06 de julho de 2022 Autor : João Casanova O cancro vaginal é um cancro ginecológico raro (1 caso em cada 100 mil mulheres), principalmente nas mulheres com menos de 40 anos. A idade média na altura do diagnóstico é de 60 anos; Mais de metade cancros vaginais ocorrem em mulheres infetadas pelo vírus do papiloma humano (HPV). O cancro vaginal pode ser um cancro primário, ou seja, com origem em células da vagina; Também podem ocorrer na vagina metástases de cancros noutros orgãos, mais frequentemente de tumores no útero, ovários, mama, reto e rim. Há diferentes tipos de cancro vaginal primário : Carcinoma vaginal de células escamosas , que tem origem nas céulas escamosas que revestem a superfície vaginal interna e é o mais frequente; Adenocarcinoma vaginal , que tem origem em células glandulares vaginais; Melanoma vaginal , que tem origem em células vaginais produtoras de melanina (melanocitos); Sarcoma vaginal , que tem origem em células do tecido conjuntivo ou muscular das paredes vaginais. Fatores de risco para o cancro da vagina O risco de cancro vaginal aumenta com a idade. A maioria dos casos diagnosticados é em mulheres com mais de 60 anos Infeção pelo vírus do papiloma humano ( HPV ). Mais de metade dos casos de cancro vaginal estão relacionados com esta infeção sexualmente transmissível; Presença de células pré-cancerosas no útero ou vagina; Cancro do colo do útero prévio; Filhas de mães expostas ao fármaco dietilestilbestrol (DES) durante a gravidez; Múltiplos parceiros sexuias; Início de vida sexual em idade jovem; Consumo de tabaco; Lúpus; Infeção pelo vírus da imunodeficiência humana. Entre os cancros ginecológicos, o cancro da vagina e o cancro do colo do útero são os mais relacionados com a infeção pelo vírus do papiloma humano (HPV) e, portanto, partilham fatores de risco. Sintomas de cancro da vagina Muitos cancros vaginais não provocam sintomas e são detetados acidentalmente em consultas e exames de rotina , por exemplo quando é feito o exame físico ginecológico ou são obtidas amostras para fazer uma citologia de rastreio de cancro do colo do útero. Noutros casos o cancro vaginal tem sintomas e o mais importante destes são hemorragias vaginais depois de ter relações sexuais, entre as menstruações ou em mulheres que já estão em menopausa. Outros sintomas possíveis no cancro vaginal são: Corrimento vaginal não usual, com ou sem vestígios de sangue ou odor desagradável; Sintomas urinários, como dor ao urinar, sangue na urina ou necessidade de urinar com mais frequência do que o habitual; Sensação de corpo estranho ou massa vaginal; Lesões da mucosa vaginal, como massas, placas ou úlceras; Alterações dos hábitos intestinais, como obstipação; Prurido (comihão) vaginal que não desaparece; Dor durante as relações sexuais; Dor pélvica. Estes sintomas não são específicos do cancro da vagina , podem estar relacionados com muitos outros problemas. Sempre que estejam presentes devem ser procurados cuidados médicos para que sejam identificadas as causas corretamente. Diagnóstico e tratamento do cancro vaginal Para o diagnóstico inicial contribuem os resultados de um exame físico ginecológico e pélvico detalhado e de exames de diagnóstico adicionais , por exemplo uma colposcopia com realização de biopsia para avaliação posterior das características das células. Se esta avaliação confirmar um cancro vaginal, então são habitualmente necessários outros exames para fazer o estadiamento da doença que está relacionado com: Identificação, dimensão e extensão do tumor primário na vagina e noutros orgãos próximos (bexiga e reto); Presença de metástases dos gânglios linfáticos; Presença de metastases distantes. O cancro vaginal pode dar origem a metástases principalmente nos pulmões, fígado e osso. Os exames necessários para o estadiamento podem incluir: Análises de sangue; Radiografia ao tórax; Tomografia computorizada (TAC), ressonância magnética, tomografia por emissão de positrões (PET). Uma vez disponíveis todos os resultados, o tratamento do cancro da vagina é então decidido por uma equipa multidisciplinar de especilistas de várias áreas. Pode envolver: Cirurgia: desde apenas a remoção de uma parte da vagina (nas fases iniciais da doença) até à todos os orgãos reprodutores (vagina, útero e ovários), bexiga, reto e intestinos em casos avançados e quando não há outras possibilidades de tratamento; Radioterapia externa ou interna (braquiterapia); Quimioterapia, que geralmente não é usada isoladamente no cancro vaginal. O cancro da vagina nas mulheres em idade fértil não impossibilita uma gravidez futura exceto quando é feita uma histerectomia. No entanto, 10%-15% das mulheres desenvolvem complicações relacionadas com o tratamento e que podem interferir com a possibilidade de uma gravidez posterior com êxito. A radioterapia por cancro vaginal em idade fértil pode também induzir uma menopausa precoce. Prevenção Não há medidas específicas de prevenção do cancro vaginal, mas as seguintes têm uma contribuição importante: Mater vigilância ginecológica regular e realizar os exames e rastreios recomedados; As medidas de prevenção do HPV – vacinação e uso de preservativo – ajudam a prevenir o cancro vaginal, pela relação que este tem com a infeção. A vacina contra o HPV faz parte do programa nacional de vacinação português, tanto para as raparigas (desde 2008) como para os rapazes (desde 2020); Não fumar . Conheça a equipa clínica de ginecologia da rede Hospital da Luz e faça a marcação da sua consulta Os conteúdos publicados no Guia de Saúde destinam-se ao público em geral e têm apenas finalidade informativa e educativa. Não substituem a avaliação, diagnóstico ou aconselhamento clínico individual por um profissional de saúde. 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