23 de outubro de 2025 Autor : João Casanova (ginecologia-obstetrícia) O cancro da vulva é um dos cancros ginecológicos mais raros. Representa 3%-5% dos casos de cancro ginecológico . Afeta principalmente as mulheres depois a menopausa e com mais de 60 anos. Muitas vezes é grave porque é diagnosticado em fases avançadas da doença. Está muito relacionado com a infeção pelo vírus do papiloma humano (HPV). O que é, causas e fatores de risco para o cancro da vulva O cancro da vulva desenvolve-se na região genital externa feminina , que inclui os grandes e os pequenos lábios vulvares, o clitóris e a entrada na vagina (ou vestíbulo vaginal), quando há um crescimento descontrolado de células dos seus tecidos. Há vários tipos de cancro da vulva , conforme as células que lhe dão origem. O mais comum chama-se carcinoma de células escamosas e representa 90% dos casos. As causas de cancro da vulva não estão completamente esclarecidas, mas sabe-se que tem uma relação importante com a infeção por HPV . A idade é um fator de risco importante. O cancro da vulva atinge principalmente mulheres depois da menopausa e com mais de 60 anos; No entanto, também pode ocorrer em mulheres mais jovens, principalmente relacionado com a infeção por HPV. Entre os fatores que aumentam o risco de ter cancro da vulva está a história pessoal de: Infeção por HPV, que é transmitida por via sexual; Outras infeções sexualmente transmissíveis; Doenças crónicas da pele da zona genital, como o líquen escleroso; Lesões pré-malignas na região vulvar; Outros cancros ginecológicos; Tabagismo e história familiar de cancro da vulva e outros cancros ginecológicos são também fatores de risco importantes. Sintomas e diagnóstico Como em qualquer doença oncológica, quando mais cedo for diagnosticado um cancro da vulva, maior é a probabilidade de cura . Os tratamentos serão menos invasivos e mais simples, e a sua eficácia maior, o que tem implicações importantes no bem-estar e qualidade de vida, incluindo em termos de sexualidade e autoestima feminina. Os sintomas de cancro da vulva dependem da localização e da fase da doença. Mais frequentemente, na fase inicial, o cancro da vulva provoca sintomas locais como : Comichão (prurido) persistente; Ardor, dor ou sensibilidade aumentada; Feridas que não cicatrizam; Corrimento anormal; Hemorragia anormal; Dor durante as relações sexuais; Alterações da cor e da textura da zona genital. Nódulo ou massa que se identifica por palpação. Uma vez que estes sintomas não são específicos de cancro da vulva e podem estar relacionados com muitos outros problemas, alguns que até se resolvem por si e que não têm importância, é comum serem confundidos e desvalorizados pela mulher. É esta a razão que explica o facto de o cancro da vulva ser diagnosticado com frequência em fases tardias da doença. O diagnóstico do cancro da vulva baseia-se: Na história relatada pela doente; Num exame ginecológico detalhado; Na avaliação laboratorial de lesões suspeitas que possam estar presentes para verificar se estão presentes células cancerosas; Nos resultados de análises e de exames de imagem que se considerem necessários em cada caso. Tratamento e prevenção do cancro da vulva O tratamento do cancro da vulva depende: Tipo de tumor e sua localização; Fase da doença; Particularidades e desejos de cada mulher. Quase sempre envolve cirurgia e radioterapia . A realização de quimioterapia está muito relacionada com a fase da doença, principalmente se está ou não localizada. Imunoterapia e outras modalidades de tratamento são opções mais recentes e, tal como as restantes, a sua aplicação é avaliada caso a caso. Prevenir o cancro da vulva é, principalmente reduzir a importância dos fatores de risco : A vacinação contra o HPV é uma das medidas mais importantes. A vacinação das raparigas faz parte do programa nacional de vacinação (PNV) português desde 2008, mas muito antes desta data já era aconselhada pelos pediatras. Atualmente, a vacinação dos rapazes nascidos a partir de 2009 está contemplada no PNV. Para os nascidos antes desta data, a vacina pode ser aconselhada até aos 26 anos. Evitar infeções sexualmente transmissíveis usando preservativo nas relações sexuais; Manter cuidados de higiene íntima adequados; Não fumar; Manter uma vigilância ginecológica regular e procurar cuidados médicos em caso dúvida ou sinais suspeitos. Resumindo, o cancro da vulva: Pode ser uma doença grave quando só é identificado em fases avançadas; É curável quando é identificado precocemente; Há medidas de prevenção a aplicar. Além disso, conhecer os sinais e sintomas que podem estar relacionados com cancro da vulva, estar atenta, manter a vigilância médica regular e procurar aconselhamento médico se surgir alguma dúvida, é o melhor que cada mulher pode fazer para se proteger. Conheça a equipa clínica de ginecologia-obstetrícia da rede Hospital da Luz. Os conteúdos publicados no Guia de Saúde destinam-se ao público em geral e têm apenas finalidade informativa e educativa. Não substituem a avaliação, diagnóstico ou aconselhamento clínico individual por um profissional de saúde. São produzidos ou revistos por médicos e outros profissionais do Hospital da Luz e baseiam-se no conhecimento disponível à data da sua publicação ou última atualização, indicada no início de cada conteúdo.