10 de outubro de 2024 A aspiração e a curetagem uterina são procedimentos cirúrgicos ginecológicos, realizados sob anestesia geral ou loco-regional, nos quais são removidos tecidos do interior do útero (cavidade uterina). A escolha entre uma curetagem e uma aspiração depende, entre outros fatores, do problema em causa e do objetivo do procedimento. Na aspiração uterina , uma cânula fina é introduzida até ao útero, através da vagina e do colo do útero, e utiliza-se um dispositivo de sucção para aspirar o conteúdo pretendido. No caso da curetagem uterina , é introduzida da mesma forma uma cureta que permitirá raspar a cavidade e as paredes uterinas internas. Em ambos os procedimentos, pode ser necessário dilatar o colo do útero para permitir a entrada dos instrumentos. Indicações mais comuns As indicações mais comuns de aspiração ou curetagem uterina são: Objetivos de diagnóstico Situações de hemorragia vaginal anormal para avaliar o endométrio (revestimento interno da cavidade uterina); Estudo do endométrio em casos de infertilidade ou de perda gestacional recorrente; Na sequência de uma citologia anormal (alterações glandulares) para estudo do endométrio. Objetivos de tratamento Remoção de tecido do endométrio em casos de hemorragia uterina abundante; Remoção de resíduos ovulares no contexto de um aborto espontâneo incompleto. Interrupção de gravidez Nas situações de aborto retido. Dependendo do motivo pelo qual se aconselha uma curetagem ou aspiração podem existir alternativas incluindo: Medicamentosas Terapêutica hormonal: mos casos de hemorragia por hiperplasia endometrial podem ser tentados progestagénios para a controlar. Misoprostol: prostaglandina que pode ser uma alternativa nas situações de aborto retido ou incompleto. Histeroscopia Não está indicado nos casos de aborto retido ou incompleto recente, mas é o procedimento de eleição nas situações de aborto incompleto tardio. Preparação e cuidados associados à aspiração e curetagem uterina A realização de uma aspiração ou curetagem requer habitualmente alguma preparação incluindo: Jejum de 6-8 horas antes do procedimento, especialmente se for realizado sob anestesia geral. Análises de sangue, por hemograma completo, provas de coagulação, identificação do grupo de sangue e teste de Coombs indireto. Medicamentos para dilatar o colo do útero. Depois do procedimento devem ser seguidos rigorosamente todas os cuidados transmitidos pela equipa clínica , incluindo, por exemplo, evitar esforços físicos e não usar tampões. Dor e cólicas menstruais são comuns após o procedimento, mas autolimitadas no tempo. Riscos e complicações da aspiração e curetagem uterina Como qualquer procedimento cirúrgico, também a curetagem e a aspiração uterina têm riscos associados. O risco de complicações graves é muito baixo (inferior a 1%), sendo as mais frequentes: Infeção: o risco de infeção uterina ou pélvica é inferior a 1%. Nos casos em que o procedimento é efetuado por aborto retido ou aborto incompleto é feita profilaxia antibiótica antes do procedimento; Perfuração uterina: o risco de que inadvertidamente um instrumento perfure a parede do útero é de 0,1%-0,4%, o que pode exigir cirurgia para reparação; Hemorragia vaginal excessiva: embora muito raramente (menos de 1% dos procedimentos), pode ocorrer uma hemorragia significativa; Formação de cicatrizes dentro do útero pode ocorrer: ocorre especialmente com a curetagem e estima-se que o risco seja de 1,5% nos casos de curetagem pós-aborto. Este conteúdo foi preparado pela equipa de Ginecologia-Obstetrícia do Hospital da Luz. Os conteúdos publicados no Guia de Saúde destinam-se ao público em geral e têm apenas finalidade informativa e educativa. Não substituem a avaliação, diagnóstico ou aconselhamento clínico individual por um profissional de saúde. São produzidos ou revistos por médicos e outros profissionais do Hospital da Luz e baseiam-se no conhecimento disponível à data da sua publicação ou última atualização, indicada no início de cada conteúdo.