8 de janeiro de 2026 Autor : João Casanova (ginecologia-obstetrícia) Globalmente, o cancro cervical, ou do colo do útero , é o quarto cancro mais comum nas mulheres. Em 2022 foram diagnosticados cerca de 660 mil novos casos; Morreram cerca de 350 mil mulheres devido a esta doença. No entanto, a incidência e mortalidade desta doença não têm uma distribuição mundial homogénea. São afetadas pelo cancro cervical principalmente as mulheres que vivem em países menos desenvolvidos e em zonas de conflito onde: Não estão existem ou não são cumpridos os programas de rastreio do cancro do colo do útero e a vacinação conta o vírus do papiloma humano (HPV) ; O acesso aos cuidados de saúde adequados quando a doença é diagnosticada é difícil. Na Europa o cancro do colo do útero ocupa hoje o 13º lugar, sendo o cancro do endométrio o quarto cancro mais comum nas mulheres. De acordo com a Organização Mundial de Saúde, para eliminar o cancro do colo do útero ainda no século XXI todos os países do mundo têm de ter uma incidência inferior a 4 casos por 100 mil mulheres, para o que é necessário que em 2030: 90% das raparigas sejam vacinadas contra o HPV antes dos 15 anos; 70% das mulheres sejam rastreadas aos 35 e aos 45 anos; 90% das mulheres com lesões pré-malignas e 90% das mulheres com cancro invasivo sejam tratadas e controladas. Tipos de cancro do colo do útero O colo do útero, ou cérvix, é a zona que faz a transição entre a cavidade ou corpo do útero e a vagina. Tem principalmente dois tipos de células: Glandulares, que são mais importantes na abertura do colo do útero para a cavidade deste órgão; Escamosas, que são mais importantes na abertura do colo do útero para a vagina. Há dois tipos principais de cancro cervical: Carcinoma de células escamosas , que representa cerca de 90% dos casos e que tem origem nas células escamosas. Adenocarcinoma , que tem origem nas células glandulares. Causas e fatores de risco Quase todos os cancros do colo do útero se devem a infeção pelo HPV . Este vírus é responsável pela infeção sexualmente transmissível mais frequente e estima-se que 90% das mulheres e homens não vacinados e sexualmente ativos fiquem infetados por HPV ao longo da vida. A faixa etária dos 35-64 anos é aquela em que se regista o maior número de casos. No entanto, o cancro do colo do útero pode afetar mulheres de qualquer idade, sendo mais raro nas que têm menos de 20 anos. Outros fatores de risco para o cancro do colo do útero são, por exemplo : Não vacinação contra o HPV nas idades preconizadas; Não realização dos rastreios regulares; Relações sexuais não protegidas; Múltiplos parceiros sexuais; Ocorrência de infeções sexualmente transmissíveis além de HPV; Debilidade do sistema imunitário; Maior número de partos; Idade jovem de início da atividade sexual e ao primeiro parto; Realização de contraceção hormonal; Consumo de tabaco. Sintomas e tratamento É comum que as pessoas infetadas pelo HPV não tenham sintomas durante muitos anos. O cancro do colo do útero e outras formas de cancro causadas pelas variedades carcinogénicas de HPV pode desenvolver-se apenas 15-20 anos depois da infeção ter acontecido. Na fase inicial da doença, o cancro cervical pode não provocar quaisquer sintomas . Os sintomas que podem estar relacionados com esta doença (mas também com outras) e que devem sempre levar à procura de cuidados médicos são : Hemorragias vaginais fora do período menstrual nas mulheres em idade fértil, nas mulheres depois da menopausa ou depois das relações sexuais; Aumento do corrimento vaginal ou alterações do aspeto ou odor; Dor ou desconforto vaginal, na região abdominal e pélvica, nas costas ou pernas; Perda de peso, cansaço, falta de apetite sem causa que os possa explicar. Quando é diagnosticado precocemente o cancro do colo do útero é quase sempre curável. O tratamento envolve em geral cirurgia , por vezes com remoção do útero (histerectomia). Dependendo da fase da doença, extensão a outros órgãos e tecidos, tipo de tumor e particularidades de cada mulher pode ser necessário envolver outras modalidades de tratamento, por exemplo radioterapia, quimioterapia, hormonoterapia ou imunoterapia. Prevenção do cancro do colo do útero O cancro do colo do útero pode ser prevenido: A vacinação das raparigas e rapazes contra o HPV antes do início da atividade sexual é a base da prevenção. Em Portugal, a vacinação contra o HPV faz parte do programa nacional de vacinação . Reduzir a exposição ao vírus evitando comportamentos de risco é importante: Usar preservativo nas relações sexuais; Não ter múltiplos parceiros sexuais e evitar atividade sexual precoce. Esta doença é curável quando é detetada nas suas fases iniciais: A realização dos rastreios nas idades preconizadas ao longo da vida das mulheres permite identificar infeções (através do teste HPV), células alteradas (através do teste de Papanicolau) e lesões pré-malignas. Fontes European Cancer Information System. Cancer Factsheets in EU-27 countries – 2022 . World Health Organization. Cervical cancer . Conheça a equipa clínica de ginecologia-obstetrícia da rede Hospital da Luz. 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