11 de abril de 2022 Autor : Victor Gil Atualmente é possível identificar a aterosclerose quando ainda não há sintomas e intervir precocemente para impedir ou atrasar a sua evolução. Nos casos de doença estabelecida, o vasto leque de opções terapêuticas permite delinear um plano adaptado a cada pessoa e à sua doença. Quanto mais cedo se iniciarem medidas terapêuticas, mais eficazmente se evitam complicações. Tratamento da aterosclerose Hábitos de vida saudáveis, incluindo uma alimentação saudável e a prática de exercício físico, são medidas preventivas, mas também são o primeiro passo para tratar a aterosclerose . Em alguns casos, estes hábitos podem até ser a única necessidade para resolver o problema e têm um papel fundamental no controlo de todos os fatores de risco cardiovascular; Noutras circunstâncias, medicação ou procedimentos invasivos podem também ser necessários. Tratamento farmacológico Quando necessário, o tratamento farmacológico, ou com medicamentos , inclui mais frequentemente estatinas e outros medicamentos para o colesterol, anti-hipertensivos, antidiabéticos e antiagregantes plaquetários. Estatinas e outros medicamentos para o colesterol As estatinas são geralmente prescritas para baixar o colesterol, melhorar a saúde das artérias e prevenir a aterosclerose. As estatinas são fármacos extremamente seguros, com efeitos secundários muito raros e são muito eficazes na prevenção da progressão da aterosclerose e de eventos cardiovasculares agudos. Há muitos outros tipos de medicamentos que reduzem o colesterol, por exemplo um inibidor de absorção do colesterol chamado ezetimiba. A redução agressiva dos níveis sanguíneos de colesterol de baixa densidade (LDL) — o colesterol mau — pode abrandar, ou mesmo interromper a acumulação de depósitos de gordura nas artérias. Anti-hipertensivos O tratamento adequado da hipertensão arterial também contribuir para retardar a evolução da aterosclerose. Alguns fármacos usados no tratamento da hipertensão parecem terem um efeito anti-aterosclerótico direto . Anti-diabéticos Alguns fármacos usados no tratamento da diabetes – tanto mais clássicos, como a metformina – como mais recentes – designados por i-SGLT2 e a-GTP1 – parecem ter efeitos de estabilização das placas ateroscleróticas . O tratamento adequado de diabetes é essencial para diminuir o risco cardiovascular que lhe está associado pelo efeito direto que os níveis altos de açúcar têm nas artérias. Antiagregantes plaquetários A aspirina e outros fármacos antiagregantes plaquetários têm um papel importante após um enfarte do miocárdio ou um AVC . A sua utilização em doentes estáveis, mas portadores de placas ateroscleróticas é mais controversa e requer uma decisão individualizada. Tratamento invasivo da aterosclerose Em certos casos, são necessárias intervenções mais agressivas para tratar a aterosclerose. Por exemplo, quando há sintomas graves ou um bloqueio ao fluxo de sangue , pode ser recomendada uma angioplastia coronária, uma endarterectomia ou uma cirurgia de bypass das artérias coronárias. Angioplastia coronária Este procedimento, também conhecido por intervenção coronária percutânea, ajuda a abrir uma artéria obstruída . É feito por cardiologistas de intervenção. A artéria afetada é aberta usando um cateter que tem um balão e este é insuflado no local. Por vezes esta abertura com o balão é suficiente, noutros casos é colocado um de malha metálico (ou stent ) para manter a artéria permeável. Endarterectomia A endarterectomia é a remoção cirúrgica de placa aterosclerótica das paredes de uma artéria estenosada (estreitada) . É usado sobretudo nas artérias carótidas e é realizado por cirurgiões vasculares. Cirurgia de bypass das artérias coronárias Na cirurgia de bypass coronário é criado um ‘desvio’ para o fluxo de sangue ultrapassar uma zona das artérias coronárias que esteja obstruída , permitindo assim que o sangue chegue ao território do coração seguinte à obstrução. Para criar o bypass podem ser usados fragmentos de outras artérias, como a artéria mamária interna, a artéria radial ou a veia safena. O bypass coronário é realizado por cirurgiões cardíacos. Prevenção e estilo de vida Os mesmos hábitos de vida saudáveis recomendadas para tratar a aterosclerose também ajudam a preveni-la e a controlar outros fatores de risco cardiovascular. As mudanças de estilo de vida adotando hábitos de vida saudáveis, devem ser enfaticamente recomendadas a todas as pessoas com risco cardiovascular e devem ser implementadas de forma progressiva e controlada . Não fumar O consumo de tabaco é um dos principais fatores de risco cardiovascular e de doença aterosclerótica, além de estar associado a mais risco de cancro do pulmão, da orofaringe e da laringe, entre outros. O risco cardiovascular é proporcional ao número de cigarros fumados, mas não há um número mínimo abaixo do qual não exista risco. Mesmo os fumadores passivos têm um risco aumentado. Só