiente motivador – e que estes existem mesmo neste grupo. “Temos hoje aqui um ecossistema muito propício ao ensino e investigação e o objetivo é crescer cada vez mais”, salientou Rui Maio, referindo-se à “atividade assistencial, de grande qualidade e complexa, a formação de mais de 100 médicos internos, as parcerias com universidades para formação de estudantes e o crescimento dos projetos de investigação com capacidade de financiamento externo e competitivo”. Farmacogenómica e IA no cancro O congresso ficou marcado, de resto, por duas conferências de convidados estrangeiros: Adrián Llerena, diretor do Centro de Investigação Clínica do Hospital Universitário da Extremadura e do INUBE (Institute for Biosanitary Research of Extremadura), que liderou em Espanha um projeto pioneiro para integrar a informação genética na prescrição de medicamentos no sistema público de saúde; e Aleksander Bagaev, chief product officer da BostonGene, pioneira no uso de software biomédico e IA para avaliação e estratificação de doentes com cancro, criação de produtos e medicamentos personalizados em oncologia. Os testes de sequenciação genética e a sequenciação de biópsias de tecido e líquidas em doentes com cancro, rumo a uma medicina de precisão, foram os temas trazidos pelos laboratórios Synlab, parceiros da Rede Hospital da Luz. O congresso teve ainda associado um concurso de trabalhos científicos dirigido a profissionais do Grupo. Os vencedores foram José Ferreira Santos – 1.º prémio nos abstracts, com o trabalho intitulado “Large Language Models approach clinician performance in cardiovascular risk stratification: a vignette-based benchmark study” – e Inês Margarido , que recebeu o 1.º prémio nos posters científicos, pelo trabalho intitulado “Predicting efficacy and toxicity of immune checkpoint inhibitors: a role for Interleukin 7”. O Hospital da Luz agradece a todos os participantes, patrocinadores e formadores deste congresso. Juntos, conseguimos fazer mais e melhor investigação centrada nas necessidades dos nossos doentes. O nosso Congresso de Investigação volta em 2027! Na foto em baixo, elementos da comissão organizadora e da comissão científica: Rita Cunha de Eça , Ana Morgadinho , José Luís Passos Coelho , Daniel Beirão , Raquel Gil-Gouveia, Pedro Moraes Sarmento , Nuno André da Silva, Patrícia Patrício , Filipa Malheiro , Joana Bragança, Francisca Leite, Jesús Luque e Joana Torres.