Unidade de Arritmologia

Diagnóstico e tratamento de arritmias cardíacas

Médicos:
Dr. João Primo, Coordenador
Dra. Helena Gonçalves
Dr. Marco Oliveira
Dr. Sérgio Barra

Podem ser indicações para observação em consulta de arritmologia as seguintes:

  • Sintomatologia sugestiva de arritmia cardíaca, por exemplo:
    - Palpitações ou sensação de batimento cardíaco rápido e/ou irregular
    - Tonturas repentinas ou perda súbita de consciência
    - Dor torácica (tipo aperto, peso ou ardor) e/ou dificuldade respiratória de início súbito e com duração superior a apenas alguns segundos
  • Documentação de arritmia em eletrocardiograma basal, Holter 24 h ou dispositivo de monitorização prolongada
  • Tendência para frequências cardíacas baixas (< 50 bpm) em associação com sintomas de cansaço, tolerância ao esforço reduzida, tonturas ou desmaio
  • História de fibrilhação auricular com sintomas persistentes apesar de tratamento com fármacos
  • Doente portador de pacemaker com necessidade de avaliação do dispositivo
  • Doente com cardiopatia genética

Factores de risco

Alguns fatores podem aumentar o risco de desenvolver uma arritmia. Entre estes incluem-se história de:
- Doença coronária
- Insuficiência cardíaca
- Cirurgia cardíaca prévia
- Hipertensão arterial
- Diabetes mellitus
- Cardiopatia congénita
- Apneia de sono
- Doença pulmonar
- Patologia da tiroide.

O consumo excessivo de álcool, café ou nicotina, bem como determinados fármacos e oscilações nos niveis séricos de potássio ou magnésio podem também aumentar o risco de desenvolver arritmia.
Algumas arritmias apresentam uma componente genética importante. No entanto, é importante referir que algumas pessoas podem apresentar arritmia mesmo na ausência de qualquer fator de risco conhecido.

Tipos de arritmia

As arritmias dividem-se em dois grandes grupos:
- As que são caracterizadas por taquicardia, ou seja, frequências cardíacas elevadas;
- As que são caracterizadas por bradicardia, ou seja, frequências cardíacas baixas.

No entanto, a presença de taquicardia ou bradicardia por si só não implica necessariamente a presença de uma arritmia.

As arritmias são também classificadas de acordo com a região de origem no coração: as aurículas ou os ventrículos.

No grupo das arritmias com origem nas aurículas incluem-se:
- Fibrilhação e flutter auriculares,
-Taquicardia supraventricular,
- Síndrome de Wolff-Parkinson-White.

No grupo das arritmias com origem nos ventrículos incluem-se:

- Taquicardia ventricular,
- Extrassistolia ventricular frequente.

Exames e tratamentos da área da arritmologia

  • Estudo eletrofisiológico - Exame diagnóstico realizado em doentes com história clínica sugestiva de arritmia cardíaca ou documentação prévia de arritmia em eletrocardiograma
  • Ablação por cateter – Tratamento invasivo de arritmias cardíacas, incluindo a fibrilhação auricular, a taquicardia supraventricular e extrassistolia ventricular frequente
  • Implantação de pacemaker – Tratamento indicado em doentes com frequências cardíacas baixas associadas a sintomas como cansaço fácil, reduzida tolerância ao esforço, tonturas ou desmaio
  • Implantação de dispositivo de ressincronização cardíaca – Tratamento indicado em doentes seleccionados com insuficiência cardíaca
  • Implantação de cardioversor-desfibrilhador – Tratamento indicado para prevenção de morte súbita em casos selecionados em contexto de insuficiência cardíaca, doença cardíaca genética ou pós-enfarte agudo do miocárdico
  • Cardioversão elétrica – Procedimento em que um choque elétrico é aplicado ao coração de modo a interromper um ritmo cardíaco rápido ou irregular
  • Holter contínuo de uma semana – Exame diagnóstico não-invasivo caracterizado pela monitorização eletrocardiográfica contínua durante período de uma semana, utilizado no diagnóstico ou rastreio de arritmias cardíacas intermitentes
  • Interrogação/avaliação de pacemaker/desfibrilhador – Consulta de follow-up após implantação de dispositivo cardíaco

Laboratório de Eletrofisiologia 

No laboratório de eletrofisiologia são realizados os tratamentos invasivos de arritmias cardíacas. Este laboratório do Hospital da Luz Arrábida está equipado com sistemas de fluoroscopia e mapeamento tridimensionais de última geração.

Os procedimentos habitualmente realizados no laboratório de eletrofisiologia incluem:

- Estudo eletrofisiológico diagnóstico,
- Ablação de filbrilhação, flutter ou taquicardia auriculares,
- Ablação de taquicardia supraventricular,
- Ablação de extrassistolia ventricular frequente,
- Implantação de dispositivos cardíacos incluindo pacemakers, dispositivos de ressincronização cardíaca e cardioversores-desfibrilhadores.

Ablação por cateter da fibrilhação auricular 

A fibrilhação auricular é a arritmia “crónica” mais prevalente. Trata-se de uma condição progressiva na qual as cavidades cardíacas superiores contraem de forma irregular e ineficaz. Não tem cura, mas os tratamentos actuais são eficazes no seu controlo na maioria dos casos. Associa-se habitualmente a sintomas como cansaço, dificuldade respiratória, palpitações, intolerância ao esforço ou desconforto torácico, embora possa ser assintomática em alguns doentes. A sua deteção é crucial, uma vez que se associa a aumento do risco de acidente vascular cerebral, insuficiência cardíaca e mortalidade quando não tratada. O tratamento por ablação com cateter é o mais eficaz para o controlo desta doença, o atraso da sua progressão e a prevenção de algumas das suas complicações. Em alternativa, particularmente nos casos em que a doença é assintomática ou muito pouco sintomática, o tratamento pode ser feito com fármacos. Independentemente da estratégia de controlo de ritmo, a maioria dos doentes com fibrilhação auricular deve ser hipocoagulada