11 de junho de 2021 Autora : Rita Ramos Pinheiro O cancro cutâneo , tal como outra neoplasia maligna, resulta de alterações da multiplicação e ciclo de vida celular. É um dos cancros mais frequentes. Melanoma e cancro da pele não são sinónimos: Melanoma é um tipo de cancro da pele. Tem origem nos melanócitos, células que são responsáveis pela pigmentação da pele e se encontram na região mais profunda da epiderme. O melanoma é o cancro da pele mais conhecido e mais agressivo , embora não seja o mais frequente; Cancro da pele não melanoma é a designação usada para referir os outros tipos de cancro cutâneo, que têm origem noutras células da epiderme que não os melanócitos. São tumores de crescimento mais lento e menos agressivos . Cancro da pele não melanoma No grupo do cancro cutâneo não melanoma há dois tipos principais: Carcinoma basocelular ou basalioma , o menos grave, representa 65% dos casos; Carcinoma espinocelular ou de células escamosas , representa 25% dos casos. Relacionadas com o carcinoma espinocelular há que referir as queratoses actínicas. Estas são lesões cutâneas comuns, pré-malignas e que têm risco, embora baixo, de progressão para carcinoma espinocelular. Carcinoma basocelular ou basalioma Este é o tipo de cancro de pele mais comum . Os carcinomas basocelulares podem ter uma apresentação clínica muito variável, incluindo. Um nódulo de aparecimento recente; Uma mancha vermelha ou escura; Uma ferida que sangra e não cicatriza. Podem localizar-se em qualquer zona do corpo, mas predominam na cabeça, pescoço e tronco. A maioria destes tumores malignos não provoca sintomas . Se não forem tratados, os carcinomas basocelulares podem-se tornar invasivos em profundidade, com destruição local dos tecidos. No entanto, só raramente metastizam para tecidos ou órgãos distantes. Assim, na sua maioria, são tumores malignos pouco agressivos , tratáveis por cirurgia e que não colocam a vida em risco. Carcinoma espinocelular ou de células escamosas Este tipo de cancro da pele aparece principalmente em áreas da pele expostas ao sol de forma crónica ou em locais sujeitos a inflamação crónica, como queimaduras, feridas crónicas ou cicatrizes antigas. A apresentação clínica é variável incluindo: Um nódulo vermelho, duro com crosta ou escama grossa; Uma placa rosada com escama; Uma úlcera (ferida). Os carcinomas espinocelulares podem não provocar sintomas, originar dor local ou sangrar . Podem eventualmente metastizar , pondo em risco a vida. A recorrência local e metastização para gânglios linfáticos ou outros órgãos pode acontecer numa minoria de doentes, sobretudo os que têm a sua doença numa fase mais avançada. Queratoses actínicas As queratoses actínicas são discretas manchas ou placas ásperas e descamativas que aparecem em zonas mais expostas a dano solar ao longo dos anos. São muito frequentes em áreas da pele expostas e podem estar presentes em número considerável. Quando são removidas pelo próprio podem quase desaparecer, mas reaparecem, dias depois, no mesmo local. São consideradas lesões pré-malignas com risco baixo de transformação em carcinoma espinocelular. A sua localização na mucosa do lábio inferior, que tem o nome de queilite actínica, tem características particulares pelo potencial de transformação maligna. Causas de cancro da pele não melanoma A causa mais comum do cancro cutâneo não melanoma é a exposição à radiação ultravioleta , seja solar ou de outras origens. Esta radiação provoca lesões das células da epiderme, que se começam a multiplicar de forma descontrolada. Têm maior risco de desenvolver cancro de pele não melanoma as pessoas: De pele clara e com tendência para fazer queimaduras (escaldão); Que têm fortes hábitos de exposição solar ao longo da vida, seja em contexto de lazer ou profissional (trabalhadores ao ar livre), Com diagnóstico prévio de cancro cutâneo; Imunodeprimidas e transplantadas. Com exceção de algumas síndromes raras, geralmente os carcinomas basocelulares e espinocelulares não são hereditários. Tratamento A maioria dos cancros cutâneos não melanoma tem um crescimento lento e um tratamento cirúrgico simple s. No entanto, é fundamental o seu diagnóstico precoce . Por isso, embora estes tipos de cancro tenham uma apresentação clínica é variável, é muito importante que sejam procurados médicos quando se deteta alguma alteração numa lesão ou sinal, como aumento de dimensões, hemorragia, ausência de cicatrização ou mudança de aspeto. Os doentes com história pessoal de cancro cutâneo têm um risco acrescido de desenvolver novos tumores de pele, pelo que devem manter uma vigilância regular em consulta de dermatologia e fazer a sua autovigilância. Quando o cancro da pele não melanoma é diagnosticado numa fase precoce, o tratamento cirúrgico envolve retirar o tumor e uma margem de pele saudável, geralmente com anestesia local. O tratamento pode ser mais complexo: Para alguns subtipos de tumores e dependendo da sua localização; Nos casos mais avançados, quando há um atraso grande entre o aparecimento do tumor e a procura de cuidados médicos. Prevenção do cancro da pele A proteção do sol é essencial para prevenção de qualquer tipo de cancro da pele, devendo ser adotadas as seguintes medidas gerais : Evitar a exposição solar direta no período entre as 11h00 e as 17h00; Aplicar regularmente um creme fotoprotetor (fator de proteção 50+) nas áreas de pele expostas e repetir a aplicação a cada 2 horas ou mais frequentemente se tomar banho ou suar; Usar chapéu e vestuário que oferecem proteção adicional ao fotoprotetor; Não frequentar solários. Conheça a equipa de dermatologia da rede Hospital da Luz e faça a marcação da sua consulta Os conteúdos publicados no Guia de Saúde destinam-se ao público em geral e têm apenas finalidade informativa e educativa. 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