23 de junho de 2021 Autor : Vasco Vieira Serrão A alopecia androgénica ou calvície é muito frequente, é a queda de cabelo mais comum, tanto nos homens como nas mulheres. Pode afetar até: 80% dos homens; 40% das mulheres. Embora tenham um padrão e evolução diferente, as alopecias androgénicas masculina e feminina têm uma causa comum : Alguns folículos pilosos respondem aos androgénios (hormonas) com atrofia progressiva. Esta reflete-se numa fase de crescimento (anagénese) mais curta e numa redução também progressiva da espessura e dimensão dos fios de cabelo, até eventualmente caírem; A resposta dos folículos pilosos aos androgénios é determinada geneticamente, mas a forma exata como a história familiar determina a alopecia androgénica não está completamente esclarecida. Foi identificada a enzima responsável (5α-redutase), e existem medicamentos específicos para reduzir a sua atividade. A idade de início, a rapidez da evolução e a extensão da alopecia é variável, dependendo da distribuição dos folículos suscetíveis (genética) e de fatores hormonais. Alopecia androgénica masculina No homem o padrão da calvície é muito característico: Inicia-se geralmente na área de implantação do cabelo, as chamadas “entradas”, e no vertex (alto da cabeça); Pode estabilizar e ficar localizada apenas nestas áreas, mas em muitos homens evolui atingindo todo o topo da cabeça. A presença de cabelos com comprimentos e texturas diferentes nas áreas afetadas é característica da alopecia androgénica masculina . Alopecia androgénica feminina Na mulher há uma redução difusa da massa capilar na área no topo da cabeça, sem ficarem áreas completamente sem cabelo e mantendo a linha de implantação capilar preservada. Por isso, a alopecia androgénica não é tão evidente nas mulheres como nos homens . Diagnóstico O diagnóstico baseia-se na história clínica e na avaliação visual das áreas afetadas. Em situações específicas pode ser usada a tricoscopia , ou seja, é feita uma avaliação com ampliação da imagem, que permite analisar o cabelo e couro cabeludo em pormenor. Na alopecia androgénica observa-se na tricoscopia um número aumentado de cabelos finos e atrofiados nas áreas afetadas. Tratamento Apesar de se tratar de uma doença benigna, as questões estéticas levam a que haja uma tendência crescente de procura de soluções que evitem a progressão da alopecia androgénica. A decisão de tratar a alopecia androgenética e do tratamento a instituir deverá sempre ser discutida caso a caso , tendo em consideração: Idade; Sexo; Rapidez de evolução da calvície; Estado geral de saúde; Particularidades de cada pessoa. Embora, na maioria dos casos, a alopecia androgénica seja lentamente progressiva (anos), os folículos que atrofiam totalmente já não são recuperáveis. Por isso, é importante que o tratamento seja instituído atempadamente , de forma a otimizar os resultados e a preservação da massa capilar. Medicamentos para a alopecia androgénica O tratamento mais habitual é feito com medicamentos de aplicação local ou administrados por via oral. Os medicamentos disponíveis atuam: Reduzindo a produção de hormonas associadas à alopecia androgénica; Prolongando a fase de crescimento e aumentando a produção de cabelos pelos folículos pilosos. Em qualquer dos casos, os tratamentos são sempre mais eficazes se forem iniciados antes de estar presente uma progressão significativa da queda de cabelo. Os medicamentos usados no tratamento da alopecia androgénica têm também de ser tomados de forma consistente e continuada , para que seja possível contrariar a tendência crónica da alopecia androgenética. Transplante de cabelo A cirurgia de transplante é também uma opção de tratamento da alopecia androgénica, mais indicada quando a doença está estabilizada , quando se deseja uma melhoria permanente e se tem uma reserva suficiente de folículos para o transplante. A queda de cabelo de áreas não transplantadas pode manter-se depois da cirurgia, o que requer a manutenção de tratamento com medicamentos para minimizar essas perdas. Conheça a equipa de dermatologia da rede Hospital da Luz e faça a marcação da sua consulta Os conteúdos publicados no Guia de Saúde destinam-se ao público em geral e têm apenas finalidade informativa e educativa. Não substituem a avaliação, diagnóstico ou aconselhamento clínico individual por um profissional de saúde. São produzidos ou revistos por médicos e outros profissionais do Hospital da Luz e baseiam-se no conhecimento disponível à data da sua publicação ou última atualização, indicada no início de cada conteúdo.