6 de março de 2019 Atualmente o cancro da mama atinge 1 em cada 10 mulheres. No entanto, como demonstram os resultados dos programas de rastreio, a maioria dos cancros da mama diagnosticados precocemente, podem ser tratados com sucesso. Em cerca de 80% dos casos, o cancro da mama é diagnosticado depois dos 50 anos. Qual é o peso dos factores genéticos no cancro da mama e ovário? Atendendo à elevada frequência do cancro da mama, não é de estranhar que na maioria das famílias ocorram 1 ou mais casos. Esses cancros são quase sempre esporádicos e multifatoriais, ou seja, o seu aparecimento e evolução dependem de uma combinação de fatores: Hormonais; Reprodutivos; Genéticos; Ambientais; Relacionados com o estilo de vida; Outros ainda desconhecidos. O peso dos fatores genéticos é tanto mais elevado quanto: Maior for o número de familiares afetados no mesmo ramo da família (materno ou paterno); Menor for a idade em que é feito o diagnóstico; Mais próximo for o grau de parentesco; Existirem casos de cancro da mama bilateral, cancro da mama em homens ou cancro da mama e cancro do ovário na mesma família. Em casos raros, que correspondem a menos de 5% do total, o cancro da mama resulta da existência de um erro num gene predisponente. Esse erro pode ser transmitido de geração em geração, conferindo às mulheres que o herdam, um risco muito aumentado de vir a ter cancro da mama. Além do cancro da mama, a presença de um erro num gene predisponente aumenta também a probabilidade de cancro do ovário. Estes erros podem ser detetados através de um teste genético. No entanto, tais testes só se justificam num número reduzido de casos, em que a história familiar é muito carregada. Na maioria das situações, os cancros da mama em famílias com vários casos não são hereditários, embora possam traduzir uma suscetibilidade genética aumentada. A probabilidade de uma mulher que tem vários familiares com cancro da mama vir a desenvolver a doença pode ser calculada com base em dados estatísticos. Quando este risco calculado é elevado, justifica-se a adoção de medidas especiais de vigilância e/ou prevenção. Este artigo foi escrito com o apoio dos médicos e outros profissionais clínicos da Rede Hospital da Luz. Os conteúdos publicados no Guia de Saúde destinam-se ao público em geral e têm apenas finalidade informativa e educativa. Não substituem a avaliação, diagnóstico ou aconselhamento clínico individual por um profissional de saúde. São produzidos ou revistos por médicos e outros profissionais do Hospital da Luz e baseiam-se no conhecimento disponível à data da sua publicação ou última atualização, indicada no início de cada conteúdo.