Revisto em Setembro, 2024 Autores: Rodolfo Albuquerque e Maria José Pestana É preciso conhecer as suas causas para os tratar, sempre com apoio médico. O que são ataques de pânico? Os ataques de pânico são períodos de ansiedade extrema, com manifestação de sintomas a nível físico: Palpitações; Taquicardia (aumento da frequência cardíaca); Diaforese (transpiração excessiva); Dispneia (dificuldade em respirar); Sensação de opressão torácica; Tonturas; Náuseas. Estes sintomas são acompanhados de vivências alteradas a nível psíquico: Desrealização; Despersonalização; Medo de morrer; Medo de perder o controlo; Medo de não dispor de ajuda; Medo de enlouquecer. Todos surgem de forma súbita , atingindo habitualmente uma intensidade máxima em 10 a 15 minutos. O que causa os ataques de pânico? Várias teorias e modelos têm tentado explicar a sua génese. A nível do sistema nervoso central, parecem existir alterações em múltiplos sistemas de neurotransmissão. Existem também alterações nas redes neuronais entre a amígdala, o córtex cingulado anterior, o córtex órbito-frontal e o hipotálamo. Para alguns autores, poderia existir um estado de hiperventilação crónica , associada a uma hipersensibilidade dos recetores centrais para o dióxido de carbono, tal como sucede nos fumadores. Como se manifestam os ataques de pânico? De acordo com a teoria cognitiva , existem determinadas sensações corporais (sintomas fisiológicos) que podem estar envolvidas em respostas normais de ansiedade (aumento da frequência cardíaca). Essas sensações corporais são interpretadas de forma catastrófica (perceção de palpitações como indício de enfarte agudo do miocárdio). O que leva a um aumento do medo (emoção que está presente) e, consequentemente, a um aumento da intensidade dos sintomas. Vários tipos de estímulos podem desencadear ataques de pânico, desde os externos , como a situação em que o indivíduo vivenciou anteriormente um ataque (p.e., num elevador ou num centro comercial), aos internos (pensamentos, sensações corporais, imagens). Sempre que estes estímulos são percecionados como uma ameaça, o medo surge e a resposta traduz-se num estado de alerta. Estado esse que ocorre relativamente a qualquer sintoma fisiológico que, num outro indivíduo com ansiedade normal e adaptativa passaria despercebido ou seria desvalorizado. Como se tratam os ataques de pânico? Mais de 80% dos doentes têm um prognóstico favorável quando se associa uma abordagem psicofarmacológica à psicoterapia cognitivo-comportamental. Entre os psicofármacos mais utilizados destacam-se as benzodiazepinas (alprazolam, clonazepam) apenas na fase aguda e em períodos reduzidos. Também poderão ser recomendados alguns antidepressivos (paroxetina, escitalopram), já na fase de manutenção. As intervenções cognitivo-comportamentais focam-se na modificação do pensamento negativo/catastrófico acerca das sensações corporais. Isto acontece porque o pensamento, para além de poder ser um fator desencadeante, vai fazer a manutenção dos sintomas. A utilização de um pensamento racional/lógico quebra o círculo vicioso. O principal objetivo será modificar as interpretações catastróficas dos sintomas fisiológicos. Ataques de pânico e perturbação de pânico Quando mais de um mês depois subsiste uma preocupação persistente com as consequências do ataque de pânico ou com a possibilidade de novo ataque, ou ainda se produzem alterações comportamentais relevantes (agorafobia), provavelmente estaremos perante uma perturbação de pânico. Deve salientar-se que prevalência para ataques de pânico durante uma vida, é de 3,5%-6%, sendo de 1,5%-5% para a perturbação de pânico. Existe uma comorbilidade (coexistência de um problema de saúde com o diagnóstico principal de um doente) frequente com as perturbações do humor, nomeadamente com a depressão major em 50%-60% dos doentes que inicialmente apresentaram uma perturbação de pânico. O diagnóstico de perturbação de pânico pode ainda ser efetuado no contexto de outras doenças médicas gerais (5% a 40% dos doentes com asma, 15%-20% dos doentes com enxaqueca). Conheça a equipa de psiquiatria da rede Hospital da Luz e faça a sua marcação . Os conteúdos publicados no Guia de Saúde destinam-se ao público em geral e têm apenas finalidade informativa e educativa. Não substituem a avaliação, diagnóstico ou aconselhamento clínico individual por um profissional de saúde. São produzidos ou revistos por médicos e outros profissionais do Hospital da Luz e baseiam-se no conhecimento disponível à data da sua publicação ou última atualização, indicada no início de cada conteúdo.