28 de fevereiro de 2019 Autor : João Valença A síndrome de apneia obstrutiva do sono é uma doença respiratória caracterizada por episódios recorrentes de colapso da faringe. Esses episódios ocorrem durante o sono , condicionando a sua obstrução completa (apneia) ou incompleta (hipopneia). Quais são as características da apneia do sono? Além de provocar grande incómodo social dado o característico ressonar, a apneia do sono pode culminar em problemas cardiovasculares graves , entre outras doenças. As paragens respiratórias provocam: Uma diminuição da oxigenação do sangue; Pequenos despertares não conscientes. Apesar dos doentes conseguirem dormir, o cérebro não repousa. A prevalência da apneia do sono em Portugal não é conhecida. Embora estudos internacionais indiquem valores mais elevados, estima-se que este problema afeta 4% a 6% dos homens e 2% a 3% das mulheres e é mais frequente entre os 40 e os 60 anos. A obesidade é, sem dúvida, um fator de risco importante. Mas como se manifesta a doença? Sintomas de apneia do sono que se manifestam durante o sono: Ressonar; Pausas ou paragens respiratórias (apneias); Despertares com sensação de sufocação; Insónia; Sono agitado; Necessidade de urinar. Sintomas de apneia do sono que se manifestam com o doente acordado: Sonolência excessiva (fadiga crónica, necessidade de beber um maior número de cafés ou chás por dia, adormecer em diversas situações, por exemplo, a ler, a ver televisão, em salas de espera, durante reuniões, no cinema, em transportes, a comer, a falar com outras pessoas ou mesmo a conduzir); Sensação de sono não reparador; Maior irritabilidade; Falta de atenção, diminuição da memória ou da capacidade de concentração; Problemas sexuais, como diminuição do interesse ou impotência. Como é diagnosticada e tratada a apneia do sono? O diagnóstico é feito pelo registo poligráfico do sono noturno . O tratamento da síndrome de apneia obstrutiva do sono inclui medidas gerais e, em função de cada caso, uma intervenção específica. Medidas gerais aconselhadas: Redução do peso; Não ingerir álcool a partir da hora do almoço; Não fumar; Não tomar medicamentos para dormir; Dormir durante um número de horas suficientes (pelo menos sete horas). O tratamento específico desta síndrome inclui a utilização de um aparelho que, durante o sono, fornece ar com uma pressão positiva nas vias aéreas superiores, através de uma máscara. Normalmente, está indicado para os casos moderados e graves . Em casos selecionados é possível recorrer a dispositivos orais. No caso da cirurgia pode estar indicada no tratamento das formas ligeiras. O diagnóstico atempado e o seu tratamento correto permitem alterar radicalmente o panorama descrito, com uma melhoria significativa da qualidade de vida dos doentes. Apneia do sono: porque é um problema social? Quando não tratada, esta síndrome tem consequências sociais e cardiovasculares importantes. Principais problemas associados à apneia do sono: Maior risco de acidentes: cerca de 7 vezes superior ao da população em geral; Maior consumo de recursos de saúde: nomeadamente maior número de consultas, internamentos e medicamentos; Maior risco de: angina de peito, enfarte agudo do miocárdio, acidente vascular cerebral, morte súbita e diabetes; Possíveis problemas conjugais e familiares: devido ao ressonar, alterações do humor e perturbações sexuais; Hipertensão arterial: muitas vezes de controlo difícil; Diminuição da produtividade. A ingestão de álcool, mesmo em quantidades reduzidas, também potencia a sonolência excessiva. Conheça a equipa de pneumologia da rede Hospital da Luz e faça a sua marcação . Os conteúdos publicados no Guia de Saúde destinam-se ao público em geral e têm apenas finalidade informativa e educativa. Não substituem a avaliação, diagnóstico ou aconselhamento clínico individual por um profissional de saúde. São produzidos ou revistos por médicos e outros profissionais do Hospital da Luz e baseiam-se no conhecimento disponível à data da sua publicação ou última atualização, indicada no início de cada conteúdo.