21 de fevereiro de 2020 Por estar grávida, é importante o controlo da doença alérgica? A gravidez é um período da vida da mulher em que ocorrem inúmeras alterações hormonais . Estas alterações podem interferir com o controlo de uma doença de base preexistente à conceção, ou até mesmo despoletar o aparecimento de novas doenças . Este paradigma pode também ser aplicado nas doenças alérgicas durante a gravidez . É recomendável que a mulher com alergia tenha a sua doença controlada durante a gravidez . Assim, serão prevenidas complicações indesejáveis e evitáveis, tanto para ela como para o seu filho. O mau controlo pode aumentar o risco de complicações na gravidez e no parto e, inclusivamente, ter impacto na saúde do feto. A grávida com doença alérgica deve manter a sua terapêutica de manutenção para o controlo da sua doença, desde que devidamente aconselhada e acompanhada pelo seu médico assistente . No caso da grávida, a abordagem médica é por vezes multidisciplinar , envolvendo o médico de medicina geral e familiar e/ou o obstetra e o imunoalergologista. Uma doença alérgica não controlada, seja ela asma, rinite, urticária ou outra, representa um risco maior para o feto e para a mãe, do que o risco associado a uma medicação anti-alérgica regular. Asma e gravidez A asma pode agravar , melhorar ou manter as suas características de sintomatologia e gravidade , durante a gravidez . O agravamento da asma durante a gravidez relaciona-se frequentemente com o facto de a doença estar previamente mal controlada (antes da gestação) mas também com a possível interrupção da medicação de controlo com o início da gravidez (por exemplo, medicação inalatória diária). É importante ressalvar que a asma não deve ser nunca vista como uma limitação ou contraindicação para a gravidez , mesmo sendo grave, uma vez que com as terapêuticas atualmente disponíveis é possível obter um bom controlo da doença e uma boa evolução do feto. Qual o tratamento mais adequado para a asma numa grávida? A estratégia terapêutica mais adequada deve ser avaliada pelo médico assistente em conjunto com o imunoalergologista , de forma a evitar agudizações, tendo em conta que existem atualmente fármacos considerados seguros e eficazes durante a gestação. As medidas de evicção dos alergénios implicados devem ser implementadas de forma o mais eficaz possível também. A asmática grávida deve ser acompanhada o mais regularmente possível durante a gravidez , garantindo um bom controlo da doença e subsequentemente uma estabilidade a nível do desenvolvimento fetal. Rinite e gravidez A presença de rinite alérgica na grávida é muito frequente , dada a prevalência desta doença alérgica na população em geral. No entanto, na grávida há um edema da mucosa nasal e alterações hormonais que poderão influenciar o controlo da rinite alérgica pré-existente , muitas vezes condicionando obstrução nasal. Qual o tratamento mais adequado para a rinite numa grávida? Também no caso de rinite é importante manter a estabilidade evitando sintomas , tendo em conta a medicação adequada e passível de ser feita durante a gestação. Incluem-se, por exemplo, alguns anti-histamínicos e corticoides nasais que são seguros e podem estar indicados pelo seu médico assistente . Se sou alérgica devo ser observada em consulta de imunoalergologia antes de engravidar? As mulheres com doença alérgica, suspeita ou confirmada, devem ser observadas em consulta de imunoalergologia para eventual estudo de alergia , incluindo, por exemplo, testes cutâneos por picada, provas de provocação ou outros exames necessários para confirmação do diagnóstico ou estudo da doença alergológica em causa. Muitas vezes torna-se importante a exclusão de alergia a medicamentos ou anestésicos , que podem vir a ser necessários durante a gravidez e/ou parto. A avaliação da medicação habitual antialérgica é fundamental , para que se possam fazer alterações / ajustes tendo em conta os fármacos recomendados como seguros no período gestacional e puerpério. Os autores deste texto são os seguintes médicos imunoalergologistas da rede Hospital da Luz: Luís Miguel Borrego, Ana Morais Mendes, Ana Reis Ferreira, Andreia Ferrão, Carlos Braga, Cristina Lopes, Diana Pereira da Silva, Filipa Semedo, Isabel Costa Silva, João Gaspar Marques, Pedro Carreiro Martins, Marta Salgado, Nuno Sousa, Rosa Anita Fernandes, Susana Piedade Os conteúdos publicados no Guia de Saúde destinam-se ao público em geral e têm apenas finalidade informativa e educativa. Não substituem a avaliação, diagnóstico ou aconselhamento clínico individual por um profissional de saúde. São produzidos ou revistos por médicos e outros profissionais do Hospital da Luz e baseiam-se no conhecimento disponível à data da sua publicação ou última atualização, indicada no início de cada conteúdo.