23 de novembro de 2022 Autora : Sílvia Alexandre Silva O cancro da mama é raro no homem, mas a incidência desta doença tem vindo a aumentar . Corresponde a menos de 1% das neoplasias do homem e a menos de 1% de todos os cancros de mama diagnosticados. Nos EUA a relação entre o número de casos em homens e mulheres é de 1 para 100 em caucasianos e de 7 para 100 em afro-americanos. Neste país a incidência aumentou cerca de 25% nos últimos 25 anos. Não é conhecida uma causa única para o cancro da mama no homem, mas sabe-se que estão envolvidos fatores hormonais, genéticos e ambientais . Por se tratar de uma doença rara, os resultados de estudos são ainda escassos e o tratamento baseia-se nas orientações terapêuticas disponíveis para o cancro da mama na mulher. Vários fatores aumentam o risco de desenvolver cancro da mama masculino. Fatores de risco para o cancro da mama no homem Idade e etnia A incidência de cancro da mama do homem aumenta com a idade e de forma mais significativa a partir dos 50 anos. Tem um pico de incidência cerca dos 65 anos de idade. A incidência é também maior nos homens afroamericanos e nas populações masculinas da África Central , podendo estar relacionado neste caso com uma maior incidência de doenças hepáticas infeciosas endémicas nestes países. Nas populações asiáticas, a incidência de cancro da mama, tanto masculino como feminino é inferior à da generalidade da população. História familiar Múltiplos estudos populacionais estimam que 15%-20% dos homens com cancro da mama têm pelo menos um familiar direto com a doença. Tal como nas mulheres, os homens com familiares diretos com cancro da mama têm um risco duas a três vezes maior de desenvolver a doença. O risco aumenta com o número de familiares com este diagnóstico . No entanto, o rastreio do cancro da mama nos homens com história familiar não está recomendado pois, apesar de tudo, o risco absoluto nestas populações continua a ser considerado muito baixo. Síndrome de Klinefelter A síndrome de Klinefelter é uma doença genética rara associada à presença de um cromossoma X suplementar nos homens. Clinicamente manifesta-se por ginecomastia e disgenesia testicular. Os homens com esta síndrome têm uma probabilidade 20 a 50 vezes maior à da população em geral de desenvolver cancro da mama. Pensa-se que este facto se deve principalmente ao baixo nível de androgénios e elevado nível de gonadotrofinas em circulação. Desequilíbrios hormonais Níveis elevados de estrogénios estão associados a um risco acrescido de cancro da mama no homem. Tal como nas mulheres, os homens que têm doenças como a obesidade ou o alcoolismo têm níveis mais elevados de estrogénios endógenos e, assim, um risco acrescido de cancro da mama. A cirrose hepática , qualquer que seja a sua causa (alcoólica, viral, parasitária, entre outras), e a disfunção testicular (por criptorquidia, traumatismo testicular, hérnia inguinal congénita) são fatores de risco para o cancro da mama masculino pelas alterações hormonais que induzem, com um desequilíbrio entre os níveis de estrogénios e androgénios a favor dos primeiros. A ginecomastia (desenvolvimento anormal da mama no homem), frequentemente associada à doença hepática crónica e a diversos fármacos, não parece ser um precursor de cancro da mama masculino. No entanto, partilham fatores de risco, pelo que poderá haver alguma associação. Tratamentos hormonais Os tratamentos com estrogénios exógenos em pessoas transexuais e o tratamento prolongado com anti-androgénios e estrogénios que pode estar indicado no cancro da próstata também têm sido referidos como fatores que aumentam o risco de cancro da mama masculino . Exposição em contexto laboral Ambientes profissionais associados a exposição a elevadas temperaturas, radiação ionizante, radiação eletromagnética ou a alguns compostos como produtos de combustão , parecem estar associados a um risco superior de cancro da mama no homem. Hereditariedade Todas as pessoas têm duas cópias dos genes BRCA1 e BRCA2, cada uma herdada de cada progenitor. As mutações (alterações) destes genes estão associadas a um aumento do risco de vários cancros. O cancro da mama é um dos principais e as mutações podem ser transmitidas à descendência. Há um risco superior de cancro da mama masculino quando estão presentes mutações do gene BRCA2 e, com menos frequência, do gene BRCA1. Uma em cada 40 mulheres judias Ashkenazi tem uma mutação dos genes BRCA. Assim, a descendência masculina desta população terá também uma maior probabilidade de ser portadora de mutações dos genes BRCA. Fatores de risco e prevenção do cancro da mama Apesar de o cancro da mama ser raro no homem, há que conhecer esta doença . Habitualmente o diagnóstico do cancro da mama no homem é feito em fases já avançadas da doença e, portanto, a doença está associada a um pior prognóstico. Combater fatores de risco modificáveis é um passo importante na prevenção do cancro da mama masculino: Evite o excesso de peso e obesidade, diminua a ingestão de bebidas alcoólicas. Faça também um autoexame mamário regularmente , principalmente a partir dos 50 anos e procure saber se tem outros fatores de risco. Se precisar ou tiver dúvidas, procure ajuda médica. Um diagnóstico mais precoce está em regra associado a maior sucesso do tratamento e a um prognóstico mais favorável . Leia também sobre sintomas, diagnóstico e tratamento do cancro da mama masculino . Conheça a equipa clínica de cirurgia geral da rede Hospital da Luz e faça a marcação da sua consulta Os conteúdos publicados no Guia de Saúde destinam-se ao público em geral e têm apenas finalidade informativa e educativa. Não substituem a avaliação, diagnóstico ou aconselhamento clínico individual por um profissional de saúde. São produzidos ou revistos por médicos e outros profissionais do Hospital da Luz e baseiam-se no conhecimento disponível à data da sua publicação ou última atualização, indicada no início de cada conteúdo.