a abstinência total de tabaco garante que este importante fator de risco é eliminado . Não existem ainda dados sobre os efeitos pulmonares e cardiovasculares a longo prazo dos cigarros eletrónicos e do tabaco aquecido. Estes podem ter algum papel quando enquadrados num plano de cessação tabágica, mas não se sabe ainda se estão associados a menor risco cardiovascular do que os cigarros e outras formas de tabaco convencionais. Fazer uma alimentação saudável e equilibrada Uma dieta saudável e equilibrada é fundamental para manter a saúde cardíaca . Na base da dieta devem ser privilegiados alimentos ricos em fibras como as frutas, legumes, leguminosas e cereais integrais; Devem ser restringidos no dia a dia alimentar alimentos que sejam fonte de hidratos de carbono refinados, açúcares, gorduras saturadas e sal. Desta forma, a sua rotina alimentar poderá ajudar a controlar o peso, a pressão arterial, e os níveis de colesterol e de açúcar no sangue. Leia atentamente os rótulos dos alimentos que compra e use-os como guia para verificar a quantidade de sal, açúcares e gorduras que consome. São atribuídas a vários chás e suplementos alimentares propriedades de redução dos níveis de colesterol e pressão arterial, que são dois fatores dos principais fatores de risco cardiovascular que também contribuem para o desenvolvimento de aterosclerose. Aconselhe-se sempre com o seu médico ou nutricionista acerca desses suplementos antes de iniciar qualquer toma, pois alguns podem interagir com medicamentos e provocar efeitos colaterais indesejáveis. Fazer exercício físico regularmente A inatividade física é um fator de risco cardiovascular. Fazer exercício regularmente melhora o fluxo sanguíneo, reduz a pressão arterial e reduz a probabilidade de ocorrerem vários problemas que aumentam o risco de aterosclerose e doenças cardiovasculares. O objetivo é fazer exercício pelo menos 30 minutos na maioria dos dias da semana . A recomendação mais precisa das orientações europeias é de 150-300 minutos de exercício moderado ou 75-150 minutos de exercício intenso por semana. Se não conseguir encaixar tudo numa sessão, tente dividi-la em intervalos de 10 minutos. Outras medidas, por pequenas que sejam, podem dar uma ajuda, por exemplo : Usar as escadas em vez do elevador; Estacionar o carro mais longe do que o habitual; Reservar algum tempo da hora de almoço para andar um pouco na rua, mesmo que junto de casa ou do trabalho; Fazer alguns exercícios, adequados a cada pessoa, enquanto assiste a televisão. Manter um peso saudável O excesso de peso é um fator de risco cardiovascular. Quando há excesso de peso, a perda de peso pode r eduzir o risco de pressão arterial e colesterol elevados , dois dos principais fatores de risco para o desenvolvimento da aterosclerose. Manter a pressão arterial, colesterol e níveis de açúcar saudável dentro dos valores recomendados A hipertensão arterial está associada principalmente a um maior risco de acidente vascular cerebral (ACV), aneurisma e enfarte do miocárdio Todas as medidas preventivas já referidas ajudam a controlar a pressão arterial e os níveis de colesterol e de açúcar no sangue. Quando não são suficientes é necessária orientação médica para o conseguir de outras formas. Não existem valores absolutos e universais recomendados para a pressão arterial e colesterol. O primeiro passo é o de atingir valores para a pressão arterial < 140-90 mmHg, com alvos subsequentes a definir conforme as situações. Por exemplo, em doentes com 18-69 anos o alvo para a pressão sistólica (ou máxima) é de 120-130 mmHg na maioria dos casos. Para o colesterol geralmente pretende-se atingir valores de LDL inferiores a 100 mg/dL, mas nos doentes de muito alto risco (por exemplo nos que já tiveram um enfarte) o alvo pode ser de 55 mg/dL. Quanto à diabetes , o objetivo é de atingir valores de hemoglobina glicada (HbA1c) de 7% na maior parte dos casos, ou mesmo de 6,5% em doentes sem doença cardiovascular e não frágeis. Gerir o stress O stress é também um fator de risco cardiovascular. Descansar o tempo adequado, dormir um sono de qualidade durante um número de horas suficiente, praticar técnicas específicas de relaxamento e respiração ajudam a reduzir os níveis de stress. Em muitos casos uma ajuda profissional específica é uma mais-valia. Leia também: Aterosclerose e fatores de risco cardiovascular Aterosclerose: sintomas e diagnóstico Conheça a equipa clínica de cardiologia da rede Hospital da Luz e faça a marcação da sua consulta Os conteúdos publicados no Guia de Saúde destinam-se ao público em geral e têm apenas finalidade informativa e educativa. Não substituem a avaliação, diagnóstico ou aconselhamento clínico individual por um profissional de saúde. São produzidos ou revistos por médicos e outros profissionais do Hospital da Luz e baseiam-se no conhecimento disponível à data da sua publicação ou última atualização, indicada no início de cada conteúdo.