13 de outubro de 2020 Autora : Filipa Pinto de Oliveira O cancro oral é um problema de saúde pública importante. Por ano surgem cerca de 10 milhões de novos casos, dos quais mais de 6 milhões acabam por resultar em mortes. Portugal é o segundo país da Europa com maior taxa de incidência de cancro oral, verificando-se um aumento de novos casos entre a população portuguesa. Causas de cancro oral O cancro oral pode ter uma origem multifatorial, seja externa (ambiental e comportamental) ou endógena (genética). Principais fatores de risco Sexo e idade Os homens entre os 45 e os 70 anos de idade têm maior possibilidade de vir a desenvolver este tipo de doença oncológica e constituem o maior grupo de risco. No entanto, devido à transmissão do vírus do papiloma humano por via sexual, o número de casos entre jovens adultos tem vindo a aumentar. Tabagismo e consumo de bebidas alcoólicas O tabaco e o consumo excessivo de bebidas alcoólicas constituem as principais causas de cancro oral. Vários estudos referem que o tabaco e o álcool desempenham, em conjunto, um papel preponderante no aparecimento de cancro oral, aumentando o risco em seis vezes. Por si só, o consumo de álcool é responsável por um aumento do risco de cancro oral mesmo em não fumadores. Infeção pelo vírus do papiloma humano A transmissão deste vírus é feita através de contacto sexual. Cerca de 70% das neoplasias da base da língua, amígdalas e palato mole estão associados a este vírus. O cancro oral na orofaringe surge relacionado com a infeção pelo vírus do papiloma humano e tem vindo a registar maior incidência entre os jovens adultos. Exposição solar A exposição ao sol sem proteção está associada ao aparecimento de cancro no lábio, especialmente no lábio inferior. O risco de cancro no lábio é também aumentado nos fumadores, especialmente de cachimbo. História familiar Pessoas com familiares diretos que tenham tido cancro oral podem ter um risco aumentado para a doença. Hábitos alimentares Alguns estudos internacionais sugerem também que uma dieta pobre em vegetais e em fruta fresca está associada a um risco aumentado de cancro oral. Sintomas e sinais de alerta Ferida na boca ou na garganta que não cicatriza; Sangramento ou dentes soltos sem causa aparente; Dificuldade em mastigar, engolir, movimentar a língua ou a mandíbula; Mau hálito persistente; Alteração no apoio das próteses dentárias; Perda de sensibilidade; Mancha de cor variável; Lesão persistente (mais de 2 semanas) após tratamento; Úlceras persistentes. Na maioria dos casos, estes sintomas não são sinónimos de cancro oral, mas devem observados pelo seu médico dentista. Diagnóstico Dependendo da situação clínica apresentada para se fazer o diagnóstico, pode ser necessário recorrer a exames complementares, tais como biopsias orais, análises clínicas ou exames radiológicos. Tratamento do cancro oral O cancro oral surge de forma assintomática, só se tornando doloroso tardiamente. Por isso, é importante conhecer os fatores de risco de estar atento aos sinais de alerta. Quando detetado numa fase inicial, o cancro oral é tratado com maior facilidade, sendo muitas vezes o tratamento cirúrgico suficiente para se alcançar a cura. Como prevenir Deixar de fumar e reduzir o consumo de álcool; Proteger os lábios do sol; Manter uma boa higiene oral; Seguir uma dieta equilibrada, rica em frutas e vegetais; Efetuar um rastreio anual numa consulta de medicina oral; Conheça a equipa de medicina dentária da rede Hospital da Luz e faça a sua marcação . Os conteúdos publicados no Guia de Saúde destinam-se ao público em geral e têm apenas finalidade informativa e educativa. Não substituem a avaliação, diagnóstico ou aconselhamento clínico individual por um profissional de saúde. São produzidos ou revistos por médicos e outros profissionais do Hospital da Luz e baseiam-se no conhecimento disponível à data da sua publicação ou última atualização, indicada no início de cada conteúdo.