25 de novembro de 2022 Autora : Sílvia Alexandre Silva Em média, o cancro da mama masculino ocorre 5-10 anos mais tarde do que nas mulheres e tem um pico de incidência cerca dos 65 anos de idade. Os homens quase nunca estão sensibilizados para esta doença. Por isso, e não havendo indicação de exames de rastreio para a generalidade da população, o cancro da mama masculino raramente é diagnosticado em fases assintomática . Mais de 40% dos casos de são diagnosticados já nos estádios III e IV, e portanto têm um pior prognóstico. Sintomas e diagnóstico O sintoma mais comum de cancro da mama nos homens é o aparecimento de um nódulo mamário . Na maioria dos casos, este nódulo não é doloroso, localiza-se atrás do mamilo (é retroareolar), mas não é centrado em relação a este. Esta localização excêntrica em relação ao mamilo é um aspeto importante no diagnóstico diferencial com a ginecomastia, que é a patologia mamária benigna mais frequente no homem. Outros sintomas possíveis de cancro da mama são corrimento com vestígios de sangue (hemático) pelo mamilo, retração da pele, retração do mamilo ou até mesmo ulcerações (feridas abertas). Também à semelhança do que é feito nas mulheres, o diagnóstico do cancro da mama no homem baseia-se em: Avaliação clínica Resultados de exames de imagem Estudo anatomopatológico Exames de imagem Quando são detetadas alterações mamárias no exame clínico, deve ser pedido um estudo por mamografia , bilateral, complementado com avaliação ecográfica . Perante uma lesão mamária suspeita, a avaliação ecográfica deve abranger a axila, pois a metastização nos gânglios axilares ocorre em mais de 50% dos casos de cancro da mama masculino. Outros exames de imagem, nomeadamente para excluir metastização de doença à distância, como tomografia computorizada ou cintigrafia óssea, podem ser realizados dependendo das particularidades de cada caso. Estudo anatomopatológico A biopsia mamária permite realizar o estudo anatomopatológico, que é fundamental para o diagnóstico definitivo da lesão e, caso se confirme tratar-se de um cancro da mama, para fazer a sua caracterização biológica, que tem implicações na definição do tratamento. As células glandulares mamárias são responsáveis pela produção de leite. Assim, a mama masculina tem muito menos tecido glandular do que a mama feminina, é constituída por ductos sem lóbulos terminais. Esta constituição diferente faz com que a localização e a importância relativa dos tipos de cancro da mama também sejam diferentes. No homem: 40%-50% dos casos envolvem a areola-mamilo; O carcinoma ductal invasivo representa cerca de 85% dos casos; O carcinoma lobular invasivo é raro, representa cerca de 1%-2% e está associado mais frequentemente à síndrome de Klinefelter. Nas mulheres este tipo de carcinoma representa 15% dos casos. Quanto aos recetores hormonais também há diferenças: A expressão de recetores hormonais para os estrogénios e para a progesterona é mais elevada nos homens do que nas mulheres, com valores de 80% e 60%, respetivamente; Nos homens os cancros da mama p53 e Cerb-B2 positivos são menos frequentes (5%); O cancro da mama masculino é frequentemente positivo para os recetores de androgénios, o que implica o diagnóstico diferencial entre um tumor primário da mama e metástase de carcinoma da próstata. Tratamento do cancro da mama masculino O tratamento do cancro da mama deve idealmente ser realizado por médicos de várias especialidades, médicas e cirúrgicas, com diferenciação nesta patologia , que trabalhem de forma integrada numa unidade funcional dedicada. Cirurgia A cirurgia é a principal modalidade terapêutica do cancro de mama no homem nos estádios precoces , tal como acontece nas mulheres. No entanto ao contrário destas, os homens raramente são candidatos a cirurgia conservadora. Numa cirurgia conservadora, é feita a excisão do tumor com margem de segurança e é conservada a mama restante, seguindo-se habitualmente tratamento de radioterapia. A localização mais central dos tumores mamários masculinos e o menor impacto na harmonia corporal faz com que geralmente seja realizada a excisão cirúrgica de toda a mama ( mastectomia total ) e um procedimento axilar, que poderá ser a biopsia do gânglio sentinela ou a linfadenectomia axilar, este último associado a maior morbilidade. Os tratamentos adjuvantes da cirurgia por radioterapia, quimioterapia e hormonoterapia são decididos, principalmente, com base nas orientações de tratamento do cancro da mama na mulher. Em muitos casos a radioterapia depois da mastectomia é dispensável. Hormonoterapia No caso da hormonoterapia, o tamoxifeno é a terapêutica anti-estrogénio mais usada no cancro da mama hormono-sensíveis , tanto do homem como da mulher. Vários estudos têm demonstrado baixa adesão a esta terapêutica por parte da população masculina, provavelmente pelos efeitos secundários possíveis, por exemplo: Aumento do peso; Disfunção sexual e diminuição da líbido; Diaforese (transpiração excessiva); Labilidade emocional; Trombose venosa. Nos homens, os inibidores da aromatase não são uma alternativa tão boa como nas mulheres pois apenas inibem a formação de estrogénios na gordura periférica (80%) e os restantes 20%, produzidos pelos testículos, não são afetados. Nos poucos casos de cancro da mama masculino HER2 positivo, seguem-se as recomendações da população feminina, com terapêutica anti-HER2 direta. Abordagem na doença avançada No caso de cancros da mama localmente avançados, com ulceração da pele, envolvimento da parede torácica ou grande envolvimento ganglionar, a abordagem terapêutica inicial é médica, com quimioterapia e hormonoterapia que dependem das características biológicas do tumor. Nos cancros com doença disseminada (doença incurável), em geral não há indicação para tratamento cirúrgico. Os doentes realizam quimioterapia, radioterapia e hormonoterapia de acordo com as características biológicas do tumor, com o seu estado geral e com comorbilidades eventualmente presentes. Prognóstico De um modo geral, nos homens com cancro da mama, o prognóstico é pior do que nas mulheres , para o que contribuem: O diagnóstico em estádios e idades mais avançadas; A presença de comorbilidades que limitam as possibilidades de tratamento. A dimensão do tumor e o número de gânglios envolvidos na altura do diagnóstico, são fatores importantes para o prognóstico. Os subtipos triplo-negativos e HER2 positivo têm pior prognóstico. A sobrevivência global aos 5 e 10 anos depois do diagnóstico de cancro da mama nos homens é de 60% e 40%, respetivamente. Leia também sobre incidência e fatores de risco para o cancro da mama masculino . Conheça a equipa clínica de cirurgia geral da rede Hospital da Luz e faça a marcação da sua consulta Os conteúdos publicados no Guia de Saúde destinam-se ao público em geral e têm apenas finalidade informativa e educativa. Não substituem a avaliação, diagnóstico ou aconselhamento clínico individual por um profissional de saúde. São produzidos ou revistos por médicos e outros profissionais do Hospital da Luz e baseiam-se no conhecimento disponível à data da sua publicação ou última atualização, indicada no início de cada conteúdo.