24 de agosto de 2026 Autora : Catarina Chester (psicologia) A perturbação de hiperatividade e défice de atenção (PHDA) não desaparece na infância. Muitos adultos enfrentam dificuldades significativas que afetam a sua vida pessoal e profissional, muitas vezes sem nunca terem recebido um diagnóstico, o que pode gerar anos de frustração e incompreensão. A avaliação neuropsicológica surge como uma ferramenta fundamental para compreender a raiz destas dificuldades e delinear estratégias de intervenção eficazes. Compreender o funcionamento do cérebro na PHDA Frequentemente, os adultos com PHDA referem sintomas como : Dificuldade em manter a atenção; Desorganização persistente e tendência para a procrastinação; Sensação de ter a "cabeça sempre ativa"; Dificuldade em gerir o tempo e estabelecer prioridades. Além disso, esta condição surge muitas vezes associada a ansiedade, depressão, perturbações do sono, dificuldades de aprendizagem ou problemas com o uso de substâncias. Estes desafios explicam-se por diferenças no funcionamento das redes cerebrais, sobretudo nas áreas ligadas ao controlo da atenção, ao planeamento, à tomada de decisão e à regulação emocional. Não se trata de falta de esforço, mas sim de uma dificuldade real em iniciar, concluir tarefas e manter um desempenho regular . Compreender isto reduz a culpa e aumenta a capacidade de adaptação. Construir um perfil completo Como cada pessoa com PHDA tem um perfil único, a avaliação neuropsicológica permite criar um retrato cognitivo e emocional detalhado para orientar o acompanhamento. Perfil cognitivo: Analisa a atenção (sustentada, seletiva e dividida), as funções executivas (planeamento, organização e controlo inibitório), a memória de trabalho e a velocidade de processamento. Perfil emocional e comportamental: Foca-se na regulação emocional, na impulsividade, na motivação, na persistência e no impacto funcional nas rotinas diárias. O processo de diagnóstico em Adultos O diagnóstico da PHDA é essencialmente clínico, baseado na história dos sintomas e no seu impacto no dia a dia. Receber um diagnóstico na idade adulta pode ser transformador , pois: Dá sentido a dificuldades antigas e reduz sentimentos de inadequação; Permite o acesso a estratégias eficazes; Orienta intervenções específicas, sejam elas psicológicas, cognitivas ou farmacológicas. Em suma, a avaliação neuropsicológica ajuda a transformar dificuldades difusas num plano de ação concreto , contribuindo para um diagnóstico mais preciso, planos de tratamento personalizados e uma melhoria do desempenho académico e profissional. A Importância do treino cognitivo Após a avaliação, os resultados permitem desenhar um plano estruturado de treino cognitivo ajustado a cada pessoa. Esta intervenção ajuda a melhorar a concentração, a desenvolver funções executivas e a reduzir o impacto das dificuldades na rotina. O treino pode incluir diferentes abordagens: Treino direto: Exercícios de atenção sustentada, memória de trabalho e controlo inibitório. Estratégias compensatórias: Uso de agendas, listas, divisão de tarefas em passos simples e técnicas de gestão do tempo. Adaptação do ambiente: Redução de distrações, organização do espaço de trabalho e criação de rotinas consistentes. Estratégias metacognitivas: Aprender a monitorizar o próprio desempenho, identificar momentos de maior distração e ajustar estratégias. Por onde começar? Se sente dificuldades persistentes de atenção ou organização que afetam o seu dia a dia e as suas relações , dar o primeiro passo faz toda a diferença. Pode começar por: Falar com o seu médico ou com um psicólogo; Procurar uma consulta de avaliação neuropsicológica; Informar-se sobre programas de treino cognitivo com profissionais especializados, como neuropsicólogos, psicólogos clínicos ou terapeutas ocupacionais. Quanto mais cedo compreender o seu perfil, mais eficaz será a intervenção. Com a avaliação adequada e o apoio certo, é possível melhorar significativamente o desempenho e a qualidade de vida. Conheça a equipa clínica de psicologia da rede Hospital da Luz. Os conteúdos publicados no Guia de Saúde destinam-se ao público em geral e têm apenas finalidade informativa e educativa. Não substituem a avaliação, diagnóstico ou aconselhamento clínico individual por um profissional de saúde. São produzidos ou revistos por médicos e outros profissionais do Hospital da Luz e baseiam-se no conhecimento disponível à data da sua publicação ou última atualização, indicada no início de cada conteúdo.