Luísa Teles: ‘O autismo é uma doença complexa, mas há esperança’

«O autismo é uma doença complexa, mas há esperança», salientou Luísa Teles, coordenadora do Centro de Neurodesenvolvimento e Comportamento da Criança e do Adolescente do Hospital da Luz Lisboa, durante a sua intervenção no programa de Cristina Ferreira de 25 de fevereiro, na SIC. A médica pediatra foi convidada para falar de autismo, num painel que integrou duas mães que têm filhos com esta doença, hoje já adultos.

«Muitas vezes, os pais chegam às consultas completamente perdidos», corroborou a médica especialista em pediatria do desenvolvimento, depois de estas mães recordarem como se aperceberam de comportamentos estranhos dos filhos, por volta dos dois anos – como gritos, uma regressão muito grande na fala e tendência para o isolamento. «O autismo é de longe a perturbação do neurodesenvolviemnto mais complexa e heterogénea. Atualmente, define-se com base num conjunto de critérios que integram alterações e dificuldades da interação social e comportamentos restritos e repetitivos, com ou sem questões sensoriais. E quando a criança não tem autonomia para aprender a ler ou a cuidar de si própria, isto não é só autismo, mas sim autismo e dificuldades intelectuais», explicou ainda.

«Os pais têm uma reação ambivalente: sentem que há algo diferente no seu filho, mas precisam do seu tempo próprio para o reconhecer», salientou Luísa Teles, fazendo questão de frisar qual é o papel dos médicos: «No caminho a percorrer, os médicos são parceiros. Com os pais e os técnicos, fazemos uma mesma equipa que tem de trabalhar a uma só voz e em prol do interesse superior da criança e da família. A isto chama-se cuidar. E cuidar significa cuidar com amor».

Veja aqui a participação no programa (a partir do minuto 6)