22 de outubro de 2021 Autor : Pedro Pinto de Sousa A doença venosa crónica tem uma elevada prevalência na população adulta e está associada a uma perda significativa da qualidade de vida dos doentes. A sua apresentação inicial na forma de telangiectasias ou veias reticulares ronda os 80%; A fase clínica seguinte, sob a forma de varizes tem uma prevalência de 20%-64%. A presença de varizes está muitas vezes relacionada com a insuficiência da veia grande ou pequena safena. Tradicionalmente, a sua correção por cirurgia convencional consistia na laqueação ao nível da junção safeno-femoral ou safeno-poplítea e sua exérese recorrendo ao método de stripping . Nos últimos anos foram desenvolvidas novas técnicas endovenosas, popularmente conhecidas como técnicas minimamente invasivas . Entre estas, destaca-se a ablação por radiofrequência . Ablação por radiofrequência Este procedimento tem uma taxa de sucesso elevada . Estão descritas taxas de persistência de oclusão de veia safena que poderão atingir os 95% aos 3-5 anos após o tratamento Quando comparada com a técnica cirúrgica tradicional, a ablação por radiofrequência no tratamento da insuficiência da veia safena permite atingir valores comparáveis no que se refere a: Segurança; Eficácia; Taxa de recorrência. Contudo, há vantagens relativamente à cirurgia convencional: A taxa de neovascularização a nível inguinal é menor uma vez que na ablação por radiofrequência deixa de ser necessária a abordagem cirúrgica a esse nível; Evitam-se também complicações associadas à ferida operatória, por exemplo hematomas ou infeção; Em geral, no pós-operatório há menos dor, edema e equimoses. Assim, na Doença venosa crónica, particularmente no caso do tratamento da veia grande ou pequena safena, a ablação por radiofrequência traduz-se em : Recuperação mais rápida; Retorno mais precoce às atividades de vida diária; Menos absentismo laboral. Os doentes tratados com recurso a radiofrequência, apresentam iguais ou melhores resultados quando são avaliados parâmetros de qualidade de vida pós intervenção. Por estas razões, a Sociedade Europeia de Angiologia e Cirurgia Vascular referiu nas suas últimas G uidelines , ou linhas orientadoras, em 2015, que para os doentes com sintomas e sinais de doença venosa crónica, o tratamento do refluxo da veia grande safena deve ser feito, preferencialmente, com recurso a técnicas endovenosas de ablação térmica em detrimento da cirurgia convencional. Conheça a equipa de cirurgia vascular e faça a marcação da sua consulta . Os conteúdos publicados no Guia de Saúde destinam-se ao público em geral e têm apenas finalidade informativa e educativa. Não substituem a avaliação, diagnóstico ou aconselhamento clínico individual por um profissional de saúde. São produzidos ou revistos por médicos e outros profissionais do Hospital da Luz e baseiam-se no conhecimento disponível à data da sua publicação ou última atualização, indicada no início de cada conteúdo.