Isabel Vaz defende diversidade de género na liderança empresarial

«É um dever da gestão de topo garantir o desenvolvimento de uma cultura de meritocracia e igualdade de oportunidades à partida para todos os seus colaboradores, respeitando a sua individualidade, e através da implementação de incentivos claros no terreno para que isso aconteça de facto». 

Isabel Vaz, CEO da Luz Saúde, resume assim a sua posição sobre a promoção do equilíbrio de género na liderança empresarial, acrescentando: «A diversidade de género na liderança a todos os níveis de uma organização traduz-se comprovadamente em melhores resultados e em maior valor das empresas».

O tema foi debatido na conferência Leading Together, realizada em finais de fevereiro em Lisboa e promovida pela Associação dos Antigos Alunos do INSEAD em Portugal, em parceria com a McKinsey & Company, onde Isabel Vaz foi uma das convidadas ao lado de Ana Marques, administradora executiva da NOS, Sofia Tenreiro, general manager da Cisco Portugal, e António Mexia, CEO do Grupo EDP. 

Nesta conferência, pretexto para a apresentação de um estudo com o retrato do país nesta matéria, foram discutidas questões relacionadas com a necessidade de políticas corporativas de equilíbrio de género; as práticas empresariais em Portugal e a necessidade de mudança no sentido da igualdade de género; e a experiência de alguns dos gestores presentes, quer em relação à sua própria carreira, quer no que diz respeito aos resultados de incentivos que tenham criado neste sentido dentro das suas próprias empresas. 

A este propósito, Isabel Vaz explicou que só é possível atingir este equilíbrio se houver paridade de facto entre homens e mulheres «a todos os níveis» das estruturas empresariais, respeitando as expectativas individuais e criando condições para a sua concretização.

O estudo da consultora McKinsey revela, entre outros aspetos, que as mulheres representam apenas 13% dos conselhos de administração das empresas e 12% das comissões executivas em Portugal, apesar de estar provado que as empresas com maior peso feminino nas respetivas lideranças têm um melhor desempenho. 

No mesmo estudo, diz-se ainda que os países com melhores percentagens de liderança feminina atingem esses indicadores por diversas vias – práticas empresariais orientadas para esse objetivo, iniciativas legislativas como a imposição de quotas ou políticas de incentivos –, não havendo uma fórmula única para se ter sucesso nesta matéria.

Por fim, o estudo indica ainda que as empresas portuguesas começam agora a ganhar consciência desta situação e a tomar iniciativas para promover este equilíbrio de género. Conclui-se, porém, que muito há ainda a fazer neste domínio em Portugal.

Luz Saúde: mulheres em 40% de lugares de liderança

No Dia Internacional da Mulher, que hoje se celebra, saiba que 40% dos lugares de liderança intermédia do Grupo Luz Saúde são exercidos por mulheres, revelando uma média muito acima da nacional. E é uma das poucas empresas cotadas em bolsa com uma CEO. 

O retrato do Portugal empresarial é bem diferente: as mulheres são a maioria à saída das universidades (58%) e à entrada das empresas, mas os números invertem a favor dos homens à medida que se sobe na hierarquia: só 8% estão em Comissões Executivas e só 6% chegam à presidência.

A diversidade de género gera inúmeros benefícios para as organizações, incluindo níveis mais altos de criatividade e inovação, maior satisfação do cliente, melhores decisões de investimento e maior desempenho.