Atualização | 3 de outubro de 2024 Autor : José Ferro Estima-se que ocorram 25 mil novos acidentes vasculares cerebrais por ano em Portugal , o que se traduz em, aproximadamente, 70 novos casos por dia. Destes 25 mil casos, 10% virão a falecer na sequência do acidente vascular cerebral e 35% ficarão dependentes de terceiros para as suas atividades básicas: comer, vestir-se ou tomar banho. O que é um acidente vascular cerebral (AVC)? O acidente vascular cerebral (AVC) resulta de diferentes fenómenos que afetam a circulação cerebral, provocando alteração do funcionamento cerebral, seja por: Obstrução do fluxo sanguíneo (AVC isquémico); Rutura de uma artéria intracraniana (AVC hemorrágico). Perante este grave problema de saúde pública, como podemos proteger-nos? Todos deveremos saber como detetar e tratar os fatores de risco. Devemos realizar periodicamente uma avaliação médica, que incluirá a deteção e a vigilância de características individuais, chamadas fatores de risco, que podem aumentar a probabilidade de vir a sofrer um AVC. Quais são os fatores de risco para o AVC? Os principais fatores de risco são: Hipertensão arterial ; Tabagismo; Diabetes; Dislipidemia (colesterol elevado); Excesso de peso; Sedentarismo Consumo excessivo de bebidas alcoólicas; Fibrilhação auricular (arritmia cardíaca); Apneia do sono. Estes fatores são atualmente corrigíveis com mudanças de hábitos e com medicamentos. Devemos, por isso, adotar estilos de vida saudáveis como forma de prevenção: Fazer exercício físico regular; Deixar de fumar ; Limitar as bebidas alcoólicas; Ter uma alimentação equilibrada e saudável. Quais são os sinais de aviso de um AVC? O AVC pode dar sintomas muito diversos, dependendo da zona do cérebro atingida. No entanto, os sintomas mais frequentes e que devem ser ensinados como sendo típicos de um AVC são: Assimetria facial (boca ao lado); Dificuldade em falar; Falta de força num braço. Como reagir perante os sinais de AVC? Na suspeita de AVC deve telefonar-se imediatamente para o 112 , a fim de ativar a Via Verde do AVC. Os doentes com suspeita de AVC serão transportados, sem demora, para o centro médico mais próximo que tenha uma unidade de AVC com capacidade para realizar os tratamentos adequados, nomeadamente trombectomia mecânica. O que não deve fazer é ficar à espera que os sintomas passem ou chamar o médico a casa. Existe tratamento para o AVC? É fundamental o internamento precoce, não só para diminuir o risco de complicações do próprio AVC, como para determinar a causa do mesmo , permitindo assim o seu tratamento adequado e redução do risco de recorrência. Existem atualmente tratamentos emergentes para o tipo de AVC mais comum, o AVC isquémico . Um desses tratamentos, designado por trombólise endovenosa , deve ser efetuado nas primeiras quatro horas e meia após o início dos sintomas. O tratamento consiste na administração endovenosa (ou intravenosa) de um medicamento que irá tentar dissolver o coágulo que obstruiu uma artéria cerebral, causando o AVC. De acordo com as características do AVC, em casos selecionados, pode ser tentada outra forma de tratamento, a trombectomia mecânica , que deve ser realiza o mais precocemente possivel, até às 24 horas após início dos sintomas. A trombectomia mecânica consiste na tentativa de remoção do coágulo com um cateter. Durante o internamento é boa prática realizar vários exames ao aparelho circulatório assim que possível, recorrendo a técnicas de neurossonologia (por exemplo, Doppler transcraniano, ecodoppler dos eixos carotídeos e vertebrais), cardiologia (por exemplo, Holter, ecocardiograma), e neurorradiologia (por exemplo, ressonância magnética crânio angiografia arterial). Em situações especiais, poderá ser necessário realizar alguns exames e/ou intervenções mais complexos. No internamento é de imediato iniciado um programa de reabilitação de forma a minimizar o impacto dos sintomas causados pelo AVC. Como evitar um novo AVC? Na consulta pós-AVC faz-se a monitorização clínica e vigilância dos vários fatores de risco relevantes em cada caso. Para isso, fazem-se alguns exames , de periodicidade variável caso a caso, incluindo a nálises de sangue, exames cardíacos e exames de imagem vascular e cerebral . A grande maioria dos doentes com AVC necessita de fazer medicação preventiva para toda a vida, geralmente com fármacos antiagregantes ou anticoagulantes , além das modificações de estilo de vida e necessário controlo farmacológico dos fatores de risco vascular. Na consulta de seguimento são também abordados outros aspetos clínicos como os sintomas de depressão e ansiedade, comuns nas pessoas que sofreram AVC, assim como são dadas orientações para adaptação e reaquisição de autonomia e funcionalidade após o AVC . Conheça a equipa de neurologia da rede Hospital da Luz e faça a sua marcação . Os conteúdos publicados no Guia de Saúde destinam-se ao público em geral e têm apenas finalidade informativa e educativa. Não substituem a avaliação, diagnóstico ou aconselhamento clínico individual por um profissional de saúde. São produzidos ou revistos por médicos e outros profissionais do Hospital da Luz e baseiam-se no conhecimento disponível à data da sua publicação ou última atualização, indicada no início de cada conteúdo.