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Alergia a pólenes: prevenção e tratamento

Quem sofre de alergias reage anormalmente a estímulos, nomeadamente ambientais, alimentares, medicamentosos e picadas de insetos, entre outros. Verifica-se, nestes casos, um desvio imunológico, em que a hereditariedade é também determinante. As alterações imunológicas são desencadeadas por proteínas específicas, chamadas alergénios, que levam ao aparecimento de sintomas em órgãos específicos, muitas vezes em simultâneo.

No caso da alergia a pólenes, são sobretudo os aparelhos respiratório (superior e inferior), ocular e a pele os mais afetados. A qualidade de vida dos doentes depende muitas vezes da forma como é feito o diagnóstico e a prevenção, através da educação e informação, e pela implementação de uma terapêutica adequada em cada caso.

Na Primavera, as alergias mais frequentemente desencadeadas pelos pólenes são a rinite (também chamada febre dos fenos), a conjuntivite, a asma brônquica e o eczema atópico.

Os pólenes são muitas vezes transportados pelo vento e levados a quilómetros de distância. O componente proteico que desencadeia estas reações alérgicas está dentro dos grãos de pólen que se libertam quando entram em contacto com as mucosas nasal, ocular, brônquica ou a pele.

A maioria dos pólenes tem um tamanho microscópico, compreendido entre 8 e 10 micrómetros (8 a 10 milésimos de milímetro). Acima deste tamanho não entram na árvore brônquica. Os pólenes mais frequentes em Portugal são os das gramíneas (que se encontram sobretudo nos jardins com relva e nos descampados), os das árvores e os das flores. Por vezes, podemos encontrar alguns de maior volume que se soltam das árvores, embora a grande maioria não seja visível. A sua concentração é maior em dias de sol e/ou calor e vento, tanto na Primavera como no Verão.

Prevenção

Para implementar medidas de prevenção é necessário, em primeiro lugar, saber quais os pólenes que causam alergia ao doente. No entanto, há medidas genéricas que se adequam a todos os doentes, tais como:

  • Evitar andar ao ar livre na época de maior concentração de pólenes;
  • Evitar passar por zonas como jardins com relva e muito arvoredo;
  • Mudar de roupa ao chegar a casa, tomar banho e lavar a cabeça antes de se deitar;
  • Manter em casa as janelas e portas fechadas durante o dia;
  • Viajar com as janelas do automóvel fechadas e utilizar ar condicionado com filtros para pólenes;
  • Usar óculos escuros;
  • Não cortar a relva.

As alergias a pólenes são sazonais e condicionadas à meteorologia. Aconselha-se a consulta regular do Boletim Polínico da Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica que fornece, semanalmente, a concentração de pólenes por região.

Diagnóstico e tratamento

O diagnóstico das alergias vai desde os testes cutâneos alergológicos, aos laboratoriais e, no caso da asma, ao estudo da função respiratória.

No período pré-sazonal, quem sofre de alergias deve consultar o seu médico assistente e, se necessário, o imunoalergologista.

Há tratamentos preventivos, durante a época polínica, que poderão ser anti-histamínicos, antiasmáticos e corticoides, entre outros, bem como tratamentos locais para órgãos específicos, como o nariz, olhos ou pele. 

As vacinas de dessensibilização alérgica podem ter uma importância fundamental no tratamento prolongado de prevenção (3 a 5 anos). Cada tratamento é, pois, específico mas há terapêuticas genéricas que podem ser aconselhadas por especialistas em cada área.

Estima-se que na Europa haja cerca de 40% de doentes alérgicos e que em Portugal haja cerca de 30% de doentes com rinite alérgica, entre 6 e 10% com conjuntivites e eczema atópico e ainda 10% que já tiveram, pelo menos, uma crise de asma.

Portugal é um dos países da Europa em que a especialidade médica de imunoalergologia é reconhecida após cinco anos de treino profissional. Temos pois a garantia das melhores práticas clinicas no apoio ao doente alérgico de qualquer idade, bem como na formação de técnicos de saúde dedicados a esta área.

 

José Rosado Pinto

Imunoalergologia, Hospital da Luz

Coordenador do Serviço de Imunoalergologia do Hospital da Luz Lisboa

 

Nos hospitais e clínicas da rede Hospital da Luz, pode encontrar médicos especialistas em doenças alérgicas e realizar os exames que sejam necessários para a sua situação. Conheça os médicos imunoalergologistas desta unidade da rede Hospital da Luz.