18 de maio de 2022 Autor : Serviço de Anestesiologia do Hospital da Luz Setúbal O que é uma sedação Sedar é induzir um estado de maior relaxamento usando medicamentos sedativos, que podem ser administrados por via intravenosa, oral ou por inalação . A sedação tem vários níveis, que estão relacionados com a quantidade de medicamentos administrada, e pode ser ajustada ao que se pretende realizar em cada procedimento. Na sedação ligeira não se adormece e é possível falar normalmente; Na sedação moderada , o relaxamento é mais importante, é possível falar e seguir instruções simples, há sonolência e é possível que se adormeça; A sedação profunda é um estado intermédio entre a sedação moderada e a anestesia geral. Adormece-se e não é possível falar. A sedação profunda é usada em procedimentos em que é necessário estar adormecido ou inconsciente, mas nos quais a intensidade da dor não é relevante. É o caso, por exemplo, de uma colonoscopia ou outros exames endoscópicos do tubo digestivo ou do aparelho respiratório. A sedação pode ainda ser utilizada como complemento da anestesia local ou locorregional , para diminuir a perceção do doente sobre o que se passa em redor. O que é uma anestesia Anestesiar significa administrar medicamentos com a finalidade de eliminar a perceção de dor (provocar analgesia) e/ou alterar o estado de consciência e/ou relaxar e/ou controlar reflexos para realizar uma cirurgia ou outro procedimento médico. O tipo de anestesia a usar depende de múltiplos fatores, por exemplo: O procedimento a realizar; O estado de saúde atual; As doenças anteriores; Opções pessoais e da equipa médica responsável. Há 3 tipos principais de anestesia : local, regional (ou locorregional) e geral. Anestesia local Numa anestesia local pretende-se eliminar a sensibilidade à dor numa área limitada do corpo , sendo os medicamentos anestésicos locais injetados ou aplicados localmente na zona a anestesiar. Anestesia regional ou locorregional Neste tipo de anestesia é bloqueada a sensibilidade à dor numa região do corpo , sendo os medicamentos anestésicos locais injetados junto aos nervos responsáveis pela perceção de dor nessa região. Pode ser usada nos partos e em cirurgias realizadas em áreas específicas do corpo , por exemplo um membro superior (braço) ou inferior (perna), na cavidade abdominal e pélvica, tórax ou face, sempre que não seja necessária uma anestesia geral. A anestesia locorregional é muito usada em procedimentos cirúrgicos ortopédicos, ginecológicos, obstétricos e urológicos. A anestesia locorregional pode ser complementada com sedação , quando se pretende que um doente não fique acordado ou ansioso durante o procedimento, mas não é necessária uma anestesia geral. Entre os principais tipos de técnicas locorregionais temos: Bloqueio de nervos periféricos , que consiste na administração do anestésico local junto da raiz do plexo nervoso ou de nervos periféricos com a finalidade de bloquear a sensação de dor na região que é inervada; Anestesia do neuroeixo (epidural ou subaracnoideia), que consiste na administração do medicamento anestésico local no espaço epidural ou subaracnoideu, junto da medula espinal, permitindo o bloqueio da sensibilidade no tórax, abdómen e/ou membros inferiores. Estas técnicas podem também ser associadas a anestesia geral – anestesia combinada –, quando se pretende um controlo da dor mais eficaz no pós-operatório. Anestesia geral A anestesia geral é usada em cirurgias, exames ou outros procedimentos médicos que exijam: Inconsciência total; Analgesia (ausência de dor); Imobilidade (relaxamento muscular); Inibição de reflexos nervosos involuntários. Na anestesia geral são usadas associações de diferentes tipos de medicamentos , por exemplo sedativos, hipnóticos, anestésicos inalatórios, analgésicos opioides, relaxantes musculares, anti-inflamatórios, entre outros, que têm funções específicas e atuação sinérgica. Estes medicamentos podem ser administrados por via intravenosa e/ou por inalação ao longo de todo o procedimento que é realizado. Durante uma anestesia geral: A via aérea do doente é assegurada usando dispositivos próprios (máscara laríngea, tubo orotraqueal ou nasotraqueal) que permitem a ligação a um ventilador; O médico anestesiologista permanece junto ao doente vigiando os sinais vitais e adequando a quantidade de anestésicos e duração da anestesia às necessidades e duração da cirurgia, estando igualmente preparado para controlar alguma complicação que ocorra durante o procedimento. No final da cirurgia, o anestesiologista interrompe a administração dos anestésicos e acorda o doente, que deve ter uma recuperação tranquila e sem dor. Segue-se um período variável na unidade de cuidados pós-anestésicos, sob observação da equipa de enfermagem, até a recuperação da anestesia estar completa. Conheça a equipa clínica de anestesiologia da rede Hospital da Luz. Os conteúdos publicados no Guia de Saúde destinam-se ao público em geral e têm apenas finalidade informativa e educativa. Não substituem a avaliação, diagnóstico ou aconselhamento clínico individual por um profissional de saúde. São produzidos ou revistos por médicos e outros profissionais do Hospital da Luz e baseiam-se no conhecimento disponível à data da sua publicação ou última atualização, indicada no início de cada conteúdo.