21 de fevereiro de 2020 O que é a asma e quais são os sintomas mais comuns? A asma é uma doença inflamatória crónica das vias aéreas . Esta inflamação provoca: estreitamento ou obstrução das vias aéreas; edemas das vias aéreas; aumento da produção de muco; reatividade excessiva dos brônquios a diferentes estímulos. A asma tem como sintomas mais comuns : tosse; chiadeira no peito ou pieira; falta de ar; aperto no peito; cansaço e dificuldade em fazer as atividades do dia a dia. Quem pode sofrer de asma? A asma é uma doença muito comum : Cerca de uma em cada 10 pessoas nos países ocidentais podem desenvolver asma ao longo da vida. A asma afeta cerca de 700 mil portugueses (Inquérito Nacional de Prevalência da Asma, 2010). A asma afeta todos os grupos etários , desde as crianças, na primeira infância, até aos idosos. Os sintomas de asma podem começar em qualquer idade . Em mais de metade das pessoas os sintomas de asma surgem a partir dos 10 anos. No entanto, muitas crianças têm sintomas de asma mesmo antes dos 6 anos. Apesar da maior probabilidade de desenvolver asma se alguém na família também tiver a doença, esta associação nem sempre está presente. Sabe-se também que crianças com eczema ou alergia alimentar ou alergia a alergénios ambientais como a pólen, ácaros ou faneras de animais têm mais probabilidade de desenvolver asma no futuro. Qual é a causa da asma? As causas da asma não são ainda totalmente conhecidas. O aparecimento de asma deve-se provavelmente a uma associação entre fatores hereditários e ambientais , mas a forma como interagem não está totalmente esclarecida. Os alergénios, como os ácaros presentes no pó da casa, os pólenes, fungos e também faneras de animais podem ser agentes que despoletam crises de asma. Contudo, alguns doentes com asma não têm evidência de alergia. Vários fatores podem desencadear sintomas ou crises em pessoas que têm uma tendência para ter asma: Infeções, geralmente causadas por vírus; Alguns alergénios ambientais, como os ácaros ou os pólenes; O exercício, em particular em ambientes frios; Algumas emoções, como a ansiedade o medo, por vezes o próprio riso; Exposição a agentes irritativos, como a poluição ou fumo do tabaco; Em alguns casos particulares algumas medicações podem desencadear sintomas. Como é feito o diagnóstico de asma? O diagnóstico de asma é essencialmente clínico , suportado pela presença de obstrução das vias aéreas, hiperreatividade brônquica e inflamação das vias aéreas. Os exames que podem ser feitos para ajudar no diagnóstico são: Exames funcionais respiratórios, como a espirometria com prova de broncodilatação; Exames de avaliação da hiperreatividade brônquica, que podem ser efetuados com estímulos químicos ou físicos, como a corrida livre ou em laboratório; Avaliação da inflamação das vias aéreas, utilizando métodos como a fração exalada do óxido nítrico. Como a presença de alergia está relacionada com uma maior probabilidade dos sintomas respiratórios se associarem a asma, frequentemente é feita também uma avaliação clínica e exames para estudo de alergia , como os testes cutâneos de alergia por picada e alguns exames de sangue. Como se trata a asma? A asma pode ser tratada e a maioria das pessoas pode atingir o controlo da sua doença . Quando a asma está controlada, os sintomas deixam de interferir na vida diária permitindo ter uma vida produtiva e fisicamente ativa sem limitações, não precisando de utilizar medicação de alívio. A medicação e sua forma de administração é adaptada de acordo com a idade e controlo da doença . Globalmente existem dois tipos de tratamentos utilizados no controlo da asma que podem ser utilizados também em associação: Medicação de controlo , cujo objetivo é prevenir as crises e os sintomas. Neste grupo incluem-se as medicações anti-inflamatórias, como os corticoides, que são feitas por inalação e que reduzem inflamação das vias aéreas. Existem outras medicações de controlo, como os antileucotrienos e os broncodilatadores anticolinérgicos inalados. Medicação de alívio , cujo objetivo é aliviar rapidamente os sintomas de asma e que também pode ser usada associada à medicação anti-inflamatória inalada com a função de controlo. Neste grupo incluem-se os broncodilatadores, administrados por inalação. Os autores deste texto são os seguintes médicos imunoalergologistas da rede Hospital da Luz: Luís Miguel Borrego, Ana Morais Mendes, Ana Reis Ferreira, Andreia Ferrão, Carlos Braga, Cristina Lopes, Diana Pereira da Silva, Filipa Semedo, Isabel Costa Silva, João Gaspar Marques, Pedro Carreiro Martins, Marta Salgado, Nuno Sousa, Rosa Anita Fernandes, Susana Piedade Os conteúdos publicados no Guia de Saúde destinam-se ao público em geral e têm apenas finalidade informativa e educativa. Não substituem a avaliação, diagnóstico ou aconselhamento clínico individual por um profissional de saúde. São produzidos ou revistos por médicos e outros profissionais do Hospital da Luz e baseiam-se no conhecimento disponível à data da sua publicação ou última atualização, indicada no início de cada conteúdo.