12 de novembro de 2021 Autor : João Magalhães Pina O cancro da próstata é a tumor maligno mais frequente nos homens com mais de 50 anos de idade e é a segunda causa de morte por cancro nesta faixa etária. O diagnóstico definitivo do cancro da próstata implica a análise pela anatomia patológica de uma amostra de tecido deste órgão, que é obtida por biopsia. Ecografia e biopsia da próstata Mais frequentemente, a biopsia da próstata é feita por via transretal e guiada por ecografia. A ecografia é uma técnica de imagem que permite ter uma boa visualização da próstata e em tempo real, mas, na maioria dos casos, não permite distinguir a zona do cancro . A biopsia guiada por ecografia é assim dirigida à próstata (as amostras são distribuídas por todo o órgão) e não a uma lesão suspeita em particular. Por isso é referido que é uma biopsia “cega” . Apesar serem obtidas várias amostras, de modo a estas sejam representativas da totalidade do órgão, o facto de se tratar de uma biopsia “cega” está relacionado com uma maior taxa de sub-deteção da doença devido a resultados falsos negativos, ou seja, as amostras obtidas podem não incluir tecido do tumor. Ressonância magnética e biopsia da próstata O uso de imagens de ressonância magnética revolucionou a forma de visualizar a próstata. A ressonância magnética permite avaliar a estrutura do órgão com mais detalhe; Consegue detetar áreas com um aspeto fortemente sugestivo de cancro. Além disso, a ressonância magnética identifica apenas cancros mais agressivos, o que não é uma limitação, mas sim uma vantagem significativa. Os cancros indolentes sem agressividade ou potencial de progressão não se conseguem visualizar nas imagens de ressonância magnética e por isso se evita o sobrediagnóstico e sobretratamento. As imagens de ressonância magnética permitem assim dirigir a biopsia para as áreas suspeitas . Assim, comparativamente à ecografia, a ressonância magnética aumenta muito a probabilidade de detetar e de diagnosticar um cancro da próstata com agressividade biológica, isto é, com potencial de vir a evoluir, metastizar e ser causa de morte. Biopsia da próstata por fusão de imagem Não é viável, por razões técnicas e logísticas, realizar uma biopsia dentro de um equipamento de ressonância magnética. Por isso, as imagens de ressonância magnética não podem ser obtidas em tempo real, isto é, simultaneamente à realização da biopsia. No entanto, a evolução tecnológica permitiu fundir as imagens de ressonância magnética com imagens de ecografia obtidas em tempo real . Foram assim desenvolvidas as biópsias por fusão de imagem : Usam imagens de ressonância magnética e imagens de ecografia tirando partido das vantagens das duas técnicas de imagem : a sensibilidade e especificidade da ressonância magnética e a imagem em tempo real da ecografia. Enquanto navega com a sonda de ecografia, o médico está ao mesmo tempo a ver as imagens de ressonância magnética. Dirige então a agulha de biopsia às áreas suspeitas, com maior certeza de precisão . A biopsia prostática por fusão de imagem pode ser feita por duas vias: Transretal , ou seja, através do reto; Transperineal , ou seja, através do períneo que é a zona localizada entre o saco escrotal e o ânus. A utilização da via transperineal permite reduzir significativamente a taxa de infeção associada às biópsias transretais clássicas. Esta via de abordagem é hoje recomendada internacionalmente como preferencial. A biopsia prostática por fusão de imagem pode ser realizada tanto com anestesia local como sob sedação , que permitem reduzir os níveis de ansiedade do doente e melhorar a sua adesão à realização do exame. De acordo com as guidelines da European Association of Urology , está indicada a realização de biópsia dirigida por fusão de imagem sempre que se encontrem alterações na ressonância magnética que a justifiquem (lesões PiRADS ≥ 3), preferencialmente utilizando a abordagem transperineal. Conheça a equipa clínica de urologia da rede Hospital da Luz e faça a marcação da sua consulta Os conteúdos publicados no Guia de Saúde destinam-se ao público em geral e têm apenas finalidade informativa e educativa. Não substituem a avaliação, diagnóstico ou aconselhamento clínico individual por um profissional de saúde. São produzidos ou revistos por médicos e outros profissionais do Hospital da Luz e baseiam-se no conhecimento disponível à data da sua publicação ou última atualização, indicada no início de cada conteúdo.