Trabalho do Hospital da Luz publicado no European Journal of Palliative Care

Trabalho do Hospital da Luz publicado no European Journal of Palliative Care

Uma equipa de profissionais do Hospital da Luz Lisboa assina um dos artigos publicados na última edição da revista oficial da Associação Europeia de Cuidados Paliativos.

O European Journal of Palliative Care, revista oficial da Associação Europeia de Cuidados Paliativos, publicou na sua última edição um artigo científico de profissionais do Hospital da Luz Lisboa. No trabalho, que decorre da atividade desenvolvida na Unidade de Cuidados Continuados e Paliativos (UCCP) do Hospital, os autores reveem os fundamentos da organização pelos doentes em fase final de vida do seu ‘legado’ e explicam as suas formas e benefícios a vários níveis, inclusive para os respetivos familiares e cuidadores.

‘Creating a legacy – a tool to support end-of-life patients’ é o título do artigo elaborado por Isabel Galriça Neto, médica coordenadora da UCCP do Hospital da Luz Lisboa, Ana Luísa Gonçalves, Ana Guedes e Rita Santos Silva (enfermeiras), Marta Poveiro e Nuno Pinheiro (psicólogos) e Carolina Vidal (médica de Medicina Interna no Hospital do Divino Espírito Santo em Ponta Delgada e que estagiou na UCCP).

O conceito de ‘legado’ parte do princípio de que a maioria das pessoas deseja sentir que a sua vida teve um significado e que este de alguma forma perdurará – um desejo que se acentua com a proximidade da morte. A organização do ‘legado’, com a orientação dos profissionais de saúde da área dos cuidados paliativos, visa responder a essa necessidade e assume caráter terapêutico. Trata-se de uma prática pouco falada, exige preparação dos profissionais e ainda não é comum nas unidades de cuidados paliativos – como, por exemplo, incentivar e ajudar o doente a reunir numa caixa alguns dos objetos que mais apreciou em vida, a fazer um álbum com as fotografias de maior significado, a escrever uma carta ou a gravar um depoimento em vídeo ou áudio invocando memórias e falando de ideias e pessoas que assumem importância na sua vida.

«Encorajamos as nossas equipas a desenvolverem as atividades necessárias à criação de um ‘legado’ pelos doentes, pois esta prática está claramente em linha com os objetivos dos cuidados paliativos de intervenção global no sofrimento. Além do respetivo impacto psicológico, há cada vez mais evidência de que, ao criar o seu ‘legado’, o doente sente também um alívio nos sintomas físicos da doença, o que também contribui para validar esta prática», concluem os autores no artigo agora publicado no European Journal of Palliative Care.