1 de março de 2019 Como é feito um bypass coronário? O bypass coronário é um procedimento cirúrgico de revascularização do miocárdio (músculo do coração) que pode ser realizado por: Cirurgia aberta: usa uma incisão ao longo da linha média do tórax com cerca de 15 cm e que inclui o esterno (esternotomia); Apoio por cirurgia robótica: são usadas pequenas incisões para os instrumentos acoplados aos braços robóticos do sistema chegarem ao coração. Quais são as particularidades do bypass coronário robótico? Existem vários tipos de abordagem na cirurgia de revascularização coronária com apoio de robótica, dependendo da experiência e da escola cirúrgica da equipa. Com a técnica designada Robotic Assisted Minimally Invasive Coronary Artery bypass (MIDCAB), o robot é utilizado na: Preparação da artéria mamária interna esquerda; Pericardiectomia; Pesquisa; Preparação do vaso onde será feita anastomose ( bypass ). O processo implica 3 pequenas incisões, com cerca de 1 cm, para acesso dos braços robóticos à cavidade torácica esquerda. O bypass é feito sob visualização direta do coração, através de uma minitoracotomia esquerda, com 7 a 10 cm e com o coração a bater. Deste modo, evita-se não só a esternotomia , como também o recurso a circulação extracorporal. Em comparação à cirurgia aberta, o bypass coronário com apoio robótico tem as seguintes vantagens: Evitar a esternotomia: os doentes que realizam uma esternotomia (cirurgia aberta) só podem voltar a conduzir, em média, 4 a 6 semanas depois da intervenção. Por outro lado, em muitos casos, alguns sintomas associados à esternotomia, como dores torácicas, osteoarticulares e musculares, só desaparecem passados 2 a 3 meses; Incisão mais pequena: como em todos os procedimentos cirúrgicos, tal está associado a menos problemas relacionados com a ferida operatória, nomeadamente, deiscência (reabertura da ferida) ou infeção; Menos dor a médio e longo prazo; Menores necessidades transfusionais; Menor risco de infeção local ou generalizada; Menor período de internamento; Retorno mais rápido às atividades diárias; Cicatrizes operatórias menos visíveis. A técnica Robotic Assisted Minimally Invasive Coronary Artery bypass (MIDCAB) usa apoio de robótica em diversas fases para minimizar a agressão e o trauma cirúrgico. A quem se pode destinar o bypass coronário robótico realizado com esta técnica? Doentes com doença exclusiva da artéria descendente anterior; Doentes com doença de 2 ou mais vasos mas em que se considere que a abordagem minimamente invasiva é uma mais-valia pela minimização do risco; Doentes com doença de 2 ou mais vasos, passíveis de terapéutica híbrida, ou seja, abordagem cirúrgica para revascularização coronária da artéria descendente anterior. Esta terá de ser complementada por uma abordagem da cardiologia de intervenção para tratar as lesões dos vasos restantes com a colocação de stents. Este artigo foi escrito com o apoio dos médicos e outros profissionais clínicos da Rede Hospital da Luz. Os conteúdos publicados no Guia de Saúde destinam-se ao público em geral e têm apenas finalidade informativa e educativa. Não substituem a avaliação, diagnóstico ou aconselhamento clínico individual por um profissional de saúde. São produzidos ou revistos por médicos e outros profissionais do Hospital da Luz e baseiam-se no conhecimento disponível à data da sua publicação ou última atualização, indicada no início de cada conteúdo.