18 de março de 2022 As amígdalas e as adenoides são estruturas que fazem parte do sistema linfoide da via aérea superior. Têm como função a proteção contra as substâncias nocivas que diariamente podem ser inaladas e deglutidas (engolidas). As amígdalas são facilmente visíveis quando se abre a boca, situam-se lateralmente junto à porção mais posterior da língua. As adenoides não se conseguem ver por observação direta por terem uma localização mais alta. As infeções das amígdalas denominam-se amigdalites e as das adenoides, adenoidites. Geralmente são infeções agudas, mas também podem ser crónicas. Amigdalites As amigdalites mais comuns são as virais e surgem habitualmente em simultâneo com inflamação da restante via aérea superior (amigdalofaringite). Os principais sintomas de uma amigdalite são: Dor de garganta; Febre; Dificuldade em deglutir; Recusa alimentar (nas crianças); Otalgia reflexa; Aumento das secreções nasais; Obstrução nasal; Tosse; Mal-estar geral. A maioria destas amigdalites virais é autolimitada e necessita apenas de tratamento sintomático para a dor e para baixar a febre . As amigdalites agudas também podem ser bacterianas , que geralmente são causadas por estreptococos beta-hemolítico. Tipicamente, podem ser observadas placas esbranquiçadas na superfície das amígdalas. Nestes casos é necessário adicionar ao tratamento um antibiótico oral . Algumas doenças sistémicas, podem cursar com amigdalite, como é o caso da mononucleose. A irregularidade da superfície das amígdalas pode formar criptas mais ou menos profundas. Estas criptas permitem que haja uma maior exposição a microrganismos e também favorecem a acumulação de restos alimentares, epiteliais e colónias, que podem contribuir para infeção/inflamação crónica e aparecimento de caseum , que é um material de cor esbranquiçada a amarelada, responsável por desconforto local, sensação de corpo estranho e mau hálito. Em caso de amigdalites de repetição , dependendo do número de episódios/ano, o tratamento cirúrgico com remoção das amígdalas (amigdalectomia), é muitas vezes a única solução para estas infeções. Adenoidites A superfície irregular das adenoides e sua localização permitem a sua exposição a substâncias presentes no muco nasal e a formação de agregados bacterianos na sua superfície. A hipertrofia adenoideia associada à sua estimulação pode ser significativa e causar sintomas de obstrução mecânica das fossas nasais ou mesmo disfunção da trompa de Eustáquio. Estes efeitos manifestam-se mais frequentemente em crianças devido às menores dimensões da faringe e às características particulares que a trompa de Eustáquio tem nesta idade. A hipertrofia adenoideia é uma reação inflamatória e, por isso, designada por adenoidite . Quando os sintomas de adenoidite são arrastados e não existem sintomas ou sinais inflamatórios agudos (febre e dor), a adenoidite é classificada como crónica . Se, pelo contrário o seu início é rápido, em dias ou horas, com dor de garganta, febre e secreções nasais purulentas, é classificada como aguda . O tratamento da adenoidite aguda é semelhante ao da amigdalofaringite aguda. A adenoidite crónica tem uma evolução benigna , embora possa arrastar-se por meses ou anos. Deve ser tratada quando os sintomas têm impacto na qualidade de vida com: Roncopatia; Disfunção tubária / otite serosa (com perda auditiva); Obstrução nasal com perturbações na alimentação. O tratamento é realizado com corticoterapia tópica e lavagens nasais com soluções salinas. Caso não haja resposta à terapêutica médica, o tratamento cirúrgico , com remoção das adenoides (adenoidectomia) pode ser necessário. Quando recorrer a um médico otorrinolaringologista Devem ser procurados os cuidados médicos de um otorrinolaringologista: Para diagnóstico inicial de qualquer uma destas situações; Para exclusão de complicações (como abcessos) se houver persistência ou agravamento dos sintomas da doença aguda após tratamento instituído por outro médico; Em caso de amigdalites / adenoidites crónicas ou de repetição . Este artigo foi escrito pela equipa de otorrinolaringologia do Hospital da Luz Lisboa. Os conteúdos publicados no Guia de Saúde destinam-se ao público em geral e têm apenas finalidade informativa e educativa. Não substituem a avaliação, diagnóstico ou aconselhamento clínico individual por um profissional de saúde. São produzidos ou revistos por médicos e outros profissionais do Hospital da Luz e baseiam-se no conhecimento disponível à data da sua publicação ou última atualização, indicada no início de cada conteúdo.