18 de maio de 2023 Autor : João Casanova O cancro do endométrio, carcinoma do endométrio ou cancro do útero é o cancro ginecológico mais comum. O útero pode ser dividido em duas partes principais: Uma porção superior, ou corpo do útero , revestida internamente pelo endométrio, tecido que sofre transformações cíclicas ao longo da vida fértil (entre a primeira menstruação e a menopausa) por efeitos hormonais (de estrogénios e progesterona). O corpo do útero forma uma cavidade oca e aloja o feto durante a gravidez. A expressão cancro do útero refere-se ao cancro do corpo do útero com origem no endométrio. Há outras formas de cancro do corpo do útero além do cancro do endométrio. Uma zona inferior, o colo do útero ou cérvix , que faz a transição entre o corpo do útero e a vagina. Em condições normais mantém-se fechado, protegendo a cavidade uterina, e nas mulheres grávidas dilata-se na altura do parto para permitir a expulsão do feto. Também há cancros com origem nesta zona, chamando-se neste caso cancro do colo do útero ou cancro cervical. Tipos de cancro do endométrio O cancro do endométrio acontece quando as células sofrem mutações, ficam alteradas e multiplicam-se de forma descontrolada. Há vários tipos de cancro do endométrio, que se baseiam na aparência microscópica das células: O adenocarcinoma é o mais comum , tem origem nas células das glândulas do endométrico e tem vários subtipos, o endometrioide é o mais frequente. Entre outros tipos estão, por exemplo, o carcinosarcoma uterino, os carcinomas de células escamosas, de pequenas células, de células de transição, seroso, de células indiferenciadas. Além de especificar o tipo de cancro do endométrio, a observação microscópica também determina o grau do tumor (1 a 3), que está relacionado com proporção de células alteradas e com a gravidade da doença. Quando maior o grau, mais células estão alteradas e mais avançada e grave é a doença. Causas e fatores de risco O cancro do endométrio parece estar relacionado com níveis elevados de estrogénios . A idade é um fator de risco para esta doença que afeta principalmente as mulheres mais velhas, principalmente depois da menopausa, embora possa ocorrer noutras idades. Outros fatores de risco podem aumentar a probabilidade de vir a desenvolver cancro do endométrio, entre os quais: História familiar de cancro do endométrio, história familiar ou pessoal de outros cancros ginecológicos ou de cancro da mama; Mutação genética hereditária responsável pela síndrome de Lynch; Excesso de peso, obesidade, aumentos e perdas de peso pronunciadas e repetidas ao longo dos anos; Desequilíbrios dos níveis de hormonas sexuais com aumento dos estrogénios, por exemplo em doenças como o cancro do ovário e a síndrome do ovário poliquístico; Terapêutica hormonal de substituição apenas com estrogénios; Radioterapia pélvica e alguns tratamentos de quimioterapia; Vida fértil prolongada (puberdade precoce e menopausa tardia); Nunca ter engravidado; Dietas calóricas e de alto teor de gordura e sedentarismo, tanto através dos seus efeitos no peso, como por efeitos diretos. Sintomas e diagnóstico Não há sintomas específicos de cancro do endométrio e qualquer um dos seguintes deve sempre levar a que se procurem cuidados médicos. Uma hemorragia vaginal anormal: Que ocorra já depois da menopausa; Entre as hemorragias menstruais normais na idade fértil; Ou mesmo menstruações muitos mais abundantes que o habitual. Dor pélvica e/ou durante as relações sexuais; Um corrimento vaginal anormal; Sangue na urina; Perda de peso sem explicação que a justifique; Perceção da presença de uma massa pélvica. Além de sintomas sugestivos e da história relatada, para chegar a um diagnóstico definitivo, o médico baseia-se em resultados: Do exame físico e ginecológico; De análises de sangue e urina; De outros exames complementares de diagnóstico, por exemplo ecografia, histeroscopia, biopsia do endométrio. Perante um diagnóstico positivo de cancro do endométrio será necessário realizar exames adicionais para avaliar a extensão e fazer o estadiamento da doença , que se baseia em: Dimensão do tumor e nível de invasão do útero; Disseminação para gânglios linfáticos próximos; Metástases em órgãos e tecidos distantes., Tratamento do cancro do endométrio Os principais fatores considerados para definir a melhor abordagem de tratamento são: Os resultados do estadiamento da doença; As características das células tumorais; Particularidades de cada mulher, por exemplo, a idade, estado geral de saúde, ou mesmo o desejo de vir a ter filhos se estiver ainda em idade fértil. Na maioria dos casos o tratamento envolve cirurgia com remoção do útero (histerectomia). Pode incluir ou não outras modalidades como radioterapia, quimioterapia, hormonoterapia ou imunoterapia. Quando a doença é identificada numa fase precoce e tratada adequadamente a taxa de sobrevivência aos 5 anos pode ser superior a 96%. Prevenção do cancro do endométrio Não há vacinas para o cancro do endométrio. A vacina contra o HPV previne o cancro do colo do útero, mas não o cancro do endométrio. Não há outras medidas de prevenção específicas. Controlar os fatores de risco que podem serem controlados, estar atenta a sintomas suspeitos e manter a vigilância ginecológica de rotina é o que de melhor se pode fazer para prevenir esta doença . Não existem também exames de rastreio para diagnóstico precoce de cancro do endométrio. Fontes American Cancer Society . Endometrial cancer. Conheça a equipa clínica de ginecologia-obstetrícia da rede Hospital da Luz Os conteúdos publicados no Guia de Saúde destinam-se ao público em geral e têm apenas finalidade informativa e educativa. Não substituem a avaliação, diagnóstico ou aconselhamento clínico individual por um profissional de saúde. 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