26 de setembro de 2024 As glândulas de Bartholin são 2 glândulas muito pequenas, localizadas de cada lado da abertura da vagina, no terço inferior dos grandes lábios. Produzem um líquido que está envolvido na lubrificação vaginal. Quando o canal de drenagem das glândulas fica bloqueado , a secreção produzida pode acumular-se e dar origem à formação de um quisto , que é designado quisto de Bartholin. Os quistos de Bartholin atingem 2% das mulheres com mais de 20 anos. Geralmente é indolor, mas quando é grande por causar desconforto ao andar, sentar ou com a atividade sexual. Quando um quisto de Bartholin infeta pode formar-se um abcesso , condição que é conhecida como bartolinite ou abcesso da glândula de Bartholin . As bartolinites têm por base uma infeção bacteriana , maioritariamente devida a Escherichia coli , mas também podem dever-se a Neisseria gonorrhoeae e Clamydia trachomatis . Não são conhecidos fatores de risco para as bartolinites. Sintomas de bartolinite A bartolinite ou abcesso da glândula de Bartholin manifesta-se principalmente por: Dor e inchaço na área vaginal; Presença de um “caroço” próximo da abertura vaginal; Vermelhidão e calor na área afetada; Dor e dificuldade ao sentar, caminhar, nas relações sexuais; Nos casos de infeção grave pode também haver febre e mal-estar. Estes sintomas requerem cuidados médicos . O não tratamento de uma bartolinite pode levar a o agravamento da infeção e complicações, como infeções generalizadas, dor e desconforto permanente, cicatrização anormal com fibrose e maior probabilidade de recorrência e dor nas relações sexuais. Tratamento da bartolinite O tratamento depende da gravidade do problema e pode ir desde uma abordagem conservadora até cirurgia. Tratamento conservador O tratamento conservador pode incluir: Banhos de assento : em água morna, durante 10-15 minutos, várias vezes por dia, que podem ajudar à drenagem espontânea do abcesso e a aliviar a dor; Compressas quentes : aplicadas área afetada durante 10-15 minutos, várias vezes por dia, que podem ajudar a reduzir a dor e o inchaço, além de promoverem a drenagem natural do abcesso; Analgésicos : pode ser indicada a toma de medicamentos como o ibuprofeno e o paracetamol para controlar a dor e a inflamação, nomeadamente depois da drenagem espontânea do abcesso; Antibióticos : numa fase inicial podem em alguns casos ser prescritos antibióticos para impedir o desenvolvimento do abcesso. Quando prescritos em conjunto com o tratamento cirúrgico diminuem o risco de infeção sistémica. Tratamento cirúrgico O tratamento cirúrgico pode ser: Incisão e drenagem do abcesso , que é feita, geralmente, sob anestesia local. É feita uma incisão para drenar o abcesso e habitualmente é deixado um dreno durante alguns dias para evitar recidivas; Drenagem e marsupialização da glândula de Bartholin , que é feita, geralmente, sob anestesia geral ou locorregional. É feita uma incisão e os seus bordos são suturados à pele para criar uma abertura permanente. Comparativamente à drenagem e colocação de dreno associa-se a um menor desconforto pós-operatório; Excisão da glândula de Bartholin , que é um tratamento que resolve o problema definitivamente uma vez que a glândula é removida. Ao contrário dos anteriores, tem uma taxa elevada de complicações, nomeadamente hemorragia grave. Assim, é realizado quando há insucesso repetido de outras abordagens. O tratamento cirúrgico tem como principais benefícios o alívio rápido da dor e do desconforto, a diminuir do risco de agravamento da infeção e de possíveis complicações sépticas e a diminuição da probabilidade de recorrência. Tem também alguns riscos, entre os quais secura vaginal, dor durante as relações sexuais, hematoma, infeção dos tecidos envolventes (celulite) e cicatrização anormal por cicatrização inadequada ou por formação de tecido cicatricial. Também não é possível excluir a possibilidade de uma recidiva. Após a cirurgia, seguir rigorosamente os cuidados indicados pela equipa clínica promove uma cicatrização adequada, previne infeções e reduz o risco de complicações . Depois da cirurgia de uma bartolinite são sinais de alarme que devem motivar a procura de cuidados médicos: Sinais de infeção local, como aumento da dor, vermelhidão, inchaço, calor, secreção purulenta; Fabre mal-estar geral, náuseas e vómitos: Hemorragia, abertura da ferida cirúrgica ou reaparecimento do “caroço”. Este conteúdo foi escrito pela equipa clínica de Ginecologia-Obstetrícia do Hospital da Luz. Os conteúdos publicados no Guia de Saúde destinam-se ao público em geral e têm apenas finalidade informativa e educativa. Não substituem a avaliação, diagnóstico ou aconselhamento clínico individual por um profissional de saúde. São produzidos ou revistos por médicos e outros profissionais do Hospital da Luz e baseiam-se no conhecimento disponível à data da sua publicação ou última atualização, indicada no início de cada conteúdo.