O Hospital da Luz Lisboa passou a dispor de um novo braço robótico de última geração para a realização de biópsias da próstata. Trata-se do primeiro equipamento deste género existente na Península Ibérica e um dos primeiros na Europa, e representa mais um passo na aposta do Hospital em tecnologia destinada não apenas ao tratamento, mas também ao diagnóstico precoce do cancro da próstata com elevada precisão. O equipamento é utilizado na realização de biópsias prostáticas de fusão, um procedimento que combina as imagens de uma ressonância magnética multiparamétrica, realizada previamente, com as imagens de ecografia obtidas em tempo real durante a intervenção. A partir desta combinação, é criado um modelo tridimensional da próstata, no qual são identificadas as lesões suspeitas. O braço robótico ajuda depois o urologista a orientar a agulha na direção e profundidade adequadas, permitindo recolher amostras precisamente nas áreas que necessitam de ser estudadas e, sobretudo, tornando o exame mais rápido, confortável e seguro para o doente, reduzindo ao máximo o risco de infeções. “O cancro da próstata é o cancro mais frequentemente diagnosticado nos homens – só em Portugal, mais de cinco mil diagnósticos por ano – pelo que é fundamental a deteção precoce desta patologia. Quanto mais cedo for diagnosticado, mais fácil é tratar” , afirma Kris Maes , coordenador do Centro de Cirurgia Robótica do Hospital da Luz Lisboa, acrescentando: “Hoje, temos técnicas de tratamento de cancro da próstata, como a cirurgia robótica, que são muito eficazes. Mas o nosso objetivo como médicos é detetar o mais rapidamente possível. E fazendo as biópsias prostáticas com este novo equipamento, conseguimos apontar diretamente até a lesões mínimas, dando-nos um resultado diagnóstico de grande confiança” . Mais precisão no diagnóstico A nova tecnologia permite localizar as lesões suspeitas com uma precisão que pode chegar aos dois milímetros. O sistema compensa também possíveis movimentos ou alterações de posicionamento do doente durante o procedimento, reduzindo a dependência da orientação manual e aumentando a reprodutibilidade da biópsia. “Utilizamos a ressonância magnética como um mapa que nos permite identificar as lesões suspeitas. O sistema está calibrado para dirigir a agulha ao local certo, com uma precisão muito elevada, o que nos dá maior confiança no procedimento e no resultado” , explica o urologista do Hospital da Luz Lisboa João Pina . Além de proporcionar uma orientação mais precisa, o equipamento facilita a aprendizagem e a execução do procedimento, contribuindo para resultados mais consistentes entre diferentes profissionais. Colaboração entre Urologia e Imagiologia O sucesso deste tipo de biópsia depende também da qualidade da ressonância magnética e da correta identificação das lesões. Por esse motivo, o procedimento envolve uma estreita colaboração entre as equipas de Urologia e de Imagiologia do Hospital da Luz Lisboa. Os radiologistas identificam e delimitam as áreas suspeitas na ressonância magnética. Já no bloco operatório, os urologistas realizam uma ecografia tridimensional, e o software faz a fusão das duas imagens, permitindo ao braço robótico localizar os pontos onde deverão ser recolhidas as amostras. “É um trabalho multidisciplinar desde o primeiro momento. A preparação das imagens é realizada pela Imagiologia e a execução da biópsia fica a cargo da Urologia. Esta colaboração é fundamental para conseguirmos localizar corretamente as lesões” , afirma Kris Maes. Maior segurança e conforto para o doente A biópsia é realizada por via transperineal, ou seja, através da pele situada entre o escroto e o ânus. Esta abordagem evita a passagem da agulha através do reto e contribui para reduzir o risco de infeção associado ao procedimento para quase zero. O sistema permite ainda alcançar diferentes zonas da próstata através de um número reduzido de pontos de entrada, procurando diminuir o desconforto e facilitar a recuperação do doente. Com a utilização de ressonâncias magnéticas de elevada qualidade, é também possível selecionar melhor os doentes que necessitam efetivamente de realizar uma biópsia. Quando o procedimento está indicado, a orientação robótica permite aumentar a confiança de que as amostras foram recolhidas nas áreas relevantes. “Quanto mais precisa for a biópsia, maior é a segurança do diagnóstico. Esta tecnologia ajuda-nos a atingir melhor as lesões de pequenas dimensões e pode contribuir para identificar mais precocemente os tumores que necessitam de tratamento” , sublinha aquele responsável. A introdução deste novo braço robótico reforça a estratégia do Hospital da Luz Lisboa de integrar inovação tecnológica em todas as etapas do acompanhamento do cancro da próstata, desde o diagnóstico até às diferentes opções de tratamento. João Pina, urologista do Hospital da Luz Lisboa ‘Com este sistema, tudo está calibrado para conseguirmos dirigir a agulha ao sítio certo e recolher o material para análise do ponto onde efetivamente se encontra a lesão – que nem sempre é visível mesmo com boas imagens da ecografia. Este é, com certeza, o sistema mais preciso que existe, o que nos permite ter a máxima segurança no resultado destas biópsias’ . ‘Este equipamento permite-nos também fazer a biopsia com menos dor para o doente, sendo globalmente mais simples de realizar pelo urologista e com um resultado muito mais preciso, que nos dá total confiança no diagnóstico final’. Kris Maes, urologista, coordenador do Centro de Cirurgia Robótica do Hospital da Luz Lisboa ‘Este é o primeiro robô deste género – para realização de biópsias prostáticas. A dificuldade que tínhamos antes era acertar no local exato das lesões, para conseguirmos fazer a colheita do material para análise. Mesmo tendo melhorado muito, era ainda um procedimento essencialmente ‘manual’. Com este robô automatizamos o caminho até à lesão, tornando o procedimento absolutamente preciso’. ‘O Hospital da Luz Lisboa tem um núcleo de tratamento de cancro de próstata que é dos melhores e maiores do país. Temos todas as ferramentas e podemos realizar todos os tratamentos de cancro da próstata que existem. Mas o nosso investimento vai para além do tratamento. Tem de se investir em melhor e mais eficaz diagnóstico. Foi o que fez o Hospital da Luz Lisboa com a aquisição deste braço robótico para realização de biopsias prostáticas, que nos dá mais confiança no diagnóstico e maior precisão na identificação das lesões’.