24 de junho de 2021 Autor : Vasco Vieira Serrão A alopecia areata é uma doença dermatológica autoimune . Caracteriza-se, mais habitualmente, por áreas localizadas de perda de cabelo ou pelo, ou peladas, sem destruição dos folículos: O couro cabeludo é a localização mais frequente; Também pode surgir na barba, isoladamente ou em associação ao couro cabeludo; Nas formas mais agressivas de alopecia areata, podem ser atingidas as sobrancelhas e pestanas; Numa minoria de casos a doença pode evoluir com perda total de cabelo (alopecia total) ou dos pelos de todo o corpo (alopecia universal). A alopecia areata é relativamente comum : Estima-se que cerca de 2% da população poderá ter pelo menos um episódio ao longo da vida; Afeta tanto as mulheres como os homens; Surge mais frequentemente em crianças e adultos jovens; Não provoca dor física, mas pode ter efeitos psicológicos importantes. Causas de alopecia areata A alopecia areata é uma doença autoimune, ou seja, uma doença em que o sistema imunitário responde contra um elemento do próprio organismo. Tem influências genéticas e desencadeantes ambientais. Os estímulos mais comuns que desencadeiam a alopecia areata são: Stress agudo; Infeções; Alterações súbitas da dieta; Fatores hormonais. Esses estímulos parecem provocar uma alteração imunomediada no ciclo normal de crescimento e renovação do cabelo, e queda do cabelo sem destruir os folículos. Assim, pode posteriormente formar-se um novo cabelo a partir dos folículos atingidos. Diagnóstico O diagnóstico de alopecia areata baseia-se na história clínica e na avaliação das peladas . A forma de apresentação mais comum da alopecia areata é o aparecimento súbito de uma ou várias zonas sem cabelo, habitualmente redondas ou ovais, bem definidas e com a pele sem alterações visíveis. Mais raramente, as peladas podem alastrar e confluir chegando a atingir todo o couro cabeludo (alopecia total); Em geral, quando se aplica uma tração ligeira no cabelo do bordo das peladas, este pode sair do folículo facilmente e sem dor; Podem também estar presentes alterações das unhas das mãos ou dos pés. Para chegar a um diagnóstico definitivo devem ser excluídas outras doenças que também podem causar peladas, por exemplo: Algumas infeções fúngicas ou bacterianas, por exemplo a tinha; Outras doenças autoimunes; Distúrbios psiquiátricos. Num pequeno número de doentes, menos de 10%, foram identificadas outras doenças autoimunes associadas à alopecia areata, particularmente doenças autoimunes da tiroide. Por isso, após a avaliação geral do doente, o dermatologista pode, em algumas situações, pedir exames laboratoriais para excluir doenças associadas ou outros diagnósticos. Tratamento As formas localizadas de alopecia areata podem ter uma resolução espontânea e não ser necessário qualquer tratamento. No entanto, a maioria dos casos beneficia de abordagem terapêutica . A escolha do tratamento mais adequado está relacionada com: Localização, número e extensão das peladas; Impacto psicológico que a doença possa ter; Particularidades de cada doente. As formas localizadas habitualmente respondem bem a medicamentos: Em cremes, champôs ou loções aplicadas localmente; Em formulações que são injetadas diretamente nas peladas. Nas formas mais agressivas ou extensas é frequente o recurso a medicação sistémica. A resposta ao tratamento é variável. Nas formas mais extensas e agressivas da doença, em especial na alopecia total ou universal, a resposta ao tratamento é geralmente pior. No entanto, estão disponíveis alternativas terapêuticas para formas mais resistentes ao tratamento e esta continua a ser uma área de investigação importante. Também na área cosmética, existem hoje adereços e outras soluções que permitem ajudar a aliviar o impacto negativo que a alopecia areata pode ter para os doentes. Prognóstico A alopecia areata não tem cura e a sua evolução é imprevisível . Trata-se de uma doença autoimune, crónica e recorrente. Assim, o problema pode ficar resolvido, mas, em muitas pessoas, voltam a acontecer novos episódios. Nas formas localizadas habitualmente o cabelo volta a nascer, por vezes mais fino e branco no início, mas acabando por normalizar com o crescimento, embora possam ser necessários muitos meses para essa recuperação. Alguns doentes vão tendo episódios recorrentes de peladas ao longo da vida, com recuperação completa do cabelo entre as crises. Em alguns casos o problema pode manter-se ao longo dos anos e o cabelo não voltar a crescer nas áreas afetadas. Conheça a equipa de dermatologia da rede Hospital da Luz e faça a marcação da sua consulta Os conteúdos do nosso Guia de Saúde têm finalidade informativa, destinam-se ao público em geral e podem não estar atualizados. Não substituem a informação, opinião e aconselhamento individual de um médico ou outro profissional de saúde de cada área.