A pandemia por COVID-19 tem vindo a afetar a nossa vida nas suas mais variadas facetas. Passado pouco mais de um ano, muito falta ainda saber sobre as consequências da infeção a longo prazo. Sabe-se já que a saúde sexual não saiu ilesa e a ligação entre a infeção pelo SARS-CoV-2 e a disfunção erétil é atualmente uma área de estudo importante. Os efeitos da COVID-19 na saúde sexual parecem ser desencadeados tanto por causas psicológicas como por causas orgânicas , estas em homens que estiveram infetados. Causas psicológicas Algumas medidas tomadas para proteger a população da COVID-19, como os períodos de confinamento e de isolamento social, levaram a instabilidade económica para muitas famílias e tiveram um forte impacto na saúde física e mental. A saúde mental e a atividade sexual estão muito relacionadas. O aumento do stress e da ansiedade e o humor deprimido são fatores precipitantes para a disfunção sexual, seja ao nível da líbido no casal, seja como desencadeantes de disfunção erétil e/ou ejaculatória. Causas orgânicas A causas orgânicas da disfunção erétil depois da COVID-19 não estão ainda completamente esclarecidas . Em muitos casos a disfunção erétil tem acontecido bastante tempo depois da recuperação da infeção aguda. A função erétil é um indicador da saúde global e, em particular, da saúde vascular . Partilha com as doenças cardiovasculares vários fatores de risco. Embora os pulmões sejam os órgãos principalmente atingidos pela COVID-19, com implicações importantes nos níveis de oxigénio, também o sistema cardiovascular é afetado globalmente . O revestimento interno dos vasos sanguíneos (endotélio) é atingido, o que pode afetar as características do fluxo de sangue, incluindo ao nível do pénis, interferindo com a função erétil; Há também evidência de efeitos diretos da COVID-19 nos testículos, com alterações da produção de testosterona (hipogonadismo). Não se sabe ainda se a disfunção erétil consequente à COVID-19 é um efeito a curto ou longo prazo , ou se há implicações para a fertilidade. Estima-se que os homens que tiveram COVID-19 tenham um risco de disfunção erétil seis vezes superior aos que não contraíram a doença. A disfunção erétil é habitualmente sintoma de outro problema de saúde. As múltiplas consequências da COVID-19 e os períodos prolongados até atingir uma recuperação completa da saúde são uma preocupação no que refere ao possível desenvolvimento de disfunção erétil. Ainda, pela partilha de fatores de risco, os homens com disfunção erétil têm um risco cinco vezes superiores de complicações graves na COVID-19 comparativamente aos que não têm disfunção erétil. É conhecida a importância de uma vida sexual plena para a nossa qualidade de vida, bem-estar e saúde global. Está também demonstrado o benefício da atividade sexual na saúde cardiovascular e no sistema imunitário, bem como na prevenção de distúrbios cognitivos e depressão. Procurar cuidados médicos quando há alterações da função erétil, especialmente depois de ter tido COVID-19, é fundamental para corrigir atempadamente os fatores de risco e implementar precocemente um tratamento eficaz . Autor : Nuno Tomada Marques Conheça a equipa de urologia da rede Hospital da Luz. Os conteúdos publicados no Guia de Saúde destinam-se ao público em geral e têm apenas finalidade informativa e educativa. Não substituem a avaliação, diagnóstico ou aconselhamento clínico individual por um profissional de saúde. São produzidos ou revistos por médicos e outros profissionais do Hospital da Luz e baseiam-se no conhecimento disponível à data da sua publicação ou última atualização, indicada no início de cada conteúdo.