10 de fevereiro de 2020 O que é a anafilaxia e quais são os seus sinais e sintomas? A anafilaxia é a forma mais grave de manifestação de uma reação alérgica . Pode manifestar-se por dificuldade respiratória, perda de consciência ou mesmo morte se não for imediatamente tratada. A anafilaxia requer um tratamento médico imediato e necessita de uma avaliação posterior por um médico especialista em imunoalergologia. Os sintomas da anafilaxia evoluem rapidamente, habitualmente em minutos, e podem englobar: Pele e mucosas : prurido (comichão), eritema (vermelhidão), pápulas, edema (inchaço); Olhos : prurido, lacrimejo, eritema; Nariz e boca : espirros, corrimento nasal, obstrução nasal, edema da língua; Pulmões e garganta : dificuldade em respirar, tosse, opressão no tórax, pieira, alterações da voz e sensação de engasgamento; Coração e aparelho circulatório : tonturas, fraqueza, diminuição da pressão arterial, ritmo cardíaco irregular; Sistema digestivo : náuseas, vómitos, diarreia e dor abdominal; Sistema nervoso : ansiedade, confusão, desmaio. Quem pode ter anafilaxia? A ocorrência de anafilaxia é imprevisível . Pode ocorrer em pessoas com diagnóstico prévio de alergia, mas pode também ser a sua primeira manifestação de alergia. A anafilaxia pode ocorrer em qualquer pessoa exposta a uma substância a que é alérgica. A forma de contacto com essa substância pode ser diversa, pois o agente causal pode ser: Injetado , por exemplo como acontece com picadas de abelha ou vespa ou medicamentos; Ingerido , por exemplo com medicamentos e alimentos; Inalado , por exemplo com proteínas evaporadas durante a cozedura de alguns alimentos; Contacto direto , por exemplo látex e alguns alimentos. A gravidade de uma reação anafilática pode ser minimizada : Pelo seu rápido reconhecimento; Pela utilização de fármacos apropriados; Pelo recurso a cuidados médicos urgentes. Qual é a causa da anafilaxia? A anafilaxia pode ter várias causas. As mais frequentes são: Alimentos: leite de vaca, ovo, peixe, marisco, frutos secos, amendoim, frutos frescos (pêssego e outros frutos com caroço) e sementes, incluindo sésamo; Fármacos : os antibióticos, destacando-se os beta-lactâmicos (penicilinas e cefalosporinas), e os anti-inflamatórios não-esteroides são os fármacos que mais frequentemente podem originar anafilaxia; neste grupo destacam-se ainda os meios de contraste radiológico e os fármacos administrados em contexto cirúrgico (por exemplo, anestésicos, relaxantes); Picada de himenópteros (abelha, vespa): na maioria dos casos, a picada resultante é dolorosa e apenas origina desconforto que pode durar algumas horas; no entanto, em algumas pessoas podem ocorrer reações muito graves; Látex e outros alergénios ocupacionais : na alergia ao látex, as reações graves ocorrem habitualmente durante cirurgias ou quando há contacto com o látex através das mucosas. Em algumas pessoas pode ocorrer anafilaxia com ingestão de frutos (castanha, banana, abacate, entre outros) e vegetais com reatividade cruzada com látex (síndrome látex-frutos); Agentes físicos : frio e exercício físico. Em alguns casos, o exercício pode originar anafilaxia; por vezes, esta situação só ocorre se houver ingestão prévia de determinados alimentos antes do exercício (anafilaxia induzida pelo exercício dependente de alimentos). Alguns doentes com urticária ao frio podem ter manifestações graves, dependendo da baixa temperatura da água e da maior superfície corporal atingida (por exemplo, com mergulho no mar ou rio); Anafilaxia idiopática : quando não se consegue, após estudo exaustivo, identificar qualquer causa para o episódio de anafilaxia, esta é designada anafilaxia idiopática que, assim, é um diagnóstico de exclusão. Como é feito o diagnóstico de anafilaxia? O diagnóstico da anafilaxia é essencialmente clínico e baseia-se: numa história clínica detalhada; no padrão de sintomas a ocorrer imediatamente (entre minutos até aproximadamente uma hora) após exposição ao potencial agente causal. Resolvido o quadro de anafilaxia com tratamento médico imediato deverá posteriormente recorrer a uma consulta médica de imunoalergologia . No âmbito dessa consulta, após uma avaliação clínica minuciosa, poderão ser solicitados exames complementares de diagnóstico, como: testes cutâneos; avaliação laboratorial; prova de provocação com o agente implicado para identificar ou confirmar a causa da anafilaxia. O que se deve fazer num caso de anafilaxia? Se em alguma ocasião tiver sintomas alérgicos graves, deve ser observado imediatamente por um médico ou dirigir-se a um serviço de urgência , onde poderá receber tratamento com diversos fármacos utilizados nestas formas graves de doença, nomeadamente: adrenalina, anti-histamínicos, corticosteroides, broncodilatadores e oxigénio. A reação anafilática deve ser rapidamente tratada. O tratamento mais precoce está associado a uma menor gravidade das reações. O tratamento poderá ser iniciado no domicílio (se houver diagnóstico prévio), mas o doente deverá ser avaliado e recorrer sempre a meio hospitalar posterior. Caso tenha tido uma reação anafilática deve ser observado por um imunoalergologista para correta orientação e determinação da causa exata da anafilaxia. Deve ser portador de identificativo (cartão, relatório médico, pulseira) que assinale as suas alergias, assim como de um plano de emergência escrito onde deve constar um dispositivo auto-injetor (“caneta”) de adrenalina . O doente e os seus cuidadores devem aprender a manuseá-lo corretamente (administrar por via intramuscular na face antero-lateral da coxa) e ter atenção ao prazo de validade do dispositivo. Os autores deste texto são os seguintes médicos imunoalergologistas da rede Hospital da Luz: Luís Miguel Borrego, Ana Morais Mendes, Ana Reis Ferreira, Andreia Ferrão, Carlos Braga, Cristina Lopes, Diana Pereira da Silva, Filipa Semedo, Isabel Costa Silva, João Gaspar Marques, Pedro Carreiro Martins, Marta Salgado, Nuno Sousa, Rosa Anita Fernandes, Susana Piedade Os conteúdos publicados no Guia de Saúde destinam-se ao público em geral e têm apenas finalidade informativa e educativa. Não substituem a avaliação, diagnóstico ou aconselhamento clínico individual por um profissional de saúde. São produzidos ou revistos por médicos e outros profissionais do Hospital da Luz e baseiam-se no conhecimento disponível à data da sua publicação ou última atualização, indicada no início de cada conteúdo.