Modelo de treino em técnica cirúrgica pediátrica publicado em revista internacional

João Moreira Pinto, cirurgião pediátrico do Hospital da Luz Arrábida e Hospital da Luz Guimarães, é o autor de um artigo publicado no Journal of Laparoendoscopic & Advanced Surgical Techniques, prestigiada revista da especialidade, em que se descreve um modelo de treino para aprendizagem da técnica de correção laparoscópica PIRS (Percutaneous Inguinal Ring Suturing). Trata-se de uma técnica minimamente invasiva que permite corrigir hérnias inguinais em crianças sem deixar cicatriz. 

Entre 1 a 5% das crianças desenvolvem hérnia inguinal, que se caracteriza por uma tumefação dolorosa ao nível da virilha. Dado o risco de complicações – como encarceramento, inflamação, oclusão e isquemia intestinal –, a cirurgia é a opção sempre indicada para tratamento. A correção laparoscópica consiste na introdução de uma ótica/câmara pelo umbigo e encerramento do orifício herniário, sem deixar cicatrizes.

Esta técnica foi introduzida em Portugal há cerca de cinco anos, mas são poucos os hospitais que a utilizam. Além da evidente vantagem estética, a correção laparoscópica é superior à cirurgia aberta por permitir detetar a presença de uma hérnia assintomática/silenciosa do lado contrário ao proposto para cirurgia, evitando uma segunda intervenção. Além disso, a técnica laparoscópica permite reduzir o tempo de anestesia quando a hérnia é bilateral e regista menor número de infeções da ferida operatória e de incidência de atrofia testicular e criptorquidia (testículo subido) após a cirurgia.

Dado o grande interesse da técnica apresentada no artigo, a própria revista classificou-o como de alto impacto, tendo-o colocado até ao final do mês em acesso gratuito.

Ler o artigo ‘Preliminary Assessment of a Dry-Lab Model for Laparoscopic Percutaneous Inguinal Ring Suture Training’