6 de março de 2019 Autor : Kris Maes A próstata é uma glândula exclusivamente masculina localizada em torno da uretra (o canal que permite a saída de urina da bexiga para o exterior), responsável pela produção de parte do fluído espermático. O cancro da próstata afeta principalmente a região periférica da glândula e representa o 2º tipo de cancro mais frequente em homens, depois do cancro do pulmão. Quais sãos os fatores de risco associados ao cancro da próstata? Diversos fatores aumentam o risco de desenvolver esta doença, sendo os mais significativos: O envelhecimento (a maioria dos homens diagnosticados tem acima de 50 anos); A história familiar de cancro da próstata; A raça negra. Como é feito o diagnóstico do cancro da próstata? Ao contrário da hiperplasia benigna, que limita mais frequentemente a saída de urina da bexiga e origina sintomas, o cancro da próstata é geralmente assintomático. A avaliação diagnóstica desta neoplasia depende então: Da avaliação do PSA (antigénio específico da próstata); Da realização do toque retal; De exames de imagem (ecografia prostática transretal e, mais recentemente, a ressonância magnética prostática multiparamétrica). O PSA é uma molécula produzida pela próstata que contribui para a liquefação do sémen. Contudo, também se encontra em circulação, sendo possível doseá-la no sangue. O cancro prostático associa-se a aumento do PSA . No entanto, outras patologias benignas também o fazem, o que torna este parâmetro insuficiente quando usado isoladamente. O toque retal permite a avaliação da região periférica da glândula prostática, procurando nódulos suspeitos na zona mais frequentemente afetada por neoplasia maligna. O diagnóstico definitivo depende da realização de biópsia prostática transretal ou transperineal. A evolução do diagnóstico Até à década de 1980, o diagnóstico de carcinoma da próstata era, na maioria dos casos, tardio . Quase sempre eram os sintomas determinados pelas metástases (principalmente ósseas) que levavam ao diagnóstico. A partir dessa data, com a introdução de um teste sanguíneo eficaz, o doseamento do antigénio específico da próstata (PSA) iniciou-se uma nova era, a do diagnóstico precoce. Na maioria dos casos, a doença passou a ser diagnosticada em fase localizada (confinada à próstata) e, logo, passível de ser submetida a terapêutica curativa. Deve salientar-se que o PSA não é um marcador tumoral, mas sim um indicador do estado de saúde do órgão. Muitas doenças da próstata, tais como infeção, inflamação, traumatismo e cancro, alteram o valor do PSA. Por isso, um valor elevado não é sinónimo de carcinoma de próstata, apenas chama a atenção para a possibilidade de estar presente. Assim, a determinação periódica (anual) do valor de PSA e a palpação da próstata por toque retal, são os pilares do diagnóstico precoce desta neoplasia. No diagnóstico do carcinoma da próstata, a ecografia prostática transretal tem vindo a ser utilizada como método auxiliar e complementar ao toque retal. Este método tem sido usado nos doentes com níveis elevados de PSA ou com anomalias detetadas por toque retal. Porém, o diagnóstico depende de confirmação histopatológica. O método recomendado, para a maioria dos casos em que se suspeita de cancro da próstata, é a biópsia prostática transretal guiada por ecografia. Com a evolução da tecnologia de diagnóstico, é hoje possível recorrer também à ressonância magnética multiparamétrica. Esta tem a capacidade de avaliar, não só as características anatómicas da próstata, como também o seu comportamento molecular. Qual é o tratamento para o cancro da próstata? Após o diagnóstico, é necessário caracterizar a doença de acordo com o risco de progressão. Deve aliar-se este dado à idade do doente e considerar as opções terapêuticas disponíveis. Deverá discutir com o seu médico que opção se adequa melhor à sua situação clínica e quais as possíveis complicações e benefícios do ponto de vista oncológico. Terapêuticas para cancro da próstata localizado com baixo risco de progressão: Vigilância ativa: o doente mantém vigilância clínica regular com PSA e biópsia prostática e atrasa o início de terapêutica curativa, mantendo controlo da doença do ponto de vista oncológico; Cirurgia : prostatectomia (remoção da próstata) radical, que poderá realizar-se por via convencional (com uma incisão vertical abaixo do umbigo), laparoscópica (através de 5 pequenos orifícios) ou robótica (também através de pequenos orifícios mas com o auxílio de uma estrutura robótica controlada pelo cirurgião); Radioterapia : através da colocação de sementes radioativas no interior da próstata (braquiterapia) ou de administração extracorporal. Terapêuticas para cancro da próstata em fase mais avançada: Neoplasias diagnosticadas em fase mais avançada poderão necessitar da associação das terapêuticas acima descritas ou de terapêutica farmacológica, nomeadamente hormonoterapia ou quimioterapia. A evolução do tratamento Na maioria dos casos, a abordagem de eleição para o cancro da próstata localizado é o tratamento cirúrgico, mais especificamente a prostatectomia radical. Com efeito, a prostatectomia radical, independentemente da abordagem usada (aberta, laparoscópica ou robótica), tem revelado sistematicamente resultados mais favoráveis e permitindo uma maior sobrevivência. Prostatectomia radical aberta Na prostatectomia radical aberta, através de uma incisão abdominal na linha média, remove-se toda a próstata e as vesículas seminais. Depois, segue-se a sutura do colo vesical à uretra. Quando necessário, são também removidos os gânglios linfáticos pélvicos. Procura-se preservar o músculo do esfíncter externo para manter a continência e o feixe neurovascular para manter a função erétil, sempre que oncologicamente isso seja possível. No entanto, na prostatectomia radical há tem sempre um risco considerável de incontinência e de impotência pós-operatória. Cirurgia minimamente invasiva A cirurgia minimamente invasiva tradicional começou a ser usada na prostatectomia radical no final da década de 1990. Neste caso, o cirurgião usa incisões de dimensão muito reduzida e opera numa cavidade abdominal insuflada por dióxido de carbono , com uma visão a duas dimensões e usando instrumentos rígidos. Com esta abordagem laparoscópica, o controlo oncológico e os resultados funcionais melhoraram relativamente à cirurgia aberta, mas a curva de aprendizagem do cirurgião é muito longa. Assim, só em centros com grande volume de doentes é possível adquirir a experiência necessária para obter os melhores resultados. Sistema de cirurgia robótica Da Vinci Mais recentemente, o desenvolvimento e a introdução do sistema de cirurgia robótica Da Vinci alteraram profundamente a abordagem do cancro da próstata em todo o mundo. Este equipamento permite que o cirurgião opere em excelentes condições ergonómicas , com uma visão do campo operatório de grande ampliação e em 3 dimensões. Usa instrumentos articulados que simulam os movimentos do punho humano e que filtram o tremor. Assim, a prostatectomia laparoscópica assistida por robot (RALP) resulta em: Estadias hospitalares mais curtas; Menos perdas sanguíneas perioperatórias; Menos dor pós-operatória; Recuperação global mais rápida. A bibliografia científica atual aponta também para uma vantagem da cirurgia robótica em termos de continência e função erétil, relativamente à laparoscopia e à cirurgia aberta. Além disso, permite um controlo oncológico comparável. A realização de uma prostatectomia radical por cirurgia robótica permite: Uma melhor visualização das estruturas anatómicas, particularmente, do apex prostático e uretra, bem como, dos plexos neurovasculares látero-prostáticos; Uma tração e contra-tração eficazes da próstata, bexiga e estruturas anatómicas adjacentes, com um impacto muito favorável na precisão da dissecção da próstata e estruturas contíguas; Uma anastomose uretro-vesical precisa e estanque. Na prostatectomia radical robótica tem-se verificado também um melhor resultado funcional , no que se refere a: Percentagem e grau de recuperação da função erétil; Rapidez de retorno da continência urinária. Nos hospitais e clínicas da rede Hospital da Luz, pode encontrar médicos especialistas em urologia e realizar os exames e procedimentos desta área que precise. Conheça a equipa de urologia da rede Hospital da Luz e faça a marcação da sua consulta Os conteúdos publicados no Guia de Saúde destinam-se ao público em geral e têm apenas finalidade informativa e educativa. Não substituem a avaliação, diagnóstico ou aconselhamento clínico individual por um profissional de saúde. São produzidos ou revistos por médicos e outros profissionais do Hospital da Luz e baseiam-se no conhecimento disponível à data da sua publicação ou última atualização, indicada no início de cada conteúdo.