19 de março de 2019 O que é uma biópsia hepática? Uma biópsia hepática é um procedimento de diagnóstico em que é colhida, com uma agulha apropriada para o efeito (uma agulha de biópsia com cerca de 1,5 mm de calibre), uma pequena amostra de fígado. Essa amostra destina-se a uma avaliação posterior, através de microscopia. A biópsia hepática pode ser realizada por 3 vias que diferem entre si na abordagem usada para a agulha de biópsia atingir o fígado: Laparoscópica; Transvenosa; Percutânea (mais frequente). Como é realizada uma biópsia hepática percutânea? O doente é colocado em decúbito dorsal (de barriga para cima) com o braço direito virado para cima e colocado junto à cabeça. A agulha de biópsia é inserida na parede abdominal direita, entre as duas últimas costelas. Antes inserir a agulha, o médico determina o local exato para o fazer, por palpação e percussão e, seguidamente, marca-o. Depois da anestesia desse local é realizada uma pequena incisão , inserida a agulha de biópsia e obtida, rapidamente, uma ou mais amostras de tecido hepático. É necessária alguma preparação? O médico deve ser informado antecipadamente sobre alergias, outras doenças presentes ou medicações em curso. Em muitos casos será necessário suspender ou alterar medicações , cerca de uma semana antes de realizar uma biópsia hepática. As instruções específicas de preparação que são dadas pelo médico devem ser seguidas escrupulosamente , sob pena de não ser possível realizar a biópsia hepática ou de aumentar os seus riscos. Quanto tempo demora? A realização de uma biópsia hepática percutânea demora em média cerca de 30 minutos . É feita em regime de internamento e normalmente, o doente tem alta hospitalar passadas 24 horas. Em que situações é realizada? A decisão sobre a necessidade de realizar qualquer exame é sempre tomada pelo médico, em função das características individuais de cada doente e das suas queixas ou doença. A realização de uma biópsia hepática pode ser aconselhada para diagnóstico de diversas lesões e doenças que afetam o fígado e/ou as vias biliares . Normalmente, vem na sequência de outros exames complementares, não conclusivos ou que requeiram algum esclarecimento adicional . A biópsia hepática é também usada no estadiamento de doenças hepáticas , ou seja, na determinação do grau de evolução de lesões hepáticas, para orientação de terapêutica. Além de objetivos de diagnóstico, a biópsia hepática pode também ser usada para monitorização : Da eficácia de uma terapêutica hepática; De efeitos secundários ou tóxicos conhecidos de uma terapêutica a nível do fígado; Da eficácia de um transplante. Biópsia hepática percutânea: há limitações? A biópsia hepática é um procedimento que pode falhar lesões e diagnósticos , mesmo com um exame tecnicamente correto. A biópsia hepática pode ter as contraindicações abaixo mencionadas, entre outras: Alterações da coagulação do sangue; Suspeita de hemangioma e equinococose. No caso de acumulação de líquido na cavidade abdominal, a biópsia hepática não deve ser realizada por via percutânea . Existem efeitos secundários, riscos ou complicações associados? Em média, a recuperação de uma biópsia hepática percutânea está completa passados 1 a 2 dias . No entanto, pode persistir durante algum tempo uma sensibilidade acrescida no local da biópsia. O efeito secundário mais comum da biópsia hepática percutânea é dor no local da biópsia , que desaparece passadas algumas horas. Embora raros, entre os riscos e complicações possíveis, incluem-se: Hemorragia, (1 em 500/1 000); Perfuração de órgãos internos; Infeção; Pneumotórax; Disseminação de células cancerosas; Morte (1 em 10 000/20 000). A maioria das complicações da biópsia hepática percutânea ocorre nas 24 horas seguintes ao procedimento . Deve contactar o seu médico , caso nos dias seguintes à realização de uma biópsia hepática percutânea, tenha: Febre; Dor persistente; Vermelhidão ou corrimento no local da biópsia; Dor no peito; Dificuldade respiratória; Tonturas; Náuseas; Dor abdominal forte. Para reduzir o risco de ocorrência de complicações é f undamental que o médico esteja informado sobre alergias, outras doenças presentes ou tratamentos em curso. Durante os dias seguintes ao procedimento devem ser evitadas atividades físicas ou esforços intensos. Nos hospitais e clínicas da rede Hospital da Luz, pode encontrar médicos gastrenterologistas especialistas no diagnóstico e tratamento das doenças digestivas. Poderá também, realizar os exames necessários para a sua situação. Este artigo foi escrito com o apoio dos médicos e outros profissionais clínicos da Rede Hospital da Luz . Os conteúdos publicados no Guia de Saúde destinam-se ao público em geral e têm apenas finalidade informativa e educativa. Não substituem a avaliação, diagnóstico ou aconselhamento clínico individual por um profissional de saúde. São produzidos ou revistos por médicos e outros profissionais do Hospital da Luz e baseiam-se no conhecimento disponível à data da sua publicação ou última atualização, indicada no início de cada conteúdo.