11 de março de 2019 Autora : Sofia Nunes Oliveira A demência de Alzheimer é uma doença neurodegenerativa , de causa desconhecida, em que a acumulação de substâncias tóxicas no cérebro leva à morte progressiva das células neuronais. Quem pode ser afetado por Alzheimer e quais os fatores de risco? Entre os fatores de risco mais relevantes para a doença de Alzheimer, o principal é a idade . No entanto, outros fatores de risco vascular aumentam a probabilidade de vir a desenvolver a doença, pelo que devem ser tratados, independemente, da idade do doente: A hipertensão arterial; A dislipidemia; O tabagismo; A obesidade; A diabetes. Esta doença é rara abaixo dos 60 anos de idade (menos de 2% dos doentes) e muito frequente depois dos 85 anos (perto de 50% dos indivíduos). Existem formas genéticas raras e fatores genéticos que aumentam o risco mas sem, obrigatoriamente, implicar a possibilidade de vir a sofrer da doença. Muitas vezes, quem nos procura, pergunta: “o meu pai tem Alzheimer, qual é o meu risco?” Bom, se aquele ascendente direto tiver passado a sofrer de Alzheimer aos 50 anos de idade, o risco de também vir a ter a doença será elevado , podendo ser de 50%. Porém, se o progenitor tiver sofrido de Alzheimer após os 70 anos de idade, o risco, embora maior do que a população em geral, será bastante menor . Quais são os sintomas da doença de Alzheimer? O primeiro sintoma é, geralmente, um défice de memória recente . O doente pode: Esquecer factos do dia-a-dia; Cometer erros importantes (deixar uma porta aberta, o lume do fogão aceso, uma torneira aberta, etc.) Embora o doente possa ter consciência de que algo não está bem com a sua memória, não tem correta noção da gravidade do problema . E, como os esquecimentos não são por mera distração, geralmente, não é capaz de reconstituir corretamente os erros cometidos. Deve salientar-se que as memórias antigas estão habitualmente preservadas nas fases precoces da doença. Outros sintomas precoces que podem dificultar o diagnóstico, por se confundirem com doenças psiquiátricas (por exemplo, a depressão) são: A apatia; A diminuição da iniciativa. A primeira manifestação pode surgir no contexto de uma doença médica ou mudança das rotinas do doente, traduzindo-se num síndrome “confusional”, com desorientação temporal, espacial e agitação. Mais tarde, surgem outros défices cognitivos , tais como: Alterações de linguagem; Alterações na capacidade de planeamento e abstração; Dificuldades de cálculo; Perda da orientação espacial. Como se faz o diagnóstico de Alzheimer? Hoje é possível fazer o diagnóstico em fases muito precoces , quando o doente tem apenas queixas de memória. Deve fazer-se sempre um diagnóstico o mais correto possível, independentemente da idade do doente, não só porque há demências potencialmente tratáveis, mas também, para poder adequar o tratamento, prever a evolução e o risco familiar. Uma das áreas de investigação mais importantes nesta doença é o diagnóstico precoce. Os investigadores procuram os chamados “ biomarcadores ”, ou seja, dados que permitam fazer o diagnóstico antes da doença estar completamente manifestada. Nas consultas de memória e de neurologia há ainda a possibilidade de fazer exames que permitem excluir outras doenças que podem ser confundidas com a demência de Alzheimer e que podem ser tratáveis. Como se trata o Alzheimer? Por enquanto, não existe cura para a doença de Alzheimer. No entanto, há vários tratamentos que melhoram parte dos sintomas e modificam efetivamente a expressão da doença, retardando o processo de deterioração e perda de autonomia. Os estudos disponíveis têm demonstrado que o exercício físico e mental ajuda a aumentar a reserva cognitiva. Assim, indivíduos ativos têm menos probabilidade de ter demência, do que outros menos ativos da mesma idade. Há medidas de prevenção para o Alzheimer? Quanto à prevenção, não está ainda disponível no mercado qualquer medicamento capaz de prevenir esta doença, embora a investigação nesta área seja muito promissora. Saiba que: A idade é o principal fator de risco para a doença de Alzheimer; Esta forma de demência é rara abaixo dos 60 anos de idade; O 1º sintoma da doença é, geralmente, um défice de memória recente; Ainda não há cura, mas existem tratamentos que retardam o avanço da doença; O exercício físico e mental ajuda a aumentar a reserva cognitiva; As pessoas mais ativas têm menos probabilidade de ter demência. Conheça a equipa de neurologia da rede Hospital da Luz. Os conteúdos publicados no Guia de Saúde destinam-se ao público em geral e têm apenas finalidade informativa e educativa. Não substituem a avaliação, diagnóstico ou aconselhamento clínico individual por um profissional de saúde. São produzidos ou revistos por médicos e outros profissionais do Hospital da Luz e baseiam-se no conhecimento disponível à data da sua publicação ou última atualização, indicada no início de cada conteúdo.