6 de março de 2019 Autor : Kris Maes A bexiga é um órgão oco e distensível que faz parte do sistema urinário. Está ligada aos rins pelos ureteres e a sua função é armazenar a urina produzida , até que esta seja eliminada para o exterior através da uretra. O consumo de tabaco é o principal fator de risco para o desenvolvimento do cancro da bexiga. Outros fatores de risco são: Exposição a alguns compostos químicos; Existência de história pessoal ou familiar de cancro da bexiga. A maioria dos cancros da bexiga tem origem no revestimento interno deste órgão, que se designa urotélio. Quais são os principais sintomas do cancro da bexiga? O cancro da bexiga pode ter sintomas similares aos de outras doenças como, por exemplo, uma infeção. Assim, o diagnóstico do cancro da bexiga requer uma avaliação médica detalhada e a realização de exames complementares de diagnóstico. Entre os sintomas que podem estar associados ao cancro da bexiga, encontram-se os seguintes: Presença de sangue na urina; Urgência urinária; Necessidade de urinar mais vezes do que o habitual; Perceção de necessidade de esvaziar a bexiga sem qualquer resultado; Necessidade de fazer força para conseguir esvaziar a bexiga; Dor durante a micção. O cancro da bexiga atinge mais homens ou mulheres? O carcinoma do urotélio é o tipo de tumor da bexiga mais comum, representando cerca de 90% dos casos, tanto na Europa como nos Estados Unidos. O cancro da bexiga é mais frequente nos homens do que nas mulheres, com uma relação de cerca de 3 casos para 1. Considerando a frequência de todas as formas de cancro, nos homens ocupa o 7º lugar e nas mulheres ocupa o 15º. Como se trata o cancro da bexiga? A escolha do tratamento a realizar para o cancro da bexiga depende de diversos fatores, por exemplo: Tipo e localização do tumor; Nível de invasão da parede da bexiga; Tecidos envolventes; Disseminação para outros tecidos ou órgãos; Idade do doente; Estado geral do doente; Particularidades de cada caso. O tratamento do cancro da bexiga pode envolver: Cirurgia; Quimioterapia; Radioterapia; Terapêutica biológica. Cirurgia no cancro da bexiga O tratamento de eleição, tanto na doença superficial de risco elevado, como no cancro com invasão da camada muscular da bexiga não metastizado é a cistectomia radical (remoção cirúrgica da bexiga). A extensão da cirurgia aos órgãos vizinhos está relacionada com a dimensão do tumor, a invasão dessas estruturas e o sexo do doente. Normalmente, é realizada também a remoção dos gânglios linfáticos pélvicos (linfadenectomia pélvica). Nos homens , a cistectomia radical inclui a remoção cirúrgica da bexiga, próstata e vesículas seminais. No caso das mulheres , inclui a remoção cirúrgica da bexiga, útero e zona superior da vagina. O que acontece depois da remoção da bexiga? Uma vez que a bexiga é removida, torna-se necessário criar um novo local para armazenamento da urina. Este procedimento é designado derivação urinária e envolve a utilização de um segmento de intestino delgado ou de intestino grosso. Dependendo da extensão do tumor, da idade do doente e das suas preferências, pode ser realizada uma derivação urinária por conduto ileal ou uma r econstrução da ileal da bexiga (bolsa). Assim: A urina pode ser direcionada através de um canal formado com o segmento de intestino para uma abertura criada na superfície da pele, que se designa estoma . Depois, aplica-se ao estoma um saco destinado a armazenar a urina, que o doente esvazia sempre que necessário; É criado um reservatório sob a pele construído a partir do segmento de intestino. A urina formada é armazenada neste reservatório e este é esvaziado com um cateter (tubo fino). Neste caso, não é necessário que o doente use um saco exterior para armazenar a urina; É criada uma nova bexiga , a partir do segmento de intestino, que é ligada à uretra e permite que o doente urine normalmente. O papel da robótica na cirurgia do cancro da bexiga Habitualmente, a cirurgia do cancro da bexiga é realizada por via aberta . No entanto, em muitos casos, já se usa a laparoscopia assistida por robot . Atualmente, muitos centros em toda a Europa realizam todo o procedimento sem necessidade de uma grande incisão. Na cistectomia radical minimamente invasiva (assistida ou não por cirurgia robótica), o objetivo é obter resultados oncológicos semelhantes aos da via aberta. Assim, diminuem as complicações pós-operatórias potenciais e o período de recuperação. O interesse dos urologistas com experiência em cirurgia robótica pela cistectomia laparoscópica assistida por robot tem aumentado nos últimos anos. Com efeito, a visão tridimensional e os instrumentos com articulação intracorporal diminuem significativamente a complexidade do procedimento totalmente laparoscópico, com vantagens para os doentes. Conheça a equipa de urologia da rede Hospital da Luz e faça a marcação da sua consulta Os conteúdos publicados no Guia de Saúde destinam-se ao público em geral e têm apenas finalidade informativa e educativa. Não substituem a avaliação, diagnóstico ou aconselhamento clínico individual por um profissional de saúde. São produzidos ou revistos por médicos e outros profissionais do Hospital da Luz e baseiam-se no conhecimento disponível à data da sua publicação ou última atualização, indicada no início de cada conteúdo